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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Trilogia Lucas Belvaux ****

09.08.04, Rita


Un Couple Épatant | Cavale | Aprés la Vie



Realização: Lucas Belvaux. Elenco: Ornella Muti, François Morel, Catherine Frot, Lucas Belvaux, Dominique Blanc, Gilbert Melki. Nacionalidade: França/Bélgica, 2002.





“Nunca prestamos atenção às pessoas com quem nos cruzamos.” Esta é a pedra basilar de uma história que se conta em três partes. Três pontos de vista que acrescentam, cada um deles, novas peças de informação e nos permitem construir a história cruzada de três casais.


Cécile (Ornella Muti) é casada com Alain (François Morel) e desconfia que ele tem outra mulher. Para o investigar contrata Pascal (Gilbert Melki), um detective casado com a sua colega de trabalho Agnès (Domique Blanc). Bruno (Lucas Belvaux), preso por actos de terrorismo, foge da prisão, tentando retomar a colaboração de Jeanne (Catherine Frot), uma antiga companheira, e contando com a ajuda de Agnès na sua fuga às autoridades. Pascal e Agnès vivem uma relação de dependência que é posta à prova quando Pascal se torna vítima de chantagem.


Todas as histórias são paralelas e não sequenciais, o que faz com que cada filme possa ser visto independentemente. Cada um concentra-se nas suas personagens principais. Mas, o que acontece às personagens secundárias com que se cruzam? Quais as suas motivações? O que farão quando saiem de cena? Os outros dois filmes dão-nos essas respostas.


Existe uma ordem sugerida: Um Casal Encantador, Em Fuga, Depois da Vida, que, por experiência própria, parece-me irrelevante. O segundo filme (seja ele qual for) permite-nos entender muitos pormenores do primeiro, e o terceiro acaba por ter o efeito de revelação final. Sugiro que os vejam com poucos dias de diferença. Vê-los todos de seguida pode quebrar a parcialidade que se pretende de cada um, criando uma fusão das histórias. Vê-los muito espaçados pode cortar o efeito de complementaridade, se a memória não estiver bem exercitada.


Lucas Belvaux faz questão de marcar a diferença através do estilo: uma comédia (O Casal Encantador), um thriller (Em Fuga) e um drama (Depois da Vida), cada um filmado com as suas cores e o seu ritmo. É curioso observar como uma mesma frase pode mudar de acepção consoante o contexto onde se insere.


Lucas Belvaux consegue aqui assinar um manifesto de defesa das personagens secundárias, que são sempre mais do que aquilo que nos permite vislumbrar o protagonismo das principais. Este ponto de vista é defendido com três histórias que podiam ser milhares, aquelas cuja história fica sempre por contar. Caberá, uma vez mais, ao espectador preencher os espaços em branco.



















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