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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Les Soeurs Fâchées ***

09.10.05, Rita

Realização: Alexandra Leclère. Elenco: Isabelle Huppert, Catherine Frot, François Berléand, Brigitte Catillon, Michel Vuillermoz, Christiane Millet, Rose Thiéry, Bruno Chiche, Jean-Philippe Puymartin. Nacionalidade: França, 2004.





Louise (Catherine Frot) vive em Mans, onde é esteticista. Acaba de chegar a Paris, onde tem uma reunião marcada para segunda-feira com um possível editor para o livro que acabou de escrever. Louise aproveita para passar o fim-de-semana com a sua irmã mais velha, Martine (Isabelle Huppert), com quem tem quase nada em comum. Louise é provinciana, deslumbrada com tudo o que vê na grande cidade, é efusiva, natural, extrovertida, apaixonada, gentil e ingénua. Martine é fria, cruel, execrável e má, na sua vida de burguesa entre o cabeleireiro e um café com a sua única amiga. Louise está a lutar pelo seu sonho, ao passo que Martine nem sequer sabe qual é o seu. Mas estes três dias não a deixarão indiferente.


Nesta primeira realização, Alexandra Leclère escolhe personagens extremas (e diametralmente opostas), mas não se deixa cair na caricatura. Os bons diálogos e uma narrativa consistente vão revelando a verdade das personagens, escondida atrás da imagem que elas dão de si mesmas. Pouco a pouco, a sua personalidade vai-se desenvolvendo, tornando-se mais densa e com novas camadas, mais rica e ambígua.


Com um humor mordaz, especialmente na expressões de exasperação de Martine com a constante felicidade de Louise, “Les Soeurs Fâchées” fala das hipocrisias que servem tantas vezes de base a existências de falsa tranquilidade, vidas baseadas em conformismo. No caso de Martine, a sua maldade não é mais do que uma fuga à fragilidade e uma reacção ao confronto, pela presença da irmã, com um passado doloroso ainda não cicatrizado e o presente vazio em que se tornou a sua vida.


As interpretações de ambas as protagonistas estão perfeitas: Catherine Frot (Trilogia de Lucas Belvaux, 2002) é a generosidade e a bondade sem limites, e Isabelle Huppert (“Le Temps du Loup” – 2003, “I Heart Huckabees” – 2004) está mais uma vez irrepreensível na sua crueldade (a sua expressão habitual de estátua torna um sorriso completamente contra-natura). E, no entanto, a compaixão não nos deixa nunca recorrer à indiferença.





CITAÇÕES:


““– Vous arrivez de province.
– Pourquoi, ça se voit tant que ça?”

“Hereuse? Il y a d’autres choses dans la vie.”
ISABELLE HUPPERT (Martine)
















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