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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

United States of Leland ****

11.02.05, Rita

Realização: Matthew Ryan Hoge. Elenco: Ryan Gosling, Don Cheadle, Chris Klein, Jena Malone, Lena Olin, Kevin Spacey, Michelle Williams, Martin Donovan, Ann Magnuson, Kerry Washington, Sherilyn Fenn, Matt Malloy, Michael Welch. Nacionalidade: EUA, 2003.





Leland (Gosling) acompanha Ryan (Welch), um jovem mentalmente retardado, até casa. Deveria ter sido Becky (Malone), irmã de Ryan e ex-namorada de Leland, a fazê-lo. No caminho para casa, Leland acaba por esfaquear Ryan até à morte. O crime envia-o para um centro de detenção, enquanto aguarda julgamento, ao mesmo tempo que envia Becky de volta ao seu fornecedor de heroína.


De regresso a casa, Leland apenas diz à sua mãe (Olin): “Acho que cometi um erro...”. A partir daqui todo o filme gira em torno da tentativa de entender esta tragédia, e de cada personagem enfrentar as consequências desta perda. No fundo, cada um deles, começando por Leland, terá que assumir a responsabilidade pelos seus actos. Esse processo começa na relação que Leland estabelece com o professor Pearl Madison (Cheadle) na prisão.


Na sua maneira calada e pensativa, Leland tem uma forma peculiar de ver o mundo, e a tentativa de Madison entender os motivos enigmáticos que o levaram a matar Ryan acaba por conduzir Madison a enfrentar as suas próprias decisões. Mas Madison é também um escritor frustrado e Leland é o material perfeito para o livro que ele sonha escrever.


O ambiente é de uma opressiva tristeza, uma distância emocional que apenas parece ser possível encurtar através de atitudes desesperadas. Por tudo isto, este não é um filme fácil, antes pelo contrário. As representações são extremamente contidas, nos actos e nas palavras. Felizmente, o elenco tem a qualidade expressiva necessária para nos transmitir todo o desespero que vivem interiormente, com um destaque especial para Gosling.


Lena Olin é poderosa no seu silêncio depressivo. E Spacey, no papel de Albert Fitzgerald, o pai ausente de Leland e um escritor de sucesso, frio e execrável, é tremendo, em especial na sequência em que discute com Cheadle sobre Leland.


O trabalho de realização de Hoge é detalhista, denotando a sua anterior experiência como professor num centro de detenção juvenil, sobretudo no que se refere à cumplicidade e camaradagem que subtilmente se desenvolve entre os detidos. O ponto fraco do argumento é a relação adúltera de Madison, desnecessária e sem um sentido claro.


United States of Leland é um país onde a felicidade é possível, onde a sociedade não é gratuitamente cruel. Esta é uma história de desafectos e solidão, da destruição infligida pelas pessoas umas às outras. É um filme melancólico sobre a dor da adolescência, vivida em silêncio e eternamente incompreendida.






CITAÇÕES:


“You want a why. Well, maybe there isn't one. Maybe... Maybe this is just something that happened.” RYAN GOSLING (Leland)


“TV Reporter: Why did you do it, Leland? RYAN GOSLING (Leland): Because of the sadness. TV Reporter: What sadness? Whose sadness? RYAN GOSLING (Leland): Your sadness.”


“DON CHEADLE (Pearl Madison): I'm only human. RYAN GOSLING (Leland): How come people only say that when they've done something wrong?”






















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