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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Arsène Lupin ***

21.10.05, Rita

Realização: Jean-Paul Salomé. Elenco: Romain Duris, Kristin Scott Thomas, Pascal Greggory, Eva Green, Robin Renucci, Patrick Toomey, Mathieu Carrière, Philippe Magnan, Philippe Lemaire, Aurélien Wiik, Marie Bunel, Françoise Lépine. Nacionalidade: França / Itália / Espanha / Reino Unido, 2005.





Inspirado no livro “La Comtesse de Cagliostro”, escrito em 1924 por Maurice Leblanc, Jean-Paul Salomé assumiu um claro risco ao pegar numa personagem emblemática da literatura francesa. Felizmente, não cresci com a figura aventureira de Arsène Lupin, o que me permitiu não ter ideias feitas quando vi este filme e, muito possivelmente, foi isso que me fez divertir tanto.


No final do século XIX, Arsène Lupin, ainda um jovem rapaz, perde o pai (Aurélien Wiik), que admira grandemente, quando este é assassinado numa fuga à polícia. Seguindo a tradição familiar, Arsène Lupin (Roman Duris, “De Tanto Bater o Meu Coração Parou”, “Les Poupées Rousses”) torna-se um ladrão hábil entre a aristocracia, fazendo uso de mecanismos para desviar a atenção dos visados e com o compromisso moral de nunca matar ninguém.


A vida de Arsène muda quando se cruza com Joséphine, a Condessa de Cagliostro (Kristin Scott Thomas), uma mulher misteriosa e enfeitiçante, que o inclui nos seus altos voos: roubar o tesouro perdido dos reis de França, também cobiçado por uma confraria monárquica, através de um jogo de pistas deixadas em crucifixos de diversas abadias francesas.


O amor pela bela mas manipuladora e perigosa condessa (maldição de tanta elegância e beleza) irá conduzi-lo às mais diversas aventuras e peripécias. Talvez os estímulos sejam excessivos, camuflando uma narrativa com menor consistência, mas a fotografia, os cenários e o guarda-roupa são tão luxuosos que é fácil perdermo-nos no simples prazer da contemplação.


Duris é camaleónico, de uma sedutora frescura, charmoso, irónico, insolente, elegante e com uns certos laivos edipianos. Pascal Greggory no papel de Beaumagnan, um rival de Lupin que ambiciona não só o tesouro, mas também a condessa, está genial e é pena não lhe ser dado mais tempo de ecrã. O mesmo vale para Eva Green (“The Dreamers”, 2003, de Bernardo Bertolucci) como Clarisse de Dreux-Soubise, a prima de Lupin.


Jean-Paul Salomé faz um bom trabalho de contextualização da personagem de Arsène Lupin, permitindo-nos compreender as suas motivações. É pena que o perca muitas vezes, pelo meio da história.


De todos modos, a fluidez dos ingredientes de romance, suspense, traição, luta por poder e sedução, permite um divertimento sem consequências de maior.


No final, com o despojar das máscaras, fica a sugestão, apetecível, de que o herói de um novo filme tenha surgido. É esperar para ver.






CITAÇÕES:


“Détourner l’attention, voilà la clef. Si tu t’en rappelles, personnes ne t’arrêtera jamais.”
AURÉLIEN WIIK (Jean Lupin)




















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