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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Sky Captain and the World of Tomorrow ***

09.11.04, Rita

Realização: Kerry Conran. Elenco: Jude Law, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie, Giovanni Ribisi, Michael Gambon. Bai Ling, Omid Djalili, Sir Laurence Olivier. Nacionalidade: EUA / Reino Unido / Itália, 2004.





Houve duas razões que me levaram a ver este filme: primeiro, a paixão descontrolada que nutro por Jude Law desde “Wilde” (1997), de Brian Gilbert; segundo, a paixão descontrolada que nutro por Angelina Jolie desde “Playing by Heart” (1998), de Willard Carrol.


Não esperava um filme que mudasse a minha vida e me fizesse pensar sobre todas as questões metafísicas que movem o ser humano. Queria apenas divertir-me. E, enquanto não chega a próxima comédia de Law, Alfie, de Charles Sayer, esta pareceu-me uma opção refrescante.


Confesso que tenho uma fraqueza por tudo o que é belo. Chamem-me superficial, mas o trabalho de imagem digital deste filme encheu-me as medidas. Tal como o “Immortel (ad vitam)”, de Enki Bilal, todos os cenários de “Sky Captain” são gerados por computador. Além dos actores, apenas os objectos nos quais eles tocam de facto existem.


“Sky Captain” começou a tomar vida há cerca de uma década atrás, no computador de Conran. O resultado foi uma abordagem imaginativa de uma era inexistente: uma mistura de futuro de ficção com o visual retro dos anos 30. Uma homenagem ao cinema, patente desde logo na sequência da projecção do “Feiticeiro de Oz” num Radio City Music Hall virtual, varre todo o filme, com alusões nostálgicas a uma época em que as comédias românticas e os filmes de aventura viviam de um leve humor e ingenuidade.


“Sky Captain” tem um trabalho de argumento bastante fraco e inconsistente. Um ataque surpresa a Nova Iorque perpetrado por máquinas gigantes. Sky Captain (Law) é chamado como último recurso sempre que existem ameaças à segurança. A sua ex-namorada Polly Perkins (Paltrow) descobre o furo do século ao seguir a história do desaparecimento de diversos cientistas. O dissentido casal descobre um plano de domínio mundial desenhado por um louco (representado por Sir Laurence Olivier, “ressuscitado” pela mágica incorporação de imagens de arquivo) e decidem salvar o mundo. Nada de mais.


Somos confrontados com um universo que não nos é explicado, através de personagens muito pouco trabalhados, e levados por uma história básica, cujo desenvolvimento é quase irrelevante, porque estamos demasiado atentos a absorver todos os detalhes visuais de luz e sombras, cores pastel esbatidas como fotografias velhas, e, claro, Law e Jolie.


Paltrow parece uma Veronica Lake, Law oscila entre Errol Flynn e Douglas Fairbanks. Mas Jolie (no papel de Franky Cook) tem uma força que quase ofusca a personagem de Law, ao mesmo tempo que a sua mística feminina obnubila Paltrow. Se lhe tivessem dado mais um pouco de tempo este filme poder-se-ia chamar Franky Cook and the World of Tomorrow.


Tudo bem, não é um grande filme, mas é uma experiência visual no mínimo: (1) assustadora, se pensarmos nas consequências que podem advir para a indústria cinematográfica se este tipo de produção virar moda (esqueçam os figurantes e os astronómicos custos de produção); (2) e bela, se nos deixarmos levar pelos estímulos visuais e admitirmos a grande ilusão que é o cinema.




CITAÇÕES:


“It’s only a movie Mr.Paley. I’ll bring you some popcorn.”
GWYNETH PALTROW (Polly Perkins)

“- Polly... you...
- It's all right. You don't need to say anything.
- Lenscap.”
JUDE LAY (Joe “Sky Captain” Sullivan) e GWYNETH PALTROW (Polly Perkins)























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