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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Charlie and the Chocolate Factory ****

16.08.05, Rita

Realização: Tim Burton. Elenco: Johnny Depp, Freddie Highmore, David Kelly, Helena Bonham Carter, Noah Taylor, Missi Pyle, James Fox, Deep Roy, Christopher Lee, Adam Godley, Franziska Troegner, Annasophia Robb, Julia Winter, Jordan Fry; Philip Wiegratz, Liz Smith, Eileen Essell, David Morris. Nacionalidade: EUA / Reino Unido, 2005.





A mais recente e louca fantasia de Tim Burton baseia-se no livro de Roald Dahl (1964), que já tinha sido levado ao grande ecrã por Mel Stuart no filme “Willy Wonka & the Chocolate Factory” (1971), com Gene Wilder no principal papel.


Esta é a história de Charlie (Highmore), um rapaz pobre que adora chocolate e que vive ao lado da maior fábrica de chocolate do mundo. Charlie apenas tem direito a uma barra de chocolate por ano – no dia do seu aniversário, que está mesmo à porta. Willy Wonka (Depp) é o excêntrico dono da fábrica, onde ninguém entra. Até ao dia em que Wonka lança um concurso que permite aos cinco premiados uma visita guiada pela fábrica. Para Charlie, e para a sua família, a possibilidade do prémio abre a porta ao sonho.


E é num sonho que entramos, mais uma vez, pela mão de Burton. Os delírios imaginativos deste realizador oferecem momentos de puro deleite: os cenários são alucinantes, de cor e surrealismo; os diálogos de um humor inteligente; as músicas de Danny Elfman (na sua 11ª colaboração com Burton), dançadas por 165 Oompa-Loompas (Roy) simplesmente hilariantes.


A tudo isto há que acrescentar os diversos estereótipos unidimensionais dos pecados infantis, representados por cada uma das outras quatro crianças – a mimada Veruca Salt (Winter), o guloso Augustus Gloop (Wiegratz), o viciado em televisão Mike Teavee (Fry) e a competitiva Violet Beauregarde (Robb) – e dos erros adultos (a disciplina excessiva e a condescendência desregrada).


O caminho de castigo e aprendizagem (?) efectuado pelos jovens tem algumas semelhanças com a estrada amarela d’O Feiticeiro de Oz, Willy Wonka tem algo do inadaptado Eduardo Mãos de Tesoura e do sempre criança Peter Pan. Com efeito, a própria fábrica é uma espécie de Terra do Nunca, onde se enfrentam medos e onde a fantasia é a ferramenta que concerta a realidade.


Curiosamente, foi em “Finding Neverland” (Marc Forster) que Freddie Highmore nos encantou o ano passado, também acompanhado de Johnny Depp. E de novo, o seu olhar doce derrete-nos. Infelizmente, parece que o que lhe espera será mais uma mão cheia de personagens deste tipo (protagonizará o próximo filme de Luc Besson – “Arthur and the Minimoys”, no qual David Bowie e Madonna emprestarão as suas vozes), mas ficamos à espera que ele cresça bem.


Quanto a Depp, que parece ser incapaz de fazer uma má interpretação e cujo prazer da representação passa através da tela, está delicioso: nos seus dentes irrepreensíveis, a palidez de quem não sai da sua fábrica, a frieza que mascara os seus traumas emocionais. Burton e o argumentista John August criaram-lhe uma backstory que não constava do livro. O peso desta narrativa complementar assume tal relevância que, em dado momento, até nos esquecemos de Charlie. Esta é, na minha opinião, a falha do filme de Burton: começar a contar uma história e acabar a contar outra.


Dada a tendência de Burton para alternar a genialidade superior (“Big Fish”) com a genialidade inferior (“Charlie and the Chocolate Factory”), as expectativas elevam-se ao aguardar por “Corpse Bride”, programado ainda para este ano.






CITAÇÕES:

“Charlie, money is everywhere. They print more and more of it every day. But that ticket? There are only five of them, and that's all there's ever going to be. Only a dummy would give this up for something as common as money. Are you a dummy?”
DAVID MORRIS (Grandpa George)

“Well, sometimes when grown-ups say "forever" they mean "a very long time".”
HELENA BONHAM CARTER (Mrs. Bucket)

“And in that moment I realised; "I must find a... heir/hair".”
JOHNNY DEPP (Willy Wonka)

“Mike Teavee – Who wants a beard?
Willy Wonka – Well, beatniks for one, folk singers and motorbike riders. Y'know. All those hip, jazzy, super cool, neat, keen, and groovy cats. It's in the fridge, daddy-o! Are you hip to the jive? Can you dig what I'm layin' down? I knew that you could. Slide me some skin, soul brother!”
JORDAN FRY (Mike Teavee) e JOHNNY DEPP (Willy Wonka)

“Everything in this room is eatable. Even I'm eatable. But that is called cannibalism, my dear children, and is in fact frowned upon in most societies.”
JOHNNY DEPP (Willy Wonka)

“Well, nothing goes better with cabbage than cabbage.”
HELENA BONHAM CARTER (Mrs. Bucket)

“Charlie Bucket – Whipped cream?
Willy Wonka – Of course! Everyone knows that to get whipped cream you have to use real whips!”
FREDDIE HIGHMORE (Charlie Bucket) e JOHNNY DEPP (Willy Wonka)


“The best kind of prize is a SURprise!”
JOHNNY DEPP (Willy Wonka)

“Lollipops. What we call cavities on a stick!”
CHRISTOPHER LEE (DR. Wonka)

“Mike Teavee – Why is everything here completely pointless?
Charlie Bucket – Candy doesn't have to have a point. That's what makes it candy.”
JORDAN FRY (Mike Teavee) e FREDDIE HIGHMORE (Charlie Bucket)


“Mike Teavee – Just put me back in the other way.
Willy Wonka – There is no other way. It's television not telephone, quite a difference.”
JORDAN FRY (Mike Teavee) e JOHNNY DEPP (Willy Wonka)


“Charlie Bucket – What do you have against my family?
Willy Wonka – It's not just your family. It's the whole idea of... you know, they're always telling you what to do and what not to do and it's not conducive to a creative atmosphere.”
FREDDIE HIGHMORE (Charlie Bucket) e JOHNNY DEPP (Willy Wonka)

“Willy Wonka – What do you think about raspberry kites?
Charlie Bucket – With liquorice instead of string?
Mrs. Bucket – Boys, no business at the dinner table.”
JOHNNY DEPP (Willy Wonka), FREDDIE HIGHMORE (Charlie Bucket) e HELENA BONHAM CARTER (Mrs. Bucket)





































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