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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Star Trek ****1/2

14.05.09, Rita

Realização: J.J. Abrams. Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Leonard Nimoy, Eric Bana, Bruce Greenwood, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho. Nacionalidade: EUA / Alemanha, 2009.





Eu não sou exactamente fã de ficção científica e só muito esporadicamente segui a série televisiva da autoria de Gene Roddenberry, mas, caramba, que bom este “Star Trek”! Desde já previno que não entrarei em grandes detalhes na história, ir ver sem ideia do que nos espera é parte integrante da experiência.


O criador da série ‘Lost’ e os argumentistas Roberto Orci e Alex Kurtzman assumem a responsabilidade da herança criativa que têm em mãos, e oferecem-nos uma aventura totalmente envolvente que é simultaneamente um festim para os sentidos e uma viagem emocional.


Apenas dois elementos da tripulação da USS Enterprise têm direito a uma visita à sua infância: J.T. Kirk e Spock. James Tiberius Kirk chega ao mundo apenas momentos antes do seu pai, George Kirk (Chris Hemsworth), feito capitão da Frota Espacial há poucos minutos, morrer heroicamente às mãos de Nero (Eric Bana), um vingativo romulano, mas garantindo a sobrevivência de 300 pessoas, entre as quais a do seu filho e da sua mulher (Jennifer Morrison). Spock é fruto de um casamento misto entre uma humana e um vulcano. Educado no perfeccionismo lógico deste último, o dilema com as suas emoções durará até à idade adulta. É num desafio a igualar o heroísmo paterno que o Capitão Christopher Pike (Bruce Greenwood) consegue convencer o jovem adulto Kirk (Chris Pine) a juntar-se à Frota Estrelar. É em resposta a um “insulto” materno que Spock (Zachary Quinto) faz o mesmo.


É sobretudo Kirk e Spock que vemos crescer diante dos nossos olhos, mas o cuidado com os detalhes permite-nos perceber de onde vem cada um deles: o “apenas” médico Leonard 'Bones' McCoy (Karl Urban), a ponderada Uhura (Zoe Saldana), o divertido e deslumbrado engenheiro de teletransporte Scotty (Simon Pegg), e os calmos sob stress Sulu (John Cho) e Chekov (Anton Yelchin). Estes dois últimos são os mais negligenciados na estrutura narrativa, mas sem prejuízo para o filme. Do que senti alguma falta foi de um olhar mais atento ao vilão Nero e à sua sede de vingança contra a Federação.


Contendo todo o apelativo técnico e visual exigível, este filme é profundamente generoso com as suas personagens, resultando numa consequente retribuição, na mesma medida, de fortes e consistentes interpretações por parte de todo o elenco. Pela agradável surpresa, destaco Chris Pine (que o meu preconceito começo por reduzir a uma simples cara bonita) e o simplemente genial Karl Urban (Eomer em “Lord of the Rings”).


A sensação que temos é que estamos num ambiente totalmente familiar, mas também novo. Não sei em que fase determinadas subtilezas, como o carácter mais emocional de Spock foram introduzidas (se no guião, se na realização, se somente na interpretação), mas no seu todo, contribuem para um olhar fresco sobre uma temática que seria muito fácil repisar. Claro que existe também um grande engenho por trás disto. Com uma solução totalmente credível (dentro do incrível mundo da ficção científica), tudo o que sabemos sobre o futuro destas personagens é habilmente apagado. A partir deste ponto as aventuras da USS Enterprise e da sua tripulação não estão presas a qualquer desfecho da série ou dos filmes anteriores.


Em 1966, o contexto da série compreendia o utópico ideal de cooperação de todos (etnias e nacionalidades) para um objectivo comum. Curiosamente, em 2009, o ideal não só se mantém como se mantém utópico. “Live long, and prosper.”








CITAÇÕES:


“Space is disease and danger wrapped in darkness and silence.”
KARL URBAN (Leonard 'Bones' McCoy)

“Space, the final frontier… These are the voyages of the starship Enterprise, its continuing mission to explore a strange new world, to seek out new life and new civilizations, to boldly go where no one has gone before.”
LEONARD NIMOY (voz)
























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