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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

North Country ***

14.03.06, Rita

Realização: Niki Caro. Elenco: Charlize Theron, Frances McDormand, Sean Bean, Woody Harrelson, Richard Jenkins, Sissy Spacek, Jeremy Renner, James Cada, Rusty Schwimmer, Linda Emond, Michelle Monaghan, Elle Peterson, Thomas Curtis. Nacionalidade: EUA, 2005.





“North Country”, realizado pela neo-zelandesa Niki Caro fica bastante aquém do seu belíssimo “Whale Rider” (2002). Baseado livremente no livro “Class Action: The Landmark Case That Changed Sexual Harassment Law”, “North Country” conta a história do primeiro caso em que foi ganho um caso de acção de classe contra uma empresa por assédio sexual. A personagem ficcional Josey Aimes (Charlize Theron) é uma mãe de dois filhos que deixa um marido violento para reconstruir a sua vida. A contragosto do seu pai (Richard Jenkins), Josey decide trabalhar para junto dele numa mina de ferro, um lugar onde, juntamente com outras mulheres, é sujeita às mais diversas humilhações, incluindo abusos psicológicos e físicos.


Josey cala-se porque precisa do emprego, mas quando um superior, Bobby Sharp (Jeremy Renner) vai longe demais, e após enfrentar o duro desprezo dos seus patrões, Josie decide processar a empresa. Josey é inspirada pelo caso de Anita Hill, cujo processo de acusação de Clarence Thomas por assédio sexual ocorreu em 1991.


O forte elenco, encabeçado por Charlize Theron, que nos agarra de tal forma que nos impede, durante o filme, de fazer qualquer avaliação imparcial (ainda assim bem menos forte que em “Monster”, 2003), inclui também uma sólida Frances McDormand, e um resgatado Richard Jenkins (visto ultimamente como o pai “morto” da família de “Sete Palmos de Terra”), um Sean Bean em novo registo, um competente Woody Harrelson e uma confirmada Michelle Monaghan (“Kiss Kiss, Bang Bang”, 2005).


Infelizmente, nem mesmo a recriação de belíssimas paisagens do Minessota salvam este filme dos clichés de tribunal que acabam por marcar o desenrolar da história. A vitimização de Josie Aimes é tal, no campo profissional e também pessoal, que surge como uma manipulação dramática.


Os homens (e também muitas mulheres) ressentem-se pela inclusão forçada de mulheres no seu domínio, e muitas mulheres acomodam-se pelo medo de perderem o pouco que conquistaram, como se estivessem de facto a receber algo acima do que lhes é devido. Mas este filme vai mais além, não se limitando ao processo de aceitação das mulheres num grupo de homens, mas também da aceitação de um indivíduo (Josey) por parte de outro (o seu pai).


Apesar do excessivo melodrama, e de alguma datação, “North Country” não deixa de abordar um tema que, infelizmente, ainda está presente na nossa sociedade, ainda que camuflado. E não me refiro essencialmente ao carácter sexual do acosso, mas à descriminação a que as mulheres ainda são sujeitas. E não só em termos profissionais. O argumento “nuts and sluts” apregoado pelos advogados de defesa em muitos destes casos contra as mulheres que ousam levantar a sua voz do rebanho, parece ainda ser válido em muitas mentes.





CITAÇÕES:


“You don't gotta come into work scared that one of these days you're gonna be raped,.”
CHARLIZE THERON (Josey Aimes)



















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