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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Memórias de uma Gueixa **

26.02.06, Rita

T.O.: Memoirs of a Geisha. Realização: Rob Marshall. Elenco: Zhang Ziyi, Ken Watanabe, Michelle Yeoh, Gong Li, Kaori Momoi, Tsai Chin, Cary-Hiroyuki Tagawa, Suzuka Ohgo. Nacionalidade: EUA, 2005.





Lamechas, aborrecido e previsível.

Na sala cheguei a pensar que a minha irritação se devia apenas a não me ter conseguido abstrair durante quase todo o filme da respiração incomodativa do senhor que se sentou ao meu lado. Mas agora, no silêncio, a má impressão permanece.


Eu já tinha visto o livro “Memórias de uma Gueixa” nas primeiras estantes das livrarias e nunca me senti seduzida por aquilo que me parecia uma leitura de Verão. Agora descubro que (ao contrário do que eu pensava quando estava a ver o filme), o autor é o americano Arthur Golden, que conta de ouvir dizer e que foi processado pela ex-gueixa de quem ele diz ter recolhido a informação para o livro. Este facto, aliado à produção Hollywoodesca de Rob Marshall (“Chicago”, 2002) justificam completamente a aura de falsidade que envolve este filme e que impede qualquer possibilidade de emoção.


Telegraficamente, “Memórias de uma Gueixa” conta a história de Chiyo (Suzuka Ohgo), a filha de um pobre pescador que, em 1929, é vendida para uma casa de gueixas (um género de animadoras sociais). A la Dickens ela é objecto da crueldade da gueixa mais importante da casa, Hatsumomo (Gong Li), que a vê como uma futura rival. É ainda na infância que um encontro com um gentil homem de negócios (Ken Watanabe) irá fazê-la decidir pela vida de gueixa. Já adolescente, Chiyo (Zhang Ziyi) é amadrinhada por Mameha (Michelle Yeoh), que a baptiza de Sayuri e que lhe ensina a arte, pelos seus próprios motivos pessoais.


As personagens não têm profundidade psicológica, não há conflitos dramáticos que captem o nosso interesse, os diálogos são pobres e ridículos (a metáfora sexual da cobra e da gruta ainda me causa arrepios), e tudo em inglês. Deus nos livre que os americanos tenham alguma vez de ver um filme com legendas!!! Mas também, num elenco de chineses, malaios e japoneses, talvez o inglês fosse de facto o denominador comum. (Mais um ponto a acrescentar a esta fantasia ocidental de uma Cinderela asiática: todos os orientais são iguais!) E vemos grande actores como Michelle Yeoh (“O Tigre e o Dragão”), Ken Watanabe (“Batman Begins”)e Gong Li (“A Tríade de Xangai”, “Hero”) castrados numa das suas ferramentas essenciais, a palavra. Quando à protagonista Zhang Ziyi (“Hero”, “O Segredo dos Punhais Voadores”, “2046”), de indiscutível beleza, tem ainda muito para aprender com no que a expressividade diz respeito, inclusivamente com a pequena Suzuka Ohgo que faz o papel de Chiyo na infância.


Mas há que dar a mão à palmatória, Rob Marshall percebe de sumptuosidade. Por isso junta a bela fotografia de Dion Beebe, o design de produção de John Myhre, o guarda-roupa de Colleen Atwood e a música de John Williams. Mas nem só de técnica se faz um filme. E, sem essência, isto é só cosmética, que na manhã seguinte está colada à almofada. Nada disto soa a verdade. É apenas uma bonita mentira, para quem quiser acreditar. Se ao menos mentisse melhor...


NOTA para quem for já a correr comprar este livro: é bastante provável a nova edição tenha já o poster do filme na capa. Tenham atenção e não comprem por engano “A Sombra do Vento” de Carlos Ruiz Záfon!






CITAÇÕES:


“Remember, Chiyo, geisha are not courtesans. And we are not wives. We sell our skills, not our bodies. We create another secret world, a place only of beauty. The very word "geisha" means artist and to be a geisha is to be judged as a moving work of art.”
MICHELLE YEOH (Mameha)

“It is not for geisha to want. It is not for geisha to feel. Geisha is an artist of the floating world. She dances, she sings. She entertains you, whatever you want. The rest is shadows, the rest is secret.”
ZHANG ZIYI (Sayuri)






















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