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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Elegy **1/2

03.05.09, Rita

Realização: Isabel Coixet. Elenco: Ben Kingsley, Penélope Cruz, Patricia Clarkson, Dennis Hopper, Peter Sarsgaard, Deborah Harry. Nacionalidade: EUA, 2008.





Com argumento de Nicholas Meyer e baseado no livro de Philip Roth “The Dying Animal” “Elegy” ameaçava ser mais um filme sobre uma jovem bonita seduzida pelo intelecto de um homem muito mais velho (a temática típica de Roth também filmada em “The Human Stain” de Robert Benton). Mas desta vez, a realização aparece assinada pela catalã Isabel Coixet, que nos trouxe filmes tão pungentes como “Mi Vida Sin Mí” e “La Vida Secreta de las Palabras”.


“Elegy” retrata a relação entre David Kepesh (Ben Kingsley), um professor universitário de literatura na casa dos 60, e a sua aluna de origem cubana Consuela (Penélope Cruz). Alardeando a sua inteligência e cultura com o mesmo pretensiosismo de quem exibe um conjunto de músculos tonificados, David seduz Consuela comparando-a a ‘La Maja Desnuda’ de Goya. Mais à frente, é referida a impossibilidade possuir de facto uma obra de arte. Em vez disso, são elas que nos possuem a nós.


É pois sobre a posse, ou a ilusão dela, que “Elegy” se debruça. Apesar de todo o conhecimento acumulado, David não é isento de inseguranças e os seus ciúmes de Consuela ditarão o final da relação, porque, numa atitude de maior maturidade, ela não concebe uma relação onde não exista confiança.


David envelheceu, mas isso não quer dizer que tenha crescido. Ver-se-á forçado a fazê-lo quando a mortalidade lhe é colocada diante dos olhos. É neste ponto que Coixet, no seu óbvio fascínio pela doença e a morte e a forma como uma e outra são encaradas pelas suas personagens, adopta o seu habitual tom soturno.


As interpretações de Kingsley e Cruz são de inegável qualidade, ainda que fiquem longe de nos comover. Nos secundários o portentoso talento de nomes como Dennis Hopper (o amigo que tenta puxar David para a realidade), Debbie Harry (a sua mulher), Patricia Clarkson (a amiga colorida de David) ou Peter Sarsgaard (o filho) é desperdiçado em personagens de fraca dimensão.


Mas não podendo culpar os actores, tenho a tentação de colocar o ónus no ponto de partida fornecido por Roth para que falte a “Elegy” toda a intimidade e coração que Coixet conseguiu despejar nas suas obras anteriores. Meto as expectativas no bolso e guardo-as para o próximo “Map of the Sounds of Tokyo”.






CITAÇÕES:


“Beautiful women are invisible; we're so dazzled by the outside that we never make it inside.”
DENNIS HOPPER (George)

“When you make love to a woman you get revenge for all the things that defeated you in life.”
BEN KINGSLEY (David)





















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