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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Lost in Translation *****

04.08.04, Rita

Realização e Argumento: Sofia Coppola. Elenco: Bill Murray, Scarlett Johansson, Giovanni Ribisi, Anna Faris. Nacionalidade: EUA/Japão, 2003.





Pegando no título original, Lost in Translation faz-nos realmente sentir perdidos na tradução. Não a tradução entre o inglês e o japonês, um jogo que nos dá alguns dos momentos mais divertidos; mas a tradução entre o mundo e cada um de nós como parte desse todo. O sentimento de inadequação e desgarramento não está dependente da acção se desenrolar em Tóquio, mas do facto de se terem esquecido de dar a Charlotte e a Bob um dicionário que os ajude a compreender esse idioma estranho com que o mundo e a sociedade lhes falam. A não comunicação de ambos com os seus respetivos parceiros evidencia isso mesmo: o marido fotógrafo de Charlotte basicamente esquece-se dela durante todo o dia, e Bob encontra-se bastante mais longe da sua companheira que os quilómetros que fisicamente os separam.


Mas, no fim, fica a vontade de não encontrar sequer esse papel pré-definido, a vontade de inventar o seu próprio caminho, a sua própria linguagem que, num segredo sussurrado, deixa o espectador a procurar no seu íntimo o desfecho da história, a explicação.


Custa classificar este filme como comédia. Sim, sorrimos muitas vezes, e uma gargalhada ou outra será inevitável, mas a tristeza está tão impregnada nos silêncios e nos olhares que é difícil não repararmos nela. Um pouco como o contraste de cor entre a Tóquio de noite, com os seus garridos néons, os seus ensurdecedores karaokes, e animação descontrolada; e a Tóquio de dia, de cores suaves de pastel esbatido, de uma cidade que se cala para trabalhar e se fecha num quarto de hotel.


O ritmo do filme é como uma respiração, acompanhando a exasperação e o cansaço dos personagens, a sua euforia e a sua descoberta, em duas interpretações magistrais, de contenção expressiva, por parte de Scarlett Johansson, uma das actrizes do ano, e a comicidade trágica de Bill Murray, num dos seus melhores registos de sempre.


Na identificação de um momento, o elemento que os une (a nacionalidade, o idioma comum, a estranheza do contexto) serve de ajuda a essa busca de um sentido que, naquela semana, parece resumir a preocupação de toda uma vida. E assistimos à construção, em pequenos detalhes, de um amor que é identificação, compreensão, aceitação. Um sentimento que não precisa de tradução. E como completa a voz de Brian Ferry, no momento mais emotivo do filme: “More than this, there is nothing…”.




CITAÇÕES:


“I just don't know what I'm supposed to be.”
SCARLETT JOHANSSON (Charlotte)

“Let's never come here again because it will never be as much fun.”
SCARLETT JOHANSSON (Charlotte)

“- I don't want to leave.
- So don't. Stay here with me. We'll start a jazz band.”
BILL MURRAY (Bob) e SCARLETT JOHANSSON (Charlotte)




















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