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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Ballad of Jack and Rose ***

23.06.05, Rita

Realização: Rebecca Miller. Elenco: Daniel Day-Lewis, Camilla Belle, Catherine Keener, Paul Dano, Ryan McDonald, Jena Malone, Beau Bridges, Jason Lee, Susanna Thompson. Nacionalidade: EUA, 2005.





1986. Jack (Day-Lewis) é engenheiro e vive com a filha de 16 anos, Rose (Belle), numa ilha deserta ao largo da costa Leste dos Estados Unidos. Eles são os que restam de uma antiga comuna hippie que defendia um maior respeito pelo meio envolvente, pela natureza e pelas pessoas, em detrimento dos bens materiais. Mas Jack está a morrer e sabe que Rose não tem mais ninguém no mundo. Decide por isso convidar Kathleen (Keener) uma sua namorada do continente e os seus dois filhos, Thaddius (Dano) e Rodney (McDonald), para irem viver com eles. Rose, para quem a vida sempre foi aquele paraíso privado partilhado com o seu pai, não aceita bem esta invasão e rebela-se ferozmente.


O idílio é ameaçado também pela construção de um condomínio pré-fabricado em terrenos pantanosos da ilha. Símbolo do progresso, da mudança indefectível. O conflito entre Jack e o empreiteiro Marty Rance (Bridges) – ou entre o idealismo dos 60s e a ganância dos 80s –, acabará, no entanto, por mostrar a Jack a sua própria face, dando-se conta da prisão que ele construiu para Rose. Afinal, também o paraíso é artificial.


Jack é idealista, intransigente e possessivo. Rose é inocência (simbolizada na casa na árvore), curiosidade e descoberta sexual (simbolizada na cobra). O seu isolamento social retardou o seu amadurecimento. Jack virou as costas ao mundo e, ao fazê-lo, privou Rose desse mesmo mundo, sem lhe dar liberdade de escolha. Agora é o medo que a impede de considerar sequer continuar viva após a morte do pai.


A relação de Jack e Rose é entre o paternal/filial e o erótico. O convite para Kathleen ir viver com eles parece não ser mais do que a forma que Jack encontra de combater a involuntária atracção que sente por Rose, e pela qual se recrimina. Mas também Rose procura essa forma de afecto, e a sua raiva para com os recém-chegados está relacionada com a posse/ciúme que sente pelo pai.


Daniel Day-Lewis é casado com a realizadora/argumentista Rebecca Miller (filha do falecido dramaturgo Arthur Miller), mas não estava inicialmente escalonado para o papel. “The Ballad of Jack and Rose” não seria o mesmo sem ele, pouco surpreendentemente, perfeito. Ele é Jack – nos seus valores, nos seus demónios, e na sua morte iminente. Camilla Belle como Rose não lhe fica atrás, com uma candura revoltada e prestes a ser maculada. De referir também McDonald, convincente como o receoso e ambivalente Rodney.


Mas eles não são suficientes para nos envolver emocionalmente nesta história, que fica a parecer demasiado distante. As ideias e personagens que o compõem despertam a nossa atenção, mas fica a faltar algo mais profundo para onde olhar. Os conflitos de personalidade aparecem de uma forma, apesar de tudo, estranhamente educada e pouco plausível. Apesar disso, este é um filme interessante, abrilhantado pela bela fotografia de Ellen Kuras, que também trabalhou com Miller em “Personal Velocity”.


Como diz a tagline, para nos definirmos precisamos de nos afastar, e é na libertação que se prova o amor. Por isso, os Creedence Clearwater Revival cantam “I put a spell on you, because you're mine”.






TAGLINE:


“Selfhood begins with a walking away. And love is prooved in the letting go.”


CITAÇÕES:


“Rose (CAMILLA BELLE): Have you ever considered suicide?
Rodney (RYAN McDONALD): Yes, but I’d rather do it himself…”

“Innocent people are just as dangerous.”
RYAN McDONALD (Rodney)






















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