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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Man On Wire ***1/2

16.03.09, Rita

Realização: James Marsh. Género: Documentário. Nacionalidade: Reino Unido / EUA, 2008.





“Man on Wire”, vencedor do Oscar para Melhor Documentário, é um verdadeiro thriller. A 7 de Agosto de 1974, o funâmbulo francês Philippe Petit atravessou oito vezes um arame preso entre as duas torres do World Trade Center em Nova Iorque. Esta é a história de como isso foi possível.


Aos 17 anos, na sala de espera do consultório do dentista, Petit viu um recorte de jornal com o diagrama do projecto das torres e soube de imediato que estava destinado a conquistá-las. Com esse objectivo em fundo, Petit praticou primeiro entre as torres dos sinos da Catedral de Notre Dame em Paris e entre as torres da Ponte de Sydney Harbour na Austrália, ambas de forma clandestina. À medida que o World Trade Center ia crescendo, o mesmo acontecia com as suas ambições. Inspirado pela sua namorada Annie, Petit acaba por reunir um improvável grupo de ajudantes.


O filme de James Marsh alia imagens de arquivo a dramatizações dos acontecimentos, junto com entrevistas a alguns dos participantes, entre os quais Petit. Sabemos, pois, que ele sobreviveu à aventura, mas a forma como Marsh constrói “Man on Wire”, aliado à personalidade arrebatadora de Petit, que nos arrasta com ele num entusiasmo contagioso e apaixonado, conferem uma tensão improvável a este documentário.


Começamos por ver a construção das torres, as vigas de aço a serem içadas e colocadas como um puzzle gigantesco. Ao mesmo tempo, acompanhamos Petit na sua formação, caminhando, ajoelhando-se e deitando-se no arame. Os dois projectos são ligados visualmente pelo split-screen e tematicamente pela audácia e pelo engenho. Em nenhum momento do filme, há referência ao 11 de Setembro. Ainda bem. Não é preciso. A fragilidade da vida humana está lá, assim como o seu espírito conquistador.


Como preparação, Petit reproduziu a experiência das torres em França, com um arame do mesmo comprimento, e analisando um modelo à escala para determinar a melhor forma de prender o arame e os seus suportes, simulando a instabilidade e torção a que o arame estaria sujeito à altura de cerca de 411,5 metros. Mas faltava ainda um plano para conseguir subir ao mesmo tempo ao topo de cada uma das torres, acima do nível dos andares já finalizados, passando pela segurança com todo o material e sem levantar suspeitas e conseguir fazer atravessar o arame entre os dois edifícios. Como um assalto ao banco, foram precisas identificações falsas, conseguidas através de um executivo que trabalhava numa das torres e que – como nós durante o filme –, de deixou fascinar por este feito ambicioso e perigoso (mas se realizável, que glorioso!).


“Man on Wire” é um filme sobre os sonhos impossíveis. Como diz Petit: “Sabemos que é impossível, claro. Por isso vamos começar a trabalhar.”. No contexto do escândalo do Watergate e da Guerra do Vietname, este homem personificava a sede de viver, os riscos e as recompensas de investir com a força humana em algo belo. Petit sabia que se não o tentasse a sua vida seria um falhanço.


Contra todas as probabilidades, o plano funcionou. Aquele arame materializa, literalmente, a linha entre a vida e morte. Flutuando no espaço, é um momento belíssimo ("the artistic crime of the century”), um desafio quase divino suplantado pela coragem (ou pela falta de medo...) de um homem. Os assistentes de Petit puderam finalmente descansar do seu receio de serem acusados de homicídio involuntário. De cada um dos lados do arame, polícias aguardavam, estupefactos, perante um instante único. Philippe Petit foi detido e considerado culpado: por perturbar a paz.






CITAÇÕES:


“It's impossible, that's sure. So let's start working.”
PHILIPPE PETIT

“If I die, what a beautiful death!”
PHILIPPE PETIT

“There is no why.”
PHILIPPE PETIT

“To me, it's really so simple, that life should be lived on the edge. You have to exercise rebellion. To refuse to tape yourself to the rules, to refuse your own success, to refuse to repeat yourself, to see every day, every year, every idea as a true challenge. Then you will live your life on the tightrope.”
PHILIPPE PETIT
























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