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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

No Sos Vos, Soy Yo ***

20.07.05, Rita

Realização: Juan Taratuto. Elenco: Diego Peretti, Soledad Villamil, Cecilia Dopazo, Hernán Jiménez, Marcos Mundstock, Luis Brandoni, Ricardo Merkin, Rolly Serrano, Eugenia Tobal, Mariana Briski, Silvia Baylé, Nilda Raggi. Nacionalidade: Argentina / Espanha, 2004.





“Não és tu, sou eu.” Quem nunca ouviu esta frase que atire a primeira pedra. “No Sos Vos, Soy Yo” conta a história de Javier, mas podia ser, com alguma adaptação, a história de todos os que já sofreram uma desilusão amorosa.


Javier (Diego Peretti) está a caminho do aeroporto, para apanhar um avião para Miami, onde se encontra a sua recém-mulher, María (Soledad Villamil), e alterar por completo a vida que leva em Buenos Aires. Um telefonema atira-o para o abismo, quando María lhe diz que a relação deles terminou e que se apaixonou por outra pessoa. A partir daí é a descida aos infernos.


Talvez esta seja uma expressão exagerada, mas quem já teve o coração partido entende o desespero da perda (ainda que relativa) de um sentido para a vida. Javier cai numa depressão profunda, refugiando-se nos amigos até à exaustão (deles), no seu cão e no seu psicanalista.


Apesar do tema emocional, este retrato de “um momento na vida de” não é de todo condescendente nem explora sentimentalismos. Vários momentos cómicos, como os vividos com o cão ou a invasão de Javier à casa do seu melhor amigo, para abrir a sua alma, relativizam o drama, evidenciando o ridículo em que muitas vezes o ser humano se deixa cair. Esta devida distância é permitida também pela personagem do psicanalista (Marcos Mundstock), que, numa rara vez no cinema, parece ter um papel realmente útil.


O filme vive da genial interpretação de Peretti, que, apesar da grande amplitude de registos ao longo da história, mantém a total coerência da personagem. No entanto, a classificação de “comédia romântica” parece-me deslocada. Sobretudo porque as personagens femininas têm muito pouca densidade para equilibrar o “romance”. Curiosamente, o argumento foi co-escrito por Cecilia Dopazo, que interpreta o papel de Julia, a ajudante do veterinário.


De todos modos, uma boa forma de fugir do calor húmido de Barcelona, aproveitando o preço de segunda-feira (nos dias normais os bilhetes são a 6€ e eles não aceitam o King Kard...).






CITAÇÕES:


“Una pareja lleva sus buenos días, que lamentablemente son pocos, sus malos, que afortunadamente también son pocos, y los normales, que son la mayoría.”
MARCOS MUNDSTOCK (Psicoanalista)


















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