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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Comme une Image ****

15.10.04, Rita

Realização: Agnès Jaoui. Elenco: Marilou Berry, Agnès Jaoui, Jean-Pierre Bacri, Laurent Grévill, Virginie Desarnauts, Keine Bouhiza, Grégoire Oestermann, Serge Riaboukine, Michèle Moretti. Nacionalidade: França / Itália / Reino Unido, 2004.





Ela (Berry) é uma jovem com uns quilos a mais, que tem aulas de canto, e vive preocupada com a imagem que os outros têm dela. Ele (Bacri) é um escritor reconhecido e é seu pai, e não faz qualquer caso do que os outros podem pensar dele. À sua volta existem amigos, conhecidos, família, colegas, namorados. Relações humanas, simples e complicadas.


Este é o sexto argumento que resulta da colaboração do casal Jaoui-Bacri e segunda realização de Jaoui, mostrando-nos que “O Gosto dos Outros” não foi um golpe de sorte, e justificando o merecido prémio de argumento este ano em Cannes.


O poder de observação dos homens e das mulheres e das suas relações é aqui completado com o poder de transcrição dessa observação para o cinema, permitindo reunir um mundo de sentimentos numa mão cheia de pessoas. Os diálogos são elaborados com inteligência e realismo, ainda que ridículos alguns deles, mas a vida também o é, por vezes. E é através de um humor incisivo que, tal como o título do filme, Jaoui-Bacri nos dão uma imagem do mundo, da sua complexidade, mas também da sua riqueza humana. Sob o tom de uma comédia de costumes, a crítica é bem menos ligeira do que aparenta.


A dificuldade de conseguir encontrar o nosso lugar, de o mantermos, de estar atento ao outro ao mesmo tempo que tentamos definir quem somos, a dificuldade de simultaneamente sermos feliz e fazer felizes quem amamos.


Os personagens são-nos mostrados sem julgamentos, sem condescendência, sem concessões, sem optimismo ou pessimismo. Hiper-realistas de humanidade, todos cativantes apesar dos seus defeitos: a baixeza, o oportunismo, a dominação, a submissão, a cobardia, o autismo. Contrastante com o altruísmo dos jovens do grupo de cantores amador, e da extrema dignidade do jovem árabe, cuja única falta é mudar o seu nome de Rachid para Sébastien. Do casting há que salientar Berry, que enche o ecrã com uma representação plena de nuances, de sonhos, de erros, de crescimento.


“Comme une Image” (“Olhem Para Mim”, em português), a imagem como elemento determinante da nossa posição na sociedade, seja em termos profissionais ou particulares. O peso da imagem (positiva ou negativa) que os outros têm de nós como condicionante dos sentimentos que nos dirigem, das palavras ou dos silêncios. E quantas vezes essa imagem é apenas isso: imaginação. Porque ouvir não é escutar e olhar não é ver.




CITAÇÕES:


“When I write, it's already musical. It's instinctive: you have to find the right words, like expressions that suit you. Storytelling and music share a sense of rhythm.”
AGNÈS JAOUI, em Cannes 2004


















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