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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Yo Soy La Juani *

15.07.08, Rita

Realização: Bigas Luna. Elenco: Jim Verónica Echegui, Dani Martín, Laya Martí, Gorka Lasaosa, José Chaves, Mercedes Hoyos, Ferran Madico. Nacionalidade: Espanha, 2006.





Se “Yo Soy La Juani” pretende ser um retrato realista da juventude espanhola, só posso dar graças por duas coisas: (1) não ser espanhola, (2) já não encaixar nessa classe “juventude”. E chamem-me preconceituosa, mas este fascínio pelo tunning sempre me soou a escape para muitos recalcamentos...


Juani (Verónica Echegui) é uma jovem frustrada dos subúrbios, filha de pais frustrados, uma mãe (Mercedes Hoyos) que gostaria de ter sido cantora e um pai (José Chaves) alcoólicoque está prestes a perder a casa em que vivem. Juani quer se actriz, mas trabalha como caixa num supermercado para juntar dinheiro para o namorado Jonah (Dani Martín) poder fazer todas as alterações possíveis no seu carro, incluindo aumentar em muito os decibéis do sistema de som. Depois de uma traição de Jonah, Juani decide ir para Madrid com a sua amiga Vane (Laya Martí) e tentar a sua sorte.


Bigas Luna optou por modernizar o filme com recurso a impressões no ecrã dos sms trocados entre as personagens e transformando os sonhos de Juani em videoclips para os artistas contemplados na banda sonora. Desenhou superficialmente todas as personagens e enfiou-as dentro de estereótipos bem estanques. O exagero com que o fez não poderia ter outra consequência que o ridículo, impossibilitando qualquer identificação com a protagonista.


A interpretação de Verónica Echegui (por vezes numa parecença assustadora com Natalie Portman) limita-se a uma saliência visual, só se destacando porque a contracena é ainda mais fraca, como é o caso do vocalista do grupo ‘El Canto del Loco’, Dani Martín.


Mas o problema de fundo do argumento de Bigas Luna (“Jamón, Jamón”) é simples: o conteúdo. Que não existe Como retrato de um ritual de passagem para a idade adulta é, no mínimo, deprimente. Tal como o ambiente sem futuro onde Juani vive, tal como a Madrid onde pensa encontrá-lo. Tal como esse sonho de fama (vazio de vocação ou de trabalho) que parece marcar a gerações mais novas.


No país vizinho, “Yo Soy La Juani” esteve rodeado de uma máquina publicitária bem oleada, que incluiu um mediático casting, de onde saiu Verónica Echegui. Só posso imaginar que a frustração teria sido muito maior num contexto de expectativas elevadas. Mas talvez a juventude seja isso mesmo: só fogo de vista. Espero que não.
















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