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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Shattered Glass: Verdade ou Mentira ***

11.08.04, Rita

Argumento e Realização: Billy Ray. Elenco: Hayden Christensen, Peter Sarsgaard, Chloë Sevigny, Hank Azaria, Steve Zahn. Nacionalidade: USA / Canadá, 2003.





“Estás zangado comigo?”, pergunta Stephen Glass (Hayden Christensen), um jovem jornalista de 25 anos. Como uma criança que fez um disparate, pede desculpa num olhar inocente. Neste caso, o disparate consiste em pelo menos 27 artigos de um total de 41, que, durante três anos, foram total ou parcialmente fabricados. Em consequência, em 1998, foi despedido do The New Republic, uma reputada revista de opinião que, de um dia para o outro, estava a publicar ficção.


Tal como a fraude cometida por Jayson Blair contra o New York Times, esta história faz-nos questionar como é possível um miúdo enganar uma publicação de qualidade internacional. Glass fê-lo, com histórias originais e contundentes, grangeando a admiração e o respeito dos seus pares. Apelou ao charme e tirou partido do seu poder de observação para cativar o afecto dos colegas. Colocando-se constantemente no papel de vítima, consegue manipular tudo e todos. E não podemos deixar de, em dada altura, esperar que toda a sua ficção acabe por salvá-lo, porque também nós fomos enredados nessa sedutora imagem de menino indefeso.


Tudo começou a ruir quando Adam Penenberg (Steve Zahn), colaborador do jornal electrónico Forbes Digital Tool, tenta seguir os factos relatados numa das suas histórias e só consegue encontrar lacunas e inconsistências. Chuck Lane (Peter Sarsgaard), o editor da revista, começa a desconfiar que aquele não é um caso isolado. Os telhados de vidro estilhaçam-se.


Hayden Christensen, no caminho do amadurecimento, tem aqui o seu primeiro papel de relevo, depois da passagem sofrível pelo Star Wars Episódio II - O Ataque dos Clones, transmitindo o carácter perturbado de Glass, numa linha ténue entre a fragilidade e ternura, e a mitomania compulsiva e maquiavélica. Neste desempenho é auxiliado por um contido Peter Sarsgaard, e uma versátil, mas sub-aproveitada, Chloë Sevigny (colegas em Os Rapazes Não Choram, de Kimberly Peirce).


Com base no artigo de Buzz Bissinger na Vanity Fair, Billy Ray constrói um filme que nos permite ir descobrindo as diversas falhas no rapaz perfeito, tal como se vão descobrindo os erros da reportagem perfeita. É assustador pensar no poder que a informação tem, e nas consequências a que a manipulação da mesma pode levar. Resta-nos esperar que num misto de ética, rectidão e curiosidade, haja sempre alguém que nos salve de desmedidas ambições particulares.





CITAÇÕES:


“- I'm really sorry.
- I wish you would stop saying that!”
HAYDEN CHRISTENSEN (Stephen Glass) e PETER SARSGAARD (Chuck Lane)


“Are you mad at me?”
HAYDEN CHRISTENSEN (Stephen Glass)



















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