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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Personal Velocity **

08.11.04, Rita

Realização: Rebecca Miller. Elenco: Kyra Sedgwick, Parker Posey, Fairuza Balk. Nacionalidade: EUA, 2002.





“Personal Velocity”, o vencedor do grande prémio do júri de melhor filme na edição de 2002 do Festival de Cinema de Sundance, não é tanto um filme, mas mais um conjunto de três curtas que mergulha no drama da vida de três mulheres: Delia (Sedgwick), Greta (Posey) e Paula (Balk).


Três mulheres em encruzilhadas nas suas relações com os homens optam pela fuga. Após tentarem por demasiado tempo esconder a sua verdadeira essência, de se acomodarem a uma segurança que as protegia de ser quem eram verdadeiramente, acabam por, de uma forma algo tortuosa e sobretudo dura, encontrar o seu caminho. O relato de um acidente de viação une levemente os três capítulos. Mas o elemento verdadeiramente comum é o de revelação, de epifania, três pontos de viragem de três vidas completamente distintas.


Delia usa o sexo como arma, até ao dia em que se apaixona e acaba por perder o controlo da sua própria vida. Ao decidir fugir do marido que a agride dá-se conta de que não tem para onde ir.


Greta debate-se entre a sua ambição recalcada pela influência de um pai bem sucedido e o amor ao marido e à sua simplicidade. Um sentimento que se vai perdendo, à medida que o seu sucesso profissional cresce e que a faz detestar-se a si própria.


Por sua vez, Paula vê a fé na sua relação abalada ao descobrir que está grávida. A sua ligação directa ao acidente acaba por impulsioná-la a uma viagem de descoberta.


Todos os momentos de mudança radical são momentos de dor. Seja por nos darmos conta dos erros, seja por compreendermos que temos um caminho a fazer. Escolher implica sempre abdicar. E muitas vezes, ver à nossa frente a estrada que nos espera pode ser quase tão assustador como caminhar de olhos vendados. Porque ainda que saibamos qual é direcção que devemos seguir, nada nos é assegurado, nem a felicidade nem a ausência de novas dores.


Miller faz uma abordagem muito pessoal e intimista das suas personagens, sem cair numa alegoria, e é evidente que as conhece muito bem. O livro que serve de base ao filme é também da autoria de Miller. Felizmente, para nós, ver um filme não é ler (o que beneficia ambas as actividades). Infelizmente, para Miller, isso também é verdade. O excesso de narração deixa muito pouco à representação de três actrizes com inquestionáveis capacidades, mesmo com o pouco que lhes é dado fazer. Já para não falar no uso abusivo da “theme song” da primeira sequência, que insiste em reforçar ad nauseum o carácter da personagem anteriormente “dissecado” pelo narrador.


“Personal Velocity” é um livro visual em três capítulos, lido por John Ventimiglia. Acho que preferia ter ficado no meu sofá a lê-lo.




CITAÇÕES:


“Everyone has their own personal velocity.”
GRETA’S FATHER

“I used to write. Then I used to paint. I think I'm going to be one of those people with a lot of potential who never really takes off.”
FAIRUZA BALK (Paula)





















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