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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Boy in the Striped Pyjamas **1/2

04.03.09, Rita

Realização: Mark Herman. Elenco: Asa Butterfield, Jack Scanlon, Amber Beattie, David Thewlis, Vera Farmiga, Richard Johnson, Sheila Hancock, Rupert Friend, David Hayman. Jim Norton, Cara Horgan. Nacionalidade: Reino Unido / EUA, 2008.





Não canso de me perguntar porque é que o livro de 2006 de John Boyne é vendido na secção juvenil das livrarias. Se a escrita é acessível, a temática é das mais duras. A leitura, na minha opinião um dos incontornáveis dos últimos tempos a par d’O Leitor e de Reservation Road, deverá ser feita na versão inglesa, para devido desfrute, sabendo o menos possível sobre a história (por isso, se tenciona ler o livro, pare de ler aqui).


Bruno (Asa Butterfield) é um rapaz de 9 anos, forçado a deixar Berlim e os seus melhores amigos, em resultado de uma promoção do seu pai (David Thewlis), um comandante alemão, que força toda a família a deslocar-se para o campo. Do lado de fora da nova casa, Bruno vê uma grande quinta gradeada onde todos os camponeses usam pijamas às riscas. É com inveja que ele vê outras crianças com quem poderia brincar, se a mãe (Vera Farmiga) não o tivesse restringido ao pequeno jardim da casa e à companhia da irmã mais velha Gretel (Amber Beattie). Impelido pelo aborrecimento e curiosidade, um dia Bruno acaba por se afastar até ao gradeamento, onde encontra Shmuel (Jack Scanlon), um rapaz também da sua idade vestindo o tal pijama às riscas. Entre os dois rapazes forma-se uma improvável amizade, motivada por diferentes necessidades, nenhum dos dois com uma compreensão real da situação que estão a viver.


A contra-capa do livro oculta deliberadamente o seu conteúdo, baseado na sugestão e em mecanismos literários impossíveis de replicar no cinema. Felizmente, o argumento de Mark Herman não tenta recorrer aos mesmos truques, porque falharia redondamente. Dessa forma, o filme não pode deixar de revelar muito mais cedo do que o livro a dimensão real da história. Talvez movido por um propósito comercial e de público-alvo, alguns episódios e algum do diálogo entre os dois rapazes são eliminados. O ponto de vista de Bruno é reforçado, em contraponto a um narrador, e a personagem do pai de Bruno vê a sua autoridade atenuada.


“The Boy in the Striped Pyjamas” (filme e livro) está marcado por uma ingenuidade alarmante. A ironia apenas enfatizando a atrocidade. Entre o dever militar e o dever familiar, Bruno tenta conjugar duas imagens opostas do seu pai. Entre a inocência e a violência, imergido em confusão e a dúvida, Bruno terá de conjugar duas imagens de si mesmo: a do amigo e a do cobarde que nega essa mesma amizade.


“The Boy in the Striped Pyjamas” conta com interpretações genuínas por parte dos dois jovens e inexperientes protagonistas. E, comparações à parte, “The Boy in the Striped Pyjamas” está competentemente realizado, ainda que não possua nenhum particular rasgo de originalidade.


Pergunto-me se “The Boy in the Striped Pyjamas” (filme e livro) servirá o propósito de ajudar os pais a explicarem aos filhos um dos momentos mais trágicos da História. Mas não posso deixar de apreciar a subtileza com que prova a impossibilidade do ódio quando o indivíduo concreto se sobrepõe a uma ridícula e abstracta categorização.
















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