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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Girl From Monday ***

27.04.05, Rita

Realização: Hal Hartley. Elenco: Bill Sage, Sabrina Lloyd, Tatiana Abracos, Leo Fitzpatrick, D.J. Mendel, James Urbaniak, Juliana Francis, James Stanley, Paul Urbanski. Nacionalidade: EUA, 2005.





“The Girl From Monday” é passado num futuro próximo, após a Grande Revolução que colocou a empresa Triple M (Multi-Media Monopoly) no poder, graças ao trabalho de uma agência de publicidade. As pessoas são bens. Cada um pode fazer um seguro da sua atracção sexual (um engate falhado pode levar às mesmas consequências que um choque na estrada), e o seu valor no mercado aumenta cada vez que fazem sexo. O sexo por prazer ou por amor é considerado reaccionário, assim como todas as acções que visam o bem-estar individual. Os que o fazem, os rebeldes, são pessoas sem crédito e com pouca capacidade de compra. O objectivo é contribuir para a sociedade de consumo e o lema a “ditadura do consumidor”. O cúmulo é promover a comercialização das operações ao coração (associadas a doenças e a idades avançadas) para quem as desejar fazer, sem serem necessárias razões médicas, tal como a cirurgia estética.


Neste mundo cai uma mulher sem nome (a modelo brasileira Tatiana Abracos), vinda da estrela 147X na constelação Monday, onde os seres fazem todos parte de um colectivo, não têm nomes, nem corpos, nem identidades. Ela é encontrada numa forma humana por Jack Bell (Bill Sage), que trabalha na agência de manhã mas à noite lidera secretamente um grupo contra-revolucionário. Os extraterrestres são comummente chamados de “imigrantes” e, ao contrário dos humanos não têm o código de barras que os identifica e lhes permite comprar. “A rapariga de Monday” procura um companheiro, que veio para a Terra anos atrás mas que não conseguiu regressar, fechado no seu corpo humano e ligado à terra pelo amor à raça humana.


Sendo uma sátira à sociedade actual, este filme não adopta esse tom. Não é pretensioso na sua abordagem e deixa ao espectador a liberdade de tirar as suas próprias conclusões. Filmado em vídeo digital, muda frequentemente para o preto e branco e a manipulação das imagens dá-nos uma percepção etérea da história e errática dos personagens. Mas Hartley cometeu o erro de abusar da técnica para prejuízo da história, que, em dado momento começa, a parecer um mostruário de tudo o que o digital permite fazer.


A ideia de sociedade fortemente consumista também não é efectivamente revolucionária, apesar de apresentar alguns pormenores interessantes. Mas a falha está na pouca substância dos personagens, e até os rebeldes parecem demasiado frios para quem faz as coisas por prazer.


Quem conhece Hartley, não ficará surpreendido. Quem não o conhece, tem, através desta parábola de ficção científica, uma forma agradável de entrar em contacto com o seu mundo de alienação.



P.S. – É curioso como os extraterrestres escolhem sempre corpos de modelos para assumir a forma humana. Nunca se parecem com o merceeiro da esquina ou com o senhor do talho. Talvez a distribuição das Maxmen e das GQ seja especialmente eficaz no espaço sideral...

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CITAÇÕES:


“Let's have sex and increase our buying power.”




















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