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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Les LIP, L’Imagination au Pouvoir ***

06.11.08, Rita

Realização: Christian Rouaud. Género: Documentário. Nacionalidade: França, 2007.





Em “Les LIP, L’Imagination au Pouvoir” o realizador Christian Rouaud acompanha minuciosamente os desenvolvimentos de um dos conflitos sociais mais emblemáticos da França pós-Maio 68. No Verão de 73 e perante o iminente encerramento da fábrica de relógios LIP, em Besançon, e a perspectiva de um despedimento colectivo, os trabalhadores mobilizaram-se de uma forma em tudo fora do vulgar.


Evitando a greve óbvia, optaram por uma redução de produção, que implicava paragens periódicas nas linhas de montagem. Seguiu-se a ocupação da fábrica e a apropriação do stock para venda. Até que chegaram à solução mais simples, manterem o seu local de trabalho trabalhando. Decidiram, pois, continuar a produção de relógios, fazendo uma venda directa numa loja da própria fábrica, sem intermediários e distribuindo o rendimento como salário no que eles chamavam o pagamento selvagem (”paye sauvage”).


Dando a todos a palavra perante a câmara, responsáveis sindicais, trabalhadores, patrões e até um ex-ministro, Christian Rouaud tenta perceber como este movimento captou e tocou todo um país, e como esta organização laboral que se resumia em autogestão se manteve durante alguns anos, numa resistência pacífica às leis de mercado. Os testemunhos em primeira mão são acompanhados de imagens de arquivo, num conjunto coerentemente composto e onde Rouaud deliberadamente evita o voice-over. O seu fervor estende-se à pessoa de Claude Neuschwander enviado pela facção de esquerda do patronato para assumir a direcção da fábrica após este período e que, mais tarde, acabou traído por outras vontades políticas.


“Les LIP, L’Imagination au Pouvoir” é simultaneamente uma pequena lição de história e uma utopia que parece nunca ter acontecido. A plataforma de entendimento e compromisso que teve de existir entre os dois sindicatos presentes na fábrica (CFDT e CGT) teve como base a determinação de não deixar ninguém pelo caminho, com o único e simples objectivo de salvaguardar o trabalho, evidenciando-o como um valor essencial no processo produtivo.


Este filme atesta o trabalho como um direito e a luta colectiva como um meio privilegiado na sua defesa. Sob a insígnia ON FABRIQUE, ON VEND, ON SE PAIE (“fabricamos, vendemos, pagamo-nos”) estava uma noção de solidariedade de que o mundo de hoje bem precisa de ver renovada.






CITAÇÕES:


“En tant que patron, je ne peux pas laisser dire que les syndicats de Lip avaient des exigences anormales. Il est sûr qu’ils négociaient durement, et ils ne m’ont pas épargné, mais ils ont toujours eu un sens de la responsabilité par rapport à la survie de l’entreprise auquel je rends hommage, car si les actionnaires avaient eu le même, l’entreprise vivrait encore.”
CLAUDE NEUSCHWANDER



















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