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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Collector ****

07.06.06, Rita

T.O.: Komornik. Realização: Feliks Falk. Elenco: Andrzej Chyra, Małgorzata Kożuchowska, Kinga Preis, Grzegorz Wojdon, Jan Frycz, Sławomir Orzechowski, Marian Dziędziel, Marian Opania, Mieczysław Grąbka, Dariusz Kowalski, Krzysztof Dracz, Małgorzata Ząbkowska, Juliusz Krzysztof Warunek, Paweł Iwanicki, Cezary Łukaszewicz. Nacionalidade: Polónia, 2005.





Como transformar num herói um cobrador que confisca as máquinas do serviço de urgências de um hospital ou um acordeão a uma crianças doente? Este é o desafio a que Feliks Falk se propõe com este conto moral.


Lucjan Bohme (Andrzej Chyra, uma versão polaca de Daniel Craig) trabalha para um tribunal como cobrador de dívidas, e adora o seu trabalho. Lucjan é incansável e consistente nos seus objectivos e democrático na sua abordagem, penhorando todos de igual modo, sem ceder sequer à tentação do suborno. Mas a ética profissional de Lucjan contrasta de forma chocante com a sua falta de compaixão e solidariedade para com o seu próximo. O encontro com a sua primeira namorada, Gosia (Kinga Preis) irá pôr em causa a sua forma de vida.


Lucjan é ambicioso, tem orgulho no que faz e não entende a agressividade com que as suas “vítimas” o recebem. Afinal de contas, ele apenas está a fazer o seu trabalho. Lucjan defende os interesses dos credores. Que ele lucre com o crescente desemprego provocado pelo desaparecimento da indústria local no período pós-1989 parece ser um mero detalhe. O prazer de Lucjan é ainda mais evidente nos jogos psicológicos e na ironia que usa com os devedores.


Os colegas de Lucjan elogiam-no, mas vêem a sua honestidade como uma ameaça. A única forma de manter o sistema sob controlo é garantir a dependência de todas as partes. A arrogância de Lucjan fá-lo pensar que está acima de tudo e de todos, intocável nas suas convicções.


O momento da revelação chega através de uma desagradável coincidência. A consciência de Lucjan desperta e começa a atormentá-lo. A sua busca desesperada pela redenção, pela correcção dos seus erros, parece encontrar obstáculos intransponíveis. E talvez seja já demasiado tarde.


Vencedor dos prémios polacos Orly 2005 para melhor filme, melhor realizador, melhor argumento, melhor actor, melhor actriz, melhor design de produção e prémio do público, “The Collector” foi a aposta polaca para os Oscares, assumindo-se como uma metáfora da actual sociedade polaca, perdida no meio da desmedida ambição ocidental.


A interpretação voraz de Andrzej Chyra, coerente nos seus diferentes registos, em conjunto com a inocência e incredulidade de Grzegorz Wojdon, como Jasiek, o colega de Lucjan, equilibram de tal forma a balança, que permitem ao espectador uma quase impossível empatia por este anti-herói.


Apesar de alguma previsibilidade nas relações/confrontos entre personagens, a agilidade da filmagem cria um relevante sentido de urgência: quer no caminho de construção a todo o custo de uma carreira profissional, quer no caminho de regresso à humanidade. Também este feito a todo o custo.


















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