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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

À Tout de Suite **

26.04.05, Rita

Realização: Benoît Jacquot. Elenco: Isild Le Besco, Ouassini Embarek, Nicolas Duvauchelle, Laurence Cordier, Fotoni Kodoukaki. Nacionalidade: França, 2004.





Baseada em acontecimentos reais vividos por Elisabeth Fanger em 1975, “À Tout de Suite” conta a história de uma jovem parisiense de 19 anos (Isild Le Besco), uma liberal estudante de arte que se apaixona por um assaltante de bancos. O mau desfecho de um assalto põe-no em fuga, e ela decide acompanhá-lo através de Espanha, Marrocos e Grécia, até que um acto de traição a deixa sozinha para enfrentar o mundo.


Esta é uma obra estilizada, carregada de algo que se propõe ser erotismo. Mas nem a personagem de Isild Le Besco é sensual (apenas parece desesperada), nem o excesso de cenas de nu é justificado do ponto de vista da narrativa. Por outro lado, a personagem de Ouassini Embarek é tão pouca carismática que aquela atracção toda se torna questionável.


Poderíamos pensar que os seus comportamentos rebeldes teriam como efeito a revolta contra a família burguesa, mas ela raramente os confronta com os seus “pequenos crimes”. Além disso, como viagem de descoberta pessoal este relato deixa também muito a desejar, pois ficamos sem perceber quer as suas motivações quer as suas percepções.


A fotografia granulada e a preto e branco de Caroline Champetier, lembrando a Nouvelle Vague resulta bem e a composição com as imagens de arquivo acaba por ser o ponto mais interessante desta obra.


Mas Benoît Jacquot deixa demasiadas coisas por explicar: porque dorme a sua amiga lá em casa todas as noites?, porque é que a mãe é um personagem ausente?, qual o problema da relação com a irmã? São tudo lacunas que nos impedem de entender a personagem de Isild Le Besco. A partir de um momento deixamos sequer de tentar e é aí que este filme se torna verdadeiramente cansativo (suponho que também não ajudou ser a minha terceira sessão do dia).


E assistimos a tudo sem nos comovermos com a possível beleza ou tragédia desta versão pobre de “Bonnie and Clyde”. Era-me já indiferente se ela voltava ou não para casa, e uma parte de mim começou a desejar sinceramente que fossem apanhados pela polícia numa cena com muitos tiros.














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