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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Birth - O Mistério **

29.03.05, Rita

Realização: Jonathan Glazer. Elenco: Nicole Kidman, Cameron Bright, Danny Huston, Lauren Bacall, Alison Elliott, Arliss Howard, Michael Desautels, Anne Heche, Peter Stormare. Nacionalidade: EUA, 2004.





O conceito: o marido de Anna (Kidman) morreu enquanto fazia jogging em Central Park. Passados 10 anos, Anna está noiva de Joseph (Huston). Na festa de aniversário da sua mãe, Eleonor (Bacall), um rapaz com o mesmo nome do seu marido, Sean (Bright), entra em sua casa afirmando ser o seu falecido marido e tentando convencê-la a não casar e a acreditar na sua palavra. Anna vê os seus sentimentos pelo marido reavivarem-se à medida que o rapaz produz cada vez mais detalhes pessoais que só ele podia saber.


“Birth” é o exemplo de como uma boa ideia pode ser conduzida da forma errada.


Para começar, baseia-se em muitas cenas sem diálogo, inertes, que se pretendem intensas e cheias de significado, sobretudo os grandes planos de Kidman (consideravelmente prejudicada pelo novo visual). O efeito acaba apenas por ser um longo bocejo. As poucas palavras ditas, repetidas à exaustão, transmitem tanta emoção como um bloco de cimento (e este ainda pode ser visto como arte).


Para terminar, até ao final do filme esperamos um twist no argumento que nos prove que a primeira cena do filme não estragou tudo, ao desvendar o mistério. Pois, não existe nenhum mistério, a não ser o de como se consegue estragar uma boa premissa.


O ponto alto do filme é a cena inicial, com uma magnitude emocional ampliada pela música de Alexandre Desplat (“Girl With a Pearl Earring” de Peter Webber, 2003). A partir daí é um longo arrastar de subtilezas, que mais do que servirem para desafiar o pensamento do espectador, marcam a falta de coragem de um realizador.


O choque de classes é aflorado no contraste entre a família pobre donde vem Sean e a rica de Anna. A questão da maternidade está também subjacente, patente pela sua ausência nos relacionamentos de Anna, no facto da sua irmã só agora ter conseguido engravidar, e na atracção de Anna por este rapaz de 10 anos.


Das interpretações, fica-nos uma Bacall que enche o ecrã, uma Anne Heche subaproveitada e um Cameron Bright com algum potencial.


Da controvérsia da contracena de Kidman com Bright, com alusões sexuais, não há muito a dizer, dada a dormência de toda a história. O desejo não existe, e o amor reclamado, um pouco a exemplo de todo o filme, foi injectado com tanto botox que não tem expressão.



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