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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

To Take A Wife **

25.04.05, Rita

Realização: Ronit e Shlomi Elkabetz. Elenco: Ronit Elkabetz, Simon Abkarian, Gilbert Melki, Sulika Kadosh, Dalia Malka Beger, Kobi Regev, Omer Moshkovitz, Yam Eitan. Nacionalidade: Israel / França, 2004.





Haifa. 1979. Depois de mais uma discussão, os sete irmãos de Viviane (Ronit Elkabetz) insistem para que ela se reconcilie com o marido, Eliyahu (Simon Abkarian). Afinal de contas, ele não lhe bate, dá-lhe o dinheiro que ganha e até sabe cozinhar. Viviane decide ficar, mas a sua face de profundo sofrimento permanece também. O aparecimento de um antigo amante, Albert (Gilbert Melki) lembra a Viviane os sonhos que ela deixou para trás por um compromisso que lhe parece vazio.


Este é um retrato claustrofóbico de um casamento onde o amor é o menor denominador comum. A união, fragilmente colada pela convenção social e pelo hábito, de duas pessoas que apenas partilham um background cultural e quatro filhos,.


Ao longo de três dias de preparação para o Shabbat, acompanhamos a espiral de desintegração desta família, marcada pelos frios diálogos de confronto entre Viviane e Eliyahu. Ela, emocionalmente desequilibrada, e num constante sofrimento pela ausência do amor que ambicionava. Ele, dedicado ao seu compromisso religioso semanal, onde tem o poder que lhe falta nos restantes campos da sua vida, inclusive em casa, onde se sente impotente para contrariar o constante papel de vítima de Viviane.


Os filhos são quase adereços, usados como armas, arremessados para um e outro lado como bolas de ténis, continuamente testados no amor que sentem por um e outro progenitor. Perdidos, silenciosos, chorosos, revoltados, tentando entender que forma estranha de amor é aquela que os rodeia. De vez em quando, existe um carinho, que soa apenas a uma afago na consciência dos seus pais. Mais do que indivíduos eles parecem ser apenas uma forma de provar que pelo menos algo de bom resultou daquela união.


E assim parece ter sido, porque este é um trabalho de amor. A aclamada actriz israelita Ronit Elkabetz (“Or (Mon Trésor)”, de Keren Yedaya, 2004) tem aqui a sua estreia na realização, acompanhada do irmão Shlomi Elkabetz numa história auto-biográfica que relata a união dos seus pais (Ronit Elkabetz desempenhando o papel da sua mãe).


“To Take A Wife” lembra um pouco “Tarnation”, de Jonathan Caoutte (2003). Mas ao contrário do primeiro, onde ao espectador é permitido entender a mãe e o filho, e por isso, todo o amor que os une, neste filme, entre tanto extremismo, resta pouca compaixão para com estes dois personagens e mais facilmente se entenderia a revolta dos filhos que este resultado.


Mas talvez também aqui as convenções tenham tido o seu papel. O distanciamento dos realizadores deveria ter sido maior, porque os olhos do amor não vêem exactamente o mesmo filme que os dos espectadores.















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