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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Before Sunset ****

28.09.04, Rita

Realização: Richard Linklater. Elenco: Ethan Hawke, Julie Delpy. Nacionalidade: EUA, 2004.





Talvez não seja essencial ter visto “Antes do Amanhecer” (“Before Sunrise”) para entender esta sequela, até porque no início do filme temos alguns flashbacks. Mas é algo que aconselho vivamente se quiserem apreciá-lo em detalhe.


Eu sou dos tais cínicos que acreditava que Jesse (Hawke) e Celine (Delpy) nunca teriam voltado a encontrar-se. Mas Linklater deu-lhes nova oportunidade, depois de um final de dia em Viena há nove anos atrás. Agora é Paris. Jesse escreveu um livro baseado na história de ambos e está a promovê-lo pela Europa. Celine leu-o e soube pelo jornal que ele estaria na sua livraria preferida.


Este filme desenrola-se em tempo real e a única acção a que temos direito é um passeio pelas ruas parisienses e pelo Sena. A abordagem do filme-diálogo é aqui levada ao extremo e com inteligente mestria, plena de humor e sentido do ridículo, ou seja, o cerne das relações humanas.


Talvez por serem co-argumentistas Hawke e Delpy são de uma naturalidade impressionante. O diálogo flui, em sequências por vezes bastante longas. Parece que estamos de facto a assistir à conversa entre dois seres cúmplices e desencontrados que tentam recuperar em poucas horas uma história que apenas teve um começo. Essa urgência nota-se nos olhares, nas perguntas absurdamente íntimas e numa inegável química.


É difícil saber se os textos deste filme são efectivamente melhores ou se foi a reacção aos personagens que se alterou com o tempo. Também nós amadurecemos, e talvez no fundo me identifique tanto com eles agora como antes. Em contraponto ao flirt do primeiro filme, este centra-se sobretudo no arrependimento, na perda de ideais e de esperança. Lentamente vamos dando-nos conta da importância que aquela noite teve para ambos e do caos emocional das suas vidas.


Senti-me a mosca que sobrevoa as mesas do café ouvindo as conversas. Incomodamente, era como se escutasse as minhas conversas. Como se já tivesse ouvido, pelo menos pensado, tudo aquilo. Desta vez, tive ainda mais vontade de continuar com aqueles personagens e ouvir o que tinham para dizer um ao outro. Mas julgo que todos temos, em dada altura, que nos levantar da cadeira e fazer a nossa própria história.


O final abrupto pode ser visto como o despertar de um sonho. Mas desta vez quero acreditar que há a possibilidade, ainda que ínfima, de que a escolha do CD certo no momento certo possa ser decisiva na escolha entre a felicidade e uma viagem para o aeroporto.



CITAÇÕES:


“Memory is a good thing if you don't have to deal with the past.”
JULIE DELPY (Celine)


















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