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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Changeling **1/2

16.02.09, Rita

Realização: Clint Eastwood. Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Colm Feore, Jason Butler Harner, Amy Ryan, Michael Kelly, Gattlin Griffith. Nacionalidade: EUA, 2008.





Los Angeles, Março de 1928. Ao regressar a casa do trabalho como supervisora de uma secção de telefonistas, Christine Collins (Angelina Jolie) descobre que o seu filho de 9 anos, Walter (Gattlin Griffith), desapareceu. O pânico e a angústia são seguidos de incredulidade quando, passados cinco meses, a polícia de Los Angeles, famosa pela sua corrupção, lhe entrega um rapaz encontrado em DeKalb, Illinois, e que Christine afirma, de imediato, não se tratar do seu filho desaparecido.


Sob a insistência policial de que a criança poderá ter mudado no tempo que esteve fora, Christine acaba por levar a criança para casa em “período experimental”. Mas Christine volta à polícia, argumentando que esta criança é mais baixa que o seu filho e mais tarde comprovando com o ficheiro do dentista essa impossibilidade. Desesperado por evitar má publicidade que se tem vindo a acumular, liderada pelo activismo do Reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich), determinado a expor a corrupção da força policial, o Capitão J.J. Jones (Jeffrey Donovan) tem ordens para abafar e fechar este caso o quanto antes, aproveitando o facto de Christine ser mãe solteira para a acusar de ser uma mãe negligente que não quer assumir a responsabilidade pelo filho. Impotente e revoltada, Christine expõe o seu caso à imprensa, acabando por ser internada num manicómio por decisão (e diagnóstico) policial.


Num contexto de galopante corrupção, numa sociedade onde as mulheres eram vistas como excessivamente emocionais e com tendência para a histeria, a verdade pode ser mais desconcertante que a ficção. Com efeito, “Changeling” é baseado nos crimes de Wineville Chicken Coop que tiveram lugar no final dos anos 20 e que resultaram na condenação à morte de Gordon Stewart Northcott, aqui interpretado por um perturbante e amoral Jason Butler Harner. O poder do argumento de J. Michael Straczynski reside no seu enfoque na acção mais do que na palavra. E sabendo à partida parte do desfecho do filme, o essencial é o caminho e Clint Eastwood gere o ritmo de “Changeling” na perfeição. É dado lugar a que todos os conflitos se materializem (Christine contra a polícia, o reverendo contra a polícia, o polícia bom contra o polícia mau) e se desenlacem.


À frente do elenco está uma forte Angelina Jolie (com tanta atenção dos media podemos ser levados a esquecer que sabe de facto representar): devastada e voluntariosa, forte e vulnerável, feroz e perseverante na procura da verdade. Nos secundários, e saltando por cima de Malkovich que não consegue errar o tom, Jeffrey Donovan é bastante competente como policia corrupto e autoritário, e o mesmo vale para o empenhado detective Lester Ybarra de Michael Kelly.


Há aqui um claro propósito em concentrar a atenção nesta mãe desesperada. A “Changeling” não lhe interessa procurar as razões para os crimes, ou, pela infância de Northcott ou o facto de ser filho da sua irmã e do seu pai, compreender os seus actos. Quando a força de uma narrativa está num sentimento, torna-se realmente complicado não cair na facilidade da emoção. Eastwood está mesmo em cima da linha e é por isso este filme está bastante aquém das suas últimas obras. A ansiedade fica assim guardada para o quase-a-estrear “Gran Torino”.






CITAÇÕES:


“I used to tell Walter, "Never start a fight... but always finish it." I didn't start this fight... but by God, I'm going to finish it.”
ANGELINA JOLIE (Christine Collins)



















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