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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Girl With a Pearl Earring ***

10.08.04, Rita

Realização: Peter Webber. Elenco: Scarlett Johansson, Colin Firth, Tom Wilkinson. Nacionalidade: EUA, 2003.





O que há por detrás de um quadro? Tracy Chevalier tentou responder a esta pergunta no seu romance Rapariga Com Brinco de Pérola, sobre o célebre quadro do pintor holandês Johannes Vermeer, que serve de base a este filme. Numa história romanceada, a crise criativa de Johannes Vermeer (Colin Firth) é superada pelo aparecimento de uma musa na pele de uma pobre empregada, Griet (Scarlett Johansson). A sua inocência e o seu intuitivo entendimento da pintura seduzem Vermeer e impulsionam o seu trabalho. Ao contrário das motivações materialistas com que normalmente cria, quer pelas exigências do seu patrono quer para garantir o sustento da sua família.


Em Griet, Vermeer encontra a receptividade da ignorância curiosa, quer para os seus conhecimentos quer para os seus sentimentos. Paradoxalmente, Griet acaba por ficar imortalizada numa pintura onde a sua beleza é realçada pelo elemento que mais destoa da sua condição: uma jóia. Há como que um acto de poluição da pureza e da humildade de Griet através desse brinco.


A fotografia do português Eduardo Serra, justamente nomeado para o Oscar e injustamente afastado dele, é ela própria pintura. A luz estudada, a textura das imagens, tudo nos reporta às pinceladas suaves das tintas espessas que Griet ajuda Vermeer a misturar no seu atelier. A investigação e o trabalho de reconstrução histórica da Delft holandesa do séc. XVII, evidenciado nos cenários e no guarda-roupa, são de um cuidado e detalhe extremos.


Scarlett Johansson, com a sua beleza harmoniosa e fria e um olhar que substitui as palavras mais eloquentes, tem aqui uma vez mais uma representação que nos reporta aos grandes clássicos da Sétima Arte. Colin Firth surge assim abafado pelo talento em explosão desta jovem actriz e a sua presença não é mais do que um apoio para que ela brilhe em cada cena.


A realização é preocupada e atenciosa, os planos estudados e escolhidos com perfeccionismo. Daí que choque tanto a falha de, numa mesma cena, Griet aparecer com duas toucas diferentes sem ter tido obviamente tempo de as trocar entre duas frases. Por sorte a Scarlett Johansson era a mesma: irrepreensível.


Há ainda que referir o aspecto didático sobre a técnica de Vermeer, que é desconstruída passo a passo, evidenciando o processo de criação e execução até à obra final, que surge aqui impregnada da mística de um amor ilícito e sacrificial.
















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