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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

No dia seguinte

08.07.05, Rita

Em 2001, foi assim no dia seguinte. As principais cadeias de salas de cinema estavam às escuras. Fechadas, a aguardar. Era a América ainda sob os efeitos dos atentados daquela terça-feira, 11 de Setembro. A maior parte das produções de televisão e cinema estavam também paradas. A aguardar.


Em Los Angeles nenhuma produção era filmada na “downtown”. A entidade que atribuía licenças para filmagens – a Entertainment Industry Development Co. (EIDC) – dava a conhecer a sua posição: «Não temos negado nenhuma autorização nem pedimos a nenhuma produtora para encerrar. Apenas informámos as empresas que a polícia e os bombeiros estão em alerta máximo e que algumas produções podem ser afectadas, sobretudo as que usam pirotecnia e armas de fogo.»


Os filmes nas salas de cinema servem-se com pipocas, naturalmente. Ao som de explosões, tiros, destruição – os ingredientes de muitas produções cinematográficas. Com a realidade a ultrapassar a imaginação dos argumentistas de Hollywood, o debate sobre a violência reacendia-se na América.


Ainda em Junho de 2001, as audiências aplaudiam a abertura do novo filme de Dominic Sena, «Swordfish» – uma espectacular sequência em que a câmara descreve um arco de 360 graus pelos destroços e detritos de um edifício. Depois dos atentados de Nova Iorque e Washington, os produtores e realizadores reequacionaram a escalada nas cenas de violência. Um passo atrás naquilo que era a aposta forte dos “blockbusters”. A parafernália pirotécnica não surgiria como algo inocente aos olhos dos espectadores de pipocas. Há imagens reais bem mais fortes – e então muito presentes. Hoje, de novo, presentes.


Assentada a poeira, ultrapassada a estupefacção da América e do Mundo, a indústria voltou a desenhar violentos enredos de explosões e pancadaria. Hoje, depois de Bali, Madrid ou Bagdad, Londres. Não sabemos se havia filmes ou séries a serem rodados ali, nas proximidades. Se alguém amanhã questionará argumentos ou se tremerá a rever o «Assalto a Nova Iorque» ou (o aparentemente inocente) «Speed». Sabemos que o mundo continua diferente. E o cinema não nos ajuda a compreender ainda tudo.




por Miguel


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