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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Sonny ***

23.08.04, Rita

Realização: Nicolas Cage. Elenco: James Franco, Brenda Blethyn, Mena Suvari, Harry Dean Stanton. Nacionalidade: EUA, 2002.





Assim que soube que Nicolas Cage estava a realizar o seu primeiro filme, coloquei-o na minha lista “a ver”. Talvez pensasse que a sua vasta e ecléctica experiência como actor pudesse ser uma mais-valia quando colocada do outro lado da câmara. De facto, o ponto forte deste filme reside exactamente nos actores e na sua direcção. Cage fez uma opção inteligente, porque segura, num argumento que depende essencialmente do desempenho de exímios profissionais.


É a história revisitada de um rebelde sem causa (James Franco, que já antes interpretou o próprio James Dean), cujo complexo de Édipo é constantemente usado contra ele por parte de uma mãe subtilmente possessiva (Brenda Blethyn). A causa para romper com o seu instituído modus vivendi, neste caso de prostituto, acaba por ser o amor (não é sempre?) por uma colega de profissão (Mena Suvari).


Curiosamente, o melhor momento do filme é aquele em que aparece o Cage-actor, no personagem de Acid Yellow, um dealer surreal entre o Liberace e o Austin Powers. Uma pequena alucinação que me reportou directamente ao filme “Delírio em Las Vegas”, de Terry Gilliam, um outro actor-feito-realizador (passo a comparação para benefício deste último).


Num acto quase egoísta, Cage fica com este doce para si, deixando o amargo desenrolar da história para os restantes actores. Todos eles, sem excepção, de uma solidez inatacável: Sonny/Franco, nos dilemas de amor dividido entre as necessidades da mãe, de Carol, e si próprio; Jewel/Blethyn, presa a uma vida que tomou todas as decisões por ela, até a do destino do filho; Carol/Suvari, a única que toma decisões, ainda que contra a sua própria felicidade; e Henry/Dean Stanton, o paradigma da generosidade.


No todo, não me senti defraudada por esta primeira experiência do sobrinho de Coppola, mas há ainda um longo caminho a percorrer. Um caminho que tem de implicar riscos. E isso não significa necessariamente usar o cinema para chocar, querendo ser moderno e mostrar sexo com a facilidade com que se lê um jornal. Se quer ganhar espectadores, Cage tem de respeitar a sua/nossa inteligência.


O meu conselho é que aproveite uma próxima reunião de família para conversar e trocar ideias com a prima Sofia. Dando o benefício da dúvida, e porque o Cage-actor ainda exerce algum efeito sobre o meu discernimento, fico à espera do próximo desafio do Cage-realizador.
















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