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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Happening **

03.07.08, Rita

Realização: M. Night Shyamalan. Elenco: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Ashlyn Sanchez, Betty Buckley, Spencer Breslin, Robert Bailey Jr., Frank Collison, Jeremy Strong, Alan Ruck, Victoria Clark. Nacionalidade: EUA / Índia, 2008.





Um dia em Central Park, as pessoas começam a perder o seu fio de raciocínio, ficam desorientadas e começam a suicidar-se. Elliot Moore (Mark Wahlberg), um professor de ciências em Filadélfia, a sua mulher Alma (Zooey Deschanel), o seu amigo Julian (John Leguizamo) e a filha deste (Ashlyn Sanchez), encontram-se num comboio para a Pensilvânia, quando são interceptados por esta praga. Aquilo que primeiramente se pensa ser um ataque terrorista, parece ser de facto uma toxina que se espalha no ar e faz com que as pessoas se suicidem. Começando numa área de grande concentração populacional, rapidamente se alastra a localidades cada vez mais pequenas a noroeste. Na sua fuga, Elliot e Alma cruzam-se com o dono de um viveiro (Frank Collison) que introduz o elemento fulcral do filme: a capacidade das plantas desenvolverem hormonas que as protegem contra os seus inimigos.


M. Night Shyamalan já não me promete nada. Depois da desilusão de “Signs” conseguiu uma pequena redenção em “The Village”, para logo vir por aí abaixo com um deplorável “Lady in the Water”. Talvez por isso, “The Happening” não tenha sido exactamente uma desilusão, mas mais uma confirmação de que Shyamalan esgotou as suas capacidades de argumentista e que os seus atributos como realizador de pouco valem quando se limita a um onanismo autista.


Shyamalan aposta mais uma vez no psicológico, privando-nos do sangue e do terror visual, e acentuando a calma e apreensão de quem não sabe do que foge e pode muito bem estar a correr em direcção ao desastre. Infelizmente, quando pára de nos tentar assustar para nos fazer pensar “The Happening” perde intensidade. E dada a flacidez do (diria mesmo ridículo) argumento, damos por nós a desejar um pouco mais de gore.


Não se pode negar a criatividade de Shyamalan em matéria de suicídios, mas a repetição torna-se exaustiva, para culminar num desvario de loucura sem explicação e num ainda mais inverosímil happy end (pelo caminho há um tubo de comunicação entre duas casas... sim, isso!). Shyamalan deleita-se na passagem e no vento em câmara lenta (ainda estou para perceber como é que as árvores provocam vento, ou se os arbustos e a relva também tinham poderes...). É curioso que, sabendo que a toxina existe no ar, todos insistem em andar ao ar livre e com os vidros dos carros abertos.


O desperdício de actores torna-se inevitável e Mark Wahlberg é incapaz de incutir empatia por um herói que nada faz de heróico a não ser colocar a sua vida em risco (e a de uma criança no processo) para poder morrer junto da sua amada. O que “The Happening” vem provar uma vez mais é a eficácia da perspectiva de apocalipse na terapia de casal. Shyamalan dá o ar da sua graça como a voz ao telefone de Joey, o amante de Alma.


Quem procura respostas, desengane-se. Os inexplicáveis actos da natureza continuarão inexplicados. E longe de ser um poderoso filme pro-ambiental, “The Happening” acaba por parecer um estímulo à desflorestação. Mais piscadelas de olho como um outdoor dizendo ‘You Deserve This!’ teriam dado algum sabor a esta insossa obra.


De todos modos, se a natureza nos dá olhos azuis como os de Zooey Deschanel (a parceira de M.Ward no projecto musical She & Him) peço-vos que tomem os devidos cuidados com as vossas plantas. Mesmo com as férias à porta, não se esqueçam de as regar.

















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