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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Find Me Guilty **

24.08.06, Rita

Realização: Sidney Lumet. Elenco: Vin Diesel, Peter Dinklage, Linus Roache, Ron Silver, Alex Rocco, Annabella Sciorra, Raúl Esparza. Nacionalidade: EUA, 2006.





O julgamento Lucchese, que começou em 1987 e se arrastou durante 21 meses, reuniu 20 réus acusados de 76 crimes. Entre eles encontrava-se Giacomo "Jackie Dee" DiNorscio (Vin Diesel), já a cumprir uma pena de 30 anos por tráfico de drogas. Tendo recusado o acordo proposto pelo procurador do Ministério Público (Linus Roache) de denunciar os seus amigos, DiNorscio decide defender-se a si próprio em tribunal, dispensando os serviços de um advogado. Esta opção encontra reservas por parte dos advogados dos restantes arguidos, bem como do chefe da família Lucchese, Nick Calabrese (Alex Rocco), incluído no rol, que se mostra imune ao charme e humor de DiNorscio.


Os 125 minutos de “Find Me Guilty” decorrem quase exclusivamente num tribunal apinhado de gente. Em termos de acção, o filme reduz-se a uns quantos confrontos verbais, sendo que grande parte do texto faz uso das declarações oficiais registadas em tribunal. Este ponto de partida torna a tarefa de realização um desafio. Infelizmente, Sidney Lumet (que para mim será sempre "o realizador de “Running on Empty”"), com uma realização estática, não supera esta prova.


É fácil acreditarmos que este se tratou do julgamento mais longo da história americana, porque é exactamente isso que sentimos ao ver o filme. A paciência do espectador é levada ao limite, sem que fiquemos a perceber o que havia de tão magnético em DiNorscio que levou o júri a considerá-los inocentes de todas as acusações. Em vez de charmoso, ele é apenas arrogante.


“Find Me Guilty” é um filme que romantiza o crime organizado, manipulando o espectador para desprezar a acusação e defender assassinos, ladrões, extorsionários, dealers e proxenetas, sem nunca considerar as consequências das sua acções, como se de crianças temperamentais se tratassem. Só porque Jackie nunca denunciou os seus amigos, e valoriza a amizade e a lealdade de uma forma quase doentia, ele é-nos apresentado como um verdadeiro herói, caminhando às apalpadelas pelo processo jurídico.


Já que mais não seja, “Find Me Guilty” é essencial no Curriculum Vitae de Vin Diesel. Por muito que eu tenha gostado de “XXX” (mas acho que a culpa disso é de Asia Argento e de Praga), o seu registo nunca tinha sido tão testado como neste filme, entre o cómico e o dramático, vislumbra-se algures uma possibilidade de actor. Vislumbre que rapidamente se desvanece quando contracena com Linus Roache (“The Forgotten”) no papel de procurador do Ministério Público, com o sarcástico Ron Silver como o juiz, com o seco e assustador Alex Rocco como Nick Calabrese, ou ainda com a sensual Annabella Sciorra na única cena a que ela tem direito. E sai-se do filme com a sensação de que o verdadeiro protagonista desta história é Ben Klandis, um dos advogados de defesa, aliás, o único que parece profissional no meio de uma tremenda palhaçada, interpretado pelo fantástico Peter Dinklage (“The Station Agent”) que, independentemente da sua altura (1,35m), esmaga todos os outros.


Joe Pesci poderia ter sido perfeito no papel atribuído a Vin Diesel, ou pelo menos, poderia ter salvo grande parte do filme. E é com esse sabor de promessa por cumprir que saímos da sala, retirando de “Find Me Guilty” a evidência de um sistema jurídico kafkiano, cuja sobrevivência só é garantida se ninguém se atrever a trazer à luz do dia os seus muitos absurdos. Mas, máfia por máfia, prefiro uma noite de segunda-feira com “Os Sopranos”.






CITAÇÕES:


“They say a laughing jury is not a hanging jury.”
PETER DINKLAGE (Ben Klandis)




















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