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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

House of the Flying Daggers ****

31.03.05, Rita

T.O.: Shi mian mai fu. Realização: Zhang Yimou. Elenco: Takeshi Kaneshiro, Andy Lau, Zhang Ziyi, Dandan Song. Nacionalidade: China / Hong Kong, 2004.





859 AD. Final da Dinastia Tang. Os polícias Jin (Kaneshiro) e Leo (Lau) montam um plano para capturar a líder do cada vez mais poderoso grupo de resistência Casa dos Punhais Voadores. Obtêm a informação de que uma das trabalhadoras de um “centro de ócio”, dirigido pela Madame Yee (Song), faz parte do grupo. A suspeita recai sobre Mei (Ziyi), uma bela dançarina cega, de sentidos apurados e excepcionais capacidades marciais. Jin faz-se passar por um cliente e depois de a salvar da prisão, inicia todos os esforços para ganhar a sua confiança, e assim conseguir o seu propósito. Mas durante a fuga, e apesar dos avisos de Leo, os sentimentos de Jin começam a ir para além do dever. Ou talvez não.


“House of the Flying Daggers” é um drama sentimental quase-Shakespeariano que, a cada momento, nos surpreende com uma nova forma de ver os personagens, entre jogos de traições cujos véus se vão levantando com o ritmo certo. A acompanhar os violentos sentimentos de amor e ódio, as cenas de acção são também elas carregadas de coreografias artisticamente irrepreensíveis.


A comparação com “Hero” (2002), o anterior filme de Yimou, é inevitável, mas enquanto o primeiro se baseava essencialmente na estilização para contar a história, este recai bastante mais nos personagens para construir o enredo e os momentos de tensão. Mais do que no anterior, as emoções e as acções são levadas ao extremo, em nome da política e em nome do amor.


O elemento comum reside, sobretudo, no aspecto visual do filme, cujo design de produção e guarda-roupa estiveram a cargo da mesma equipa de “Hero”, Huo Tingxiao e Emi Wada, respectivamente. A fotografia de Christopher Doyle foi substituída, sem qualquer perda de qualidade, pela de Zhao Xiaoding. Adicionando os soberbos efeitos especiais, fica completo este banquete cinematográfico, cheio de belíssimas imagens, de cores intensas e cenários impressionantes.


A falha deste filme, que arrecada a quinta estrela, prende-se com o não cumprimento da sua premissa inicial, ou seja, o confronto das forças governamentais com os dissidentes. Yimou preferiu claramente concentrar-se no conflito amoroso, deixando no ar o desfecho geral. Mais uma vez, a realidade global acaba apenas por ser o cenário dos dramas particulares.