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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Visitor ****

27.02.09, Rita

Realização: Thomas McCarthy. Elenco: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Danai Gurira, Hiam Abbass, Marian Seldes, Maggie Moore, Michael Cumpsty. Nacionalidade: EUA, 2008.





Walter Vale (Richard Jenkins) é professor de economia na universidade. Viúvo, ele vive uma vida de calmo desespero, num espaço morno e aborrecido, a meio caminho entre a tristeza e a alegria. Os seus serões passados bebendo vinho e ouvindo música clássica. Walter vê-se obrigado a ir a uma conferência em Nova Iorque apresentar um trabalho no qual ele apenas colocou o seu nome. Regressando ao seu pouco usado apartamento na cidade para passar aqueles dias, Walter é surpreendido pela presença de Zainab (Danai Gurira) e Tarek (Haaz Sleiman). Ela é senegalesa, ele sírio, e, sem saberem que o apartamento pertencia a Walter, alugaram-no a uma personagem dúbia. Depois de alguma tensão, eles pedem desculpa e saem para a rua sem saber muito bem onde irão passar a noite. Walter acaba por lhes oferecer de novo o apartamento. E com isso, oferece-se a si mesmo uma nova vida.


“The Visitor” é um daqueles filmes que se vai abrindo a pouco e pouco até nos mostrar a pérola que esconde no seu interior. Um pouco à semelhança do que acontece com o seu protagonista. Walter é distante nas suas relações interpessoais, limitando-as às socialmente obrigatórias – alunos e colegas. As suas acções estão reduzidas a uma rotina segura e sem surpresas.


Na improvável amizade que ele estabelece com este casal de imigrantes ilegais, Walter vai-se reencontrando com as suas próprias emoções. Tarek é um virtuoso do djembé, e Walter não consegue disfarçar a atracção que a percussão lhe desperta. Tarek decide então ensinar Walter e, num simbolismo muito próximo das batidas cardíacas, Walter vai-se adentrando nos seus sentimentos. Quando Tarek é detido no metro e preso, a explosão de emoção descontrolada de Walter é tão mais forte quanto a sua quietude tinha sido silenciosa.


As interpretações em “The Visitor” são excelentes, do nomeado ao Oscar Richard Jenkins, conjugando a suavidade com a tensão de uma mola comprimida, ao simpático e doce Haaz Sleiman, passando por uma cuidadosa e céptica Danai Gurira e o optimismo generoso de Hiam Abbass, no papel de Mouna, a mãe de Tarek.


Apesar de abordar a arbitrária política de imigração americana, em especial no caso de árabes, baseada num medo e burocracia ferozes, o realizador Thomas McCarthy (“The Station Agent”) não quis fazer deste um filme político. O que lhe interessa são as suas personagens, a quem ele confere tantas dimensões quanto possível.


Com humor, com raiva, com ternura e com um incómodo final “The Visitor” fala da beleza das amizades mais estranhas e da forma como as pessoas podem mudar com apenas pequenos gestos de generosidade. Talvez seja mesmo esse o caminho.
















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