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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Melinda and Melinda ****

07.01.05, Rita

Realização: Woody Allen. Elenco: Will Ferrell, Radha Mitchell, Chloë Sevigny, Chiwetel Ejiofor, Jonny Lee Miller, Brooke Smith, Amanda Peet, Shalom Harlow. Nacionalidade: USA, 2004.





Em Nova Iorque, num jantar de amigos dois autores de teatro discutem se a existência humana é intrinsecamente trágica ou cómica. O episódio de Melinda (Mitchell), uma jovem que interrompe um jantar mundano, dá origem a que eles desenvolvam duas histórias paralelas, que evoluem de forma distinta consoante o género defendido. A comédia romântica e o drama juntam-se neste filme, onde se explora a fragilidade do amor, a infidelidade, o romance, a erosão dos sentimentos e a incapacidade de comunicar.


“Melinda e Melinda” é um dos mais interessantes filmes de Woody Allen dos últimos anos, talvez o melhor desde “Sweet and Lowdown” (1999). No entanto, e apesar de obras menores como “Anything Else” ou “Hollywood Ending”, Allen tem ainda o mérito de conseguir reunir à sua volta um fantástico elenco.


Rhada Mitchell, normalmente relegada para papéis secundários (pode ser vista como esposa de Johnny Depp em “Finding Neverland”), dá mostras de uma grande capacidade interpretativa ao desempenhar um mesmo personagem de duas formas opostas: uma, depressiva, cínica e temperamental; outra, apaixonada, emotiva e lutadora.


Inquestionáveis, são Chloë Sevigny, Chiwitel Ejiofor e Amanda Peet. Novamente, Allen abdica de representar, mas o seu alter ego continua presente. Em “Anything Else” tinha sido Jason Biggs, agora é Will Ferrell, que mistura equilibradamente um pouco do que Allen teria feito há uns anos atrás como actor com uma bem treinada veia cómica.


Durante o filme, somos levados a saltar de uma narrativa que se supõe mais séria para outra mais divertida, onde o único elemento comum é Melinda. Ou melhor, o nome do personagem e a actriz que o interpreta são os mesmos. Porque, de facto, são duas histórias completamente distintas.


Não vale a pena ter a tentação de fazer paralelismos entre os restantes personagens ou as relações entre eles, como se fosse a mesma história desde dois pontos de vista. Não é disso que se trata, mas de um mesmo ponto de partida e de alguns elementos (amor, traição, conquista) que, sendo comuns, podem ser cómicos ou trágicos, dependendo do lado da barricada em que estamos.


O verdadeiro desafio deste filme é conseguir definir qual de facto é a abordagem cómica ou a trágica. Até porque, no mesmo segmento, misturam-se os dois tipos de elementos. A comédia é mais divertida se tiver uma ponta de desapontamento, e a tragédia tem muitas vezes algo de ridículo. O próprio Allen admite que a possibilidade de tratar o mesmo assunto destas duas formas é uma das questões recorrentes em grande parte dos seus filmes e que normalmente opta por tratá-las de uma forma cómica. Aqui ele tentou dar uma oportunidade à tragédia.


O mecanismo de defesa do ser humano para a dor é, muitas vezes, rir. É uma reacção quase instintiva: nas anedotas rimo-nos da desgraça alheia; com os palhaços, das quedas. Allen oferece-nos aqui uma perspectiva global sobre o tragi-cómico drama da condição humana.



P.S. - Este filme só estreará nos Estados Unidos em Março de 2005. Espanha teve-o em Novembro de 2004, o Reino Unido em Dezembro. A distribuidora Fox Searchlight impediu-o, assim, de ter a possibilidade de alcançar quaisquer nomeações aos Oscar.






CITAÇÕES:


“He's despondent, he's desperate, he's suicidal. All the comic elements are in place.”

























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