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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

In Bruges ***

29.09.08, Rita


 

Realização: Martin McDonagh. Elenco: Colin Farrell, Brendan Gleeson, Ralph Fiennes, Clémence Poésy, Eric Godon, Jordan Prentice. Nacionalidade: Reino Unido / Bélgica, 2006.



 



 

“In Bruges”, uma comédia negra com caminhos inesperados, marca a estreia do dramaturgo irlandês Martin McDonagh nas longas-metragens.


 

Dois assassinos irlandeses, Ken (Brendan Gleeson) e Ray (Colin Farrell), são enviados pelo seu patrão Harry (Ralph Fiennes) para um exílio forçado em Bruges (Bélgica), na consequência de um golpe que não correu como previsto. Mas enquanto Ken aproveita a viagem para passear pelos canais, visitar igrejas e contemplar as pinturas de Hieronymus Bosch, Ray queixa-se do aborrecimento de por estar no que para ele é um fim do mundo.


 

Ray não consegue sentir o entusiasmo e a curiosidade de Ken pela cidade medieval, mas, quando se depara com um set de filmagens no meio da rua, não consegue disfarçar o seu deslumbre. Aí, ele conhece Chloë (Clemence Poesy), uma bela fornecedora de droga e Jimmy (Jordan Prentice), um anão racista.


 

Rapidamente se percebe que a aversão de Ray pela História é também uma fuga ao passado que o tortura, e que Ken, do alto da sua posição de veterano, já aprendeu a contornar. Em vez que dois monstros frios, McDonagh dá-nos dois homens perseguidos e perturbados pelas coisas más que fizeram, mas também pelas coisas que fizeram mal.


 

Ainda que Bruges nunca assuma o “papel-personagem” que se esperaria dado o título do filme (mas felizmente também não se reduz à forma de postal-ilustrado), é ela que provoca a distância necessária para que Ken e Ray consigam ver-se a si mesmos, longe que estão de quem normalmente são.


 

O argumento de McDonagh oferece-nos bons diálogos para duas fortes interpretações. Gleeson não conseguiria despertar mais empatia nesta figura lúcida e paternal e Farrell, num ambiente onde se sente manifestamente confortável, é aquilo que Hollywood não o deixa ser: depressivo, nervoso e derrotista.


 

Em “In Bruges” o humor contido é rasgado por um certo horror, de uma forma desconcertante. Exactamente como nas pinturas de Bosch.



 




 

CITAÇÕES:


 

“Maybe that's what 'ell is, an entire eternity spent in fucking Bruges.”
COLIN FARRELL (Ray)


 

“Why do I have to climb up there to see down here? I'm already down here.”
COLIN FARRELL (Ray)




 

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