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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

HEDWIG - A ORIGEM DO AMOR ****

10.11.04, Rita

T.O.: Hedwig and The Angry inch. Realização: John Cameron Mitchell. Elenco: John Cameron Mitchell, Michael Pitt, Miriam Shor, Stephen Trask. Nacionalidade: EUA, 2001.





“An anatomically incorrect rock odyssey”, assim diz o tagline deste filme.


Hedwig foi um projecto que começou em 1994, quando John Cameron Mitchell e Stephen Trask decidiram criar um concerto à volta da história. O formato concerto não vingou e decidiram assim lançar a obra como um espectáculo teatral. Decidiram assim comprar o Hotel Riverview, transformando-o no Jane Street Theatre. Aí se representou a peça durante alguns anos, conseguindo ser um enorme sucesso off-Broadway. A passagem para filme foi o passo seguinte.



Ladies and gentlemen…
Whether you like it or not…
HEDWIG!

É a história de Hansel ‘Hedwig’ Schmidt, uma deusa nascida na Alemanha de Leste, ignorada no mundo do rock, e vítima de uma operação de mudança de sexo que lhe deixou apenas uma “angry inch”.


Num formato de musical cruzado com comédia e algumas cenas de animação, Hedwig faz desfilar a sua odisseia desde o início, quando conhece um soldado americano que lhe promete a saída da sua terra natal para os Estados Unidos, e o/a convence a mudar de sexo. Após a problemática operação, que não retirou por completo o membro e deixou Hedwig a sangrar (“My first day as a woman and already it’s that time of the month…”), o soldado americano abandona-a num parque de roulottes no Kansas.


Aí, ela dedica-se à música e começa a trabalhar como ama numa casa onde conhece Tommy Speck, um jovem de 18 anos, por quem se apaixona. Mais uma vez, Hedwig é abandonada, mas agora o seu companheiro leva consigo um espólio de canções compostas pelos dois, e que o transformam na estrela rock Tommy Gnosis.


Ferida no orgulho e no amor, Hedwig persegue a tournée do seu ex-companheiro, actuando em restaurantes de fast-food nas proximidades dos grandes pavilhões esgotados para ouvir Tommy Gnosis.


A beleza visual, as canções lindíssimas e um argumento repleto de bons momentos de humor são só por si excelentes razões para ver este filme. Mas os desempenhos de John Cameron Mitchell e de Miriam Shor são de facto dignos de nota especial, pela especialmente bem escolhida ambiguidade sexual no que respeita à atribuição dos papéis.


A história de Hedwig é uma luta pela coragem para vencer um amor que o persegue (ou será o inverso?), e no fundo a tentativa de encontrar alguma felicidade. O final em aberto permite as mais diversas interpretações, mas não deixa de ser uma história inspiradora para todos aqueles a quem a vida deu apenas uma polegada quando mereciam realmente uma milha.


O prazer quase masoquista de Hedwig ao tocar junto aos palcos de Tommy Gnosis retrata não só a dor, mas a incapacidade para deixar fugir alguém que ama. Será esta incapacidade uma coisa má? Não me parece; a coragem de Hedwig contrasta claramente com a fraqueza e infantilidade de Tommy Gnosis, e é assim que, na minha opinião, mais forte se torna quem ama e é de facto capaz de exercer esse amor.


Além disso, a beleza do amor perde a sexualidade e adquire uma dimensão quase metafísica. Tudo isto num cenário de glamour e cheio de maquilhagem e rock.


Algumas notas sobre a banda sonora:


Inspirado pelo glam e punk rock, Stephen Trask compôs belíssimas canções, que contam a história de Hedwig de forma brilhante. Para além de “Tear me down”, “Angry Inch” e “Wig in a box” (o momento mais vaudeville), destaco dois momentos no filme:


- Origin of Love, em que se recupera o mito d’O Banquete de Platão sobre a génese do amor, e em que a sequência de animação é brilhante. A letra está muito bem conseguida e a nível de composição, o tema talvez seja o que mais se aproxima da linguagem de Bowie no período 1972-75;


- Midnight Radio, em que Miriam Shor se revela como mulher, surpreendendo todos que não o sabiam. Ups… Espero não vos estragar a surpresa :)




por Luís




CITAÇÕES:


Hansel's Mom : “To be free, one must give up a part of oneself.”


Hedwig: “The road is my home. In reflecting upon the people whom I have come upon in my travels, I cannot help but think of the people who have come upon me. Tommy, can you hear me? From this milkless tit you have sucked the very business we call show!”


Hedwig: “Remember kids, don't buy drugs....become a pop star and they give them to you for free.”









































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