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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Aviator ****

09.02.05, Rita

Realização: Martin Scorsese. Elenco: Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, Kate Beckinsale, John C. Reilly, Alec Baldwin, Alan Alda, Ian Holm, Danny Huston, Gwen Stefani, Jude Law, Adam Scott, Matt Ross, Kelli Garner, Frances Conroy, Brent Spiner. Nacionalidade: EUA / Japão / Alemanha, 2004.





O Aviador é o excêntrico milionário industrial Howard Hughes (DiCaprio). Herdeiro de uma empresa de ferramentas petrolíferas, muda-se para Hollywood, onde a sua fama oscila entre os filmes que realiza e produz – por exemplo, Hell’s Angels (1930) e Scarface (1932) – e o seu envolvimento quase compulsivo com diversas das mais belas mulheres do cinema – Katharine Hupburn (Blanchett) e Ava Gardner (Beckinsdale) são apenas duas. Mas, situado entre os anos 1920s e os 1940s, o filme centra-se sobretudo no seu fascínio pela aviação, à qual dedica boa parte da sua fortuna, do seu tempo e da sua sanidade mental; e à sua luta contra as suas debilidades físicas como a surdez e as fobias relacionadas com a limpeza, incutidas desde cedo por uma mãe super-protectora, e culminando num comportamento obsessivo-compulsivo que o levou ao isolamento.


Eu não sou de blockbusters, mas tenho que dar o braço a torcer: O Aviador é um bom filme. Primeiro, porque Scorsese é um realizador de detalhes, um bom contador de histórias e um exímio director de actores. Segundo, porque tem uma riqueza visual e um ritmo quase musical entre o excesso da fama e o excesso da demência. Terceiro, por que é um biopic, apesar do meu desconhecimento quase completo do Howard Hughes real. Talvez seja por isso que vem o quarto, a história da ascensão e queda de um homem que hipotecou tudo por uma paixão. Quinto, a qualidade extrema do elenco.


Este é o melhor filme de DiCaprio, sem dúvida. Mas o estigma do “menino bonito” ainda lá está. Ao contrário de Johnny Depp, que conseguiu distanciar-se da sua beleza através de uma criteriosa escolha de papéis, DiCaprio tem sido menos ambicioso e arriscado, o que, pelo que vemos em O Aviador é uma pena, porque o potencial existe. Fiquei satisfeita por me ter conseguido abstrair do actor (e do preconceito) em boa parte do filme, em especial durante os momentos mentalmente mais perturbados de Hughes. Por favor, um dia destes alguém dê a DiCaprio um papel de psicopata!


O seu trabalho de representação é tanto mais impressionante quando consideramos que acompanha a bom passo a impressionante qualidade do restante elenco: desde uma corrosiva e sarcástica Katharine Hepburn, a uma Ava Gardner matadora, desde um implacável Juan Trippe (Baldwin) a um sensível Noah Dietrich (Reilly), desde um detestável Senador Brewster (Alda) a um delicioso Professor Fitz (Holm).


Se há algo mais fascinante que ver o glamour das estrelas, é acompanhar, com a indecente intimidade que apenas o cinema permite, o longo e tortuoso caminho até ao lado mais assustador do sonho – a loucura. O Aviador dá-nos isso com um equilíbrio, uma dignidade e uma consistência extremas.


No meu cepticismo, creio que o talentoso trabalho de Scorsese continuará a passar ao lado do prémio da academia. Felizmente, o público é bem mais inteligente que isso.






CITAÇÕES:


“LEONARDO DiCAPRIO (Howard Hughes) - You feel like a little adventure?
CATE BLANCHET (Katharine Hepburn) - Do your worst, Mr. Hughes.”

“LEONARDO DiCAPRIO (Howard Hughes) - Do you know those men? Do they work for me?
JOHN C. REILLY (Noah Dietrich) - Everybody works for you, Howard.”

“When I grow up, I will fly planes, make movies, and be the richest man in the world.”
LEONARDO DiCAPRIO (Howard Hughes)




















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