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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Death of Mr.Lazarescu ***

04.05.06, Rita

T.O.: Moartea domnului Lazarescu. Realização: Cristi Puiu. Elenco: Ion Fiscuteanu, Luminita Gheorghiu, Gabriel Spahieu, Doru Ana, Dana Dogaru, Florin Zamfirescu, Clara Voda, Adrian Titieni, Mihai Bratila, Monica Barladeanu. Nacionalidade: Roménia, 2005.




Um viúvo de 63 anos (Ion Fiscuteanu) vive com os seus gatos num pequeno e sujo apartamento em Bucareste. Uma noite, as dores de estômago e de cabeça agravam-se (para além dos normais efeitos do excesso de bebida) e decide chamar uma ambulância. Enquanto espera, pede uns comprimidos aos vizinhos e fala com a sua irmã, lamentando-se da ausência da sua única filha que vive no Canadá. Com a chegada da ambulância e da paramédica Mioara (Luminita Gheorghiu) tem início uma epopeia pelo sistema de saúde romeno, num duro contraste entre o cuidado e a indiferença.


O título deste filme não deixa grandes dúvidas quanto ao seu desfecho. Cristi Puiu consegue gerir esse aspecto sem prejudicar em nenhum momento o interesse do filme, fazendo um uso inteligente e equilibrado do humor negro. Filmado num estilo realista e muito próximo do documental este drama humano faz um uso exímio do ritmo, de tal forma que o cansaço e exasperação, a revolta contra a ineficácia e a burocracia, são também nossos.


À medida que a noite avança e o dia começa a despontar, a saúde de Lazarescu deteriora-se diante dos nossos olhos, mas a verdadeira protagonista deste filme é Mioara, é a ela que vemos mudar, num arco consistente e credível, do profissionalismo mais frio ao carinho e protecção pelo seu paciente. Ion Fiscuteanu como Lazarescu e Luminita Gheorghiu como Mioara estão excepcionais, revelando os frutos das três semanas de ensaios impostas por Puiu.


“The Death of Mr.Lazarescu” é o primeiro de uma proposta série de seis filmes - Six Stories from the Bucharest Suburbs - todos eles sobre diversas formas de amor. Aqui fala-se do amor pelo humano. Dois improváveis heróis, numa odisseia banal, mas nem por isso menos valorosa, mostram-nos que a eficácia profissional raramente pode ser descolada da eficácia emocional.











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