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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Géminis ***

03.05.06, Rita

Realização: Albertina Carri. Elenco: Cristina Banegas, Daniel Fanego, María Abadi, Lucas Escariz, Julieta Zylberberg, Damián Ramonda. Nacionalidade: Argentina / França, 2005.




À frente de uma família argentina de classe alta, tipicamente matriarcal, está Lucía (Cristina Banegas), superficial e controladora, tentando impor a sua bem pensada ordem em tudo o que a rodeia, num claro contraste com um pai quase autista de tão ausente (Daniel Fanego). Mas há algo que foge ao controlo de Lucía, quase como símbolo da podridão de um sistema baseado nas aparências - a relação incestuosa entre os seus filhos, Meme (María Abadi) e Jere (Lucas Escáriz).


Ezequiel (Damián Ramonda), o irmão mais velho, chega de Barcelona com Montse (Julieta Zylberberg) para se casar, num casamento teatralizado apenas para a sua família. Numa das cenas mais fortes deste filme, é Montse quem evidencia o mal que se gera dentro de um organismo pouco saudável, que impõe aos outros a sua vontade para camuflar a sua própria fragilidade.


A utilização de uma situação extrema para questionar as convenções e tradições deste conjunto de pessoas afasta o espectador da possibilidade de identificação. E, apesar dos esforços de Cristina Banegas (cuja cena final é demonstrativa do seu poder), a crítica social acaba por cair na caricatura, um pouco à semelhança de Norma Aleandro em “Señora Beba”.


É só quando se afasta desse objectivo, que o filme de Albertina Carri (o seu documentário “Los Rubios” fez parte da selecção do IndieLISBOA do ano passado) mostra mais força. Sem nunca apresentar um ponto de vista moralizador, sem explicações, justificações ou críticas, e inclusivamente com uma certa cumplicidade. Carri capitaliza nas interpretações naturais de Abadi e Escáriz; não fosse a condenação social e poderíamos até ver este amor e este desejo como algo puro. Mas, por outro lado, Carri perde a oportunidade de tirar partido do confronto com a personagem do irmão mais velho.


A câmara de Guillermo Nieto move-se pelos corredores da casa, descobrindo os seus meandros numa atmosfera opressiva. Sabemos de antemão e sem surpresa que a tensão acumulada caminhará para um inevitável clímax de tragédia grega, cuja força é potenciada pelo desajuste com a contenção emotiva que marca todo o restante filme.


Por vezes, o que está de errado na fotografia é simplesmente o lado de cá, o humano.













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