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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Be Kind Rewind ****

18.09.08, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Michel Gondry. Elenco: Jack Black, Mos Def, Danny Glover, Mia Farrow, Melonie Diaz. Nacionalidade: EUA, 2008.


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ALIGN=JUSTIFY>Em Passaic, New Jersey, no clube vídeo ‘Be Kind Rewind’ pode-se alugar um filme à escolha, desde que seja em VHS. Com a renda em atraso e a possibilidade de fecho da loja torna-se uma ameaça realista. Por isso o seu dono, Elroy Fletcher (Danny Glover), decide ausentar-se por uns dias para investigar a concorrência, dando instruções precisas ao seu pupilo Mike (Mos Def) para que não deixe o seu amigo Jerry (Jack Black) entrar na loja. Fletcher sabe que Jerry é um desastre ambulante. A mais recente obsessão de Jerry é com a central eléctrica perto da sua casa, que ele acredita estar a enchê-lo de radiações. Numa frustrada tentativa de a sabotar, Jerry acaba por ficar magnetizado e, quando vai visitar Mike à ‘Be Kind Rewind’, a sua energia apaga todos os vídeos disponíveis para aluguer. Para impedir que o negócio vá por água abaixo, os dois amigos optam pela solução pouco convencional de filmarem eles mesmos, com a ajuda da empregada de lavandaria Alma (Melonie Diaz), as versões substitutas dos filmes. E assim, passam a cobrar 20 dólares por filmes de 20 minutos que têm de ser requisitados com 24 horas de antecedência, com a desculpa de que os mesmos vêm da Suécia.

ALIGN=JUSTIFY>“Be Kind Rewind” é sobretudo uma sincera homenagem ao cinema, a todo o tipo de cinema, sem sequer excluir os maus filmes que fazem parte do imaginário de todos nós, e à acessibilidade que este passou a ter através do vídeo. E se aqui a narrativa é mais fraca que as que Michel Gondry nos tem habituado (“Eternal Sunshine of the Spotless Mind”, “La Science des Rêves”), ele compensa largamente em paixão, entusiasmo e criatividade. Salvar a loja é totalmente secundário quando temos o prazer de ver as reconstruções imaginativas de Mike e Jerry (ou melhor, de Gondry). E as versões de filmes como “Ghostbusters”, “Driving Miss Daisy”, “Rush Hour”, “The Lion King”, “RoboCop” ou “2001: A Space Odyssey” são perfeitamente delirantes.

ALIGN=JUSTIFY>À semelhança de “La Science des Rêves”, também este é um mundo infantil com pequenas maravilhas feitas à mão. Um universo onde as aulas de trabalhos manuais da escola fazem todo o sentido, quando compradas com as vazias teorias universitárias. Mas ainda que “Be Kind Rewind” mantenha muita da inocência dos filmes anteriores é, de longe, o menos melancólico.

ALIGN=JUSTIFY>Também aqui as personagens de Gondry se descobrem a si mesmas e reinventam-se (ao mesmo tempo que o negócio da loja renasce) de uma forma quase onírica. Nos opostos, equilibra-se a doçura e timidez de Mike com a expansividade de Jerry, num casting feito à medida.

ALIGN=JUSTIFY>E se a literatura dificilmente pode ser entendida se for escrita ao contrário, o cinema é tão emocionante visto de um lado do ecrã como do outro.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“I'm Bill Murray, you're everybody else.”
MOS DEF (Mike)


ALIGN=JUSTIFY>“Jerry – How come you never got married Mr. Fletcher?
Elroy Fletcher – Well, the common story is, the girl that you's gon' ask you waited too long to ask. She went on to marry somebody else and then you can't find anybody to compare to her, so what happens?... You get old.”
JACK BLACK (Jerry) e DANNY GLOVER (Elroy Fletcher)

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Our past is ours. So we can change it if we want to.”
MIA FARROW (Ms. Falewicz)














La Soledad ***1/2

17.09.08, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Jaime Rosales. Elenco: Sonia Almarcha, Petra Martínez, Miriam Correa, Nuria Mencía, María Bazán, Jesús Cracio, Lluís Villanueva, Luis Bermejo, Juan Margallo, José Luis Torrijo, Carmen Gutiérrez. Nacionalidade: Espanha, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>Adela (Sonia Almarcha) está separada do pai do seu filho de um ano, e decide deixar a aldeia onde vive rumo a Madrid. Antonia (Petra Martínez) tenta mediar os conflitos entre as suas três filhas adultas: Helena (María Bazán), que lhe pede dinheiro para comprar um apartamento na praia; Nieves (Nuria Mencía), a quem foi detactado um cancro; e Inés (Miriam Correa), que acaba por alugar um quarto do apartamento onde vive a Adela.

ALIGN=JUSTIFY>A composição rígida de Jaime Rosales serve um claro propósito nesta meditação sobre a solidão e a ilha que é cada ser humano, numa eterna e vã tentativa de se ligar aos outros. Formalmente, Rosales optou por dividir o ecrã em duas metades, numa técnica denominada ‘polivisão’, na qual duas câmaras fixas acompanham uma mesma cena mas de um ângulo distinto. Mesmo quando isso não acontece, as cenas estão marcadas por elementos verticais que deliberadamente as cortam.

ALIGN=JUSTIFY>Ao moverem-se entre cada uma destas metades, as personagens abandonam um espaço para entrar noutro, e Rosales continua a mostrar-nos o espaço vazio, aquele exacto espaço que fica quando as pessoas se vão. Da mesma forma que um espaço anteriormente vazio retoma o seu sentido quando alguém entra nele. É inevitável fazer-se uma leitura emocional deste processo, que tem tanto de escolha deliberada como de arbitrário.

ALIGN=JUSTIFY>É também o elemento arbitrário que vem perturbar a rotina com a qual Rosales nos anestesiou durante a primeira metade do filme. E sim, pelo seu compasso lento, “La Soledad” exige empenho por parte do espectador. É curioso depois observar como a única forma de lidar com a tragédia é descobrir uma nova rotina, a tranquilidade dos gestos e das palavras do dia-a-dia.

ALIGN=JUSTIFY>Rosales joga com as regras da ficção e do documentário para nos dar algo que se confunde entre um e outro. O nosso olhar curioso é posto do lado de fora de janelas e portas, porque nós não pertencemos ao mundo que eles nos está a mostrar, porque ali, tal como na vida, os grandes acontecimentos são vividos na intimidade. E, por isso, consegue ser tão constrangedor assistir à agressividade que emana de conversas educadas que camuflam rancores e acusações.

ALIGN=JUSTIFY>O elenco não tem nomes sonantes, e “La Soledad” acaba por beneficiar exactamente desse facto. Não que as interpretações não sejam suficientemente fortes para as tomarmos por reais, porque são, mas porque onde poderíamos vislumbrar a entidade ‘actor’, apenas vemos pessoas.

ALIGN=JUSTIFY>Para adicionar ainda mais crueza, a banda sonora é inexistente. Os ruídos são apenas (apenas?) os da cidade. Mas o maior barulho, esse, é feito pelos silêncios.








The Savages ****

16.09.08, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Tamara Jenkins. Elenco: Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco, Peter Friedman, David Zayas, Gbenga Akinnagbe, Cara Seymour, Tonye Patano. Nacionalidade: EUA, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>Quando a mulher o abandonou, Lenny Savage (Philip Bosco) tornou-se um pai solteiro muito longe do exemplar. Já adultos, os seus filhos ainda lhe guardam profundos rancores. Wendy, (Laura Linney) é uma aspirante a dramaturga de 39 anos que vive em Nova Iorque e que tem em mãos uma peça de teatro subversiva e auto-biográfica. Jon (Philip Seymour Hoffman) de 42 anos é autor de livros sobre teatro e dá aulas sobre Bertolt Brecht numa universidade em Buffalo.

ALIGN=JUSTIFY>Após a morte da namorada Doris, em Sun City, Arizona, Lenny vê-se à beira do desalojamento quando os filhos de Doris querem vender a casa. Num agravado processo de demência, Lenny começa a escrever na parede com os seus próprios excrementos. Egoístas e egocêntricos, Wendy e Jon dão por si a ter de tomar conta de um pai que nunca tomou conta deles. Enquanto Jon procura uma casa de repouso em Buffalo, Wendy vê-se repentinamente no papel maternal.

ALIGN=JUSTIFY>É a sensibilidade da realizadora e argumentista Tamara Jenkins que fazem de “The Savages” a pequena pérola que é (ingratamente relegado numa passagem directa a DVD). O diálogo é aguçado e mordaz, sem que as personagens sejam extraordinariamente engraçadas ou talentosas. As suas dores de crescimento são as de toda a gente. Sem tragédias imensas, ou grandes cenas de choro, o sofrimento é vivido, essencialmente, em silêncio. A culpa desesperada de escolher um lar, a tentativa de tornar esse lar confortável para minimizar um acto que se interpreta de abandono. Porque esta cultura não venera os seus idosos, mas também não sabe aceitar o fim.

ALIGN=JUSTIFY>Wendy e Jon são forçados a olhar para o seu passado e para o seu presente, mas Jenkins recusa entrar nos horrores das suas infâncias, porque as razões não interessam. O que é importante é como lidam eles com as suas cicatrizes, essa incapacidade que ficou de assumirem plenamente as suas relações. Wendy vive uma relação sem futuro com um homem casado, limitando o seu apego a um gato e um feto. Jon, tem uma namorada polaca a quem se recusa pedir em casamento, que seria a única forma de a manter nos Estados Unidos.

ALIGN=JUSTIFY>E tudo isto é feito de pequenos momentos, pequenas palavras, pequenos olhares, sem melodramas e sem maus da fita. A subtileza e a sinceridade das interpretações tornam difícil ver ali dois actores. Também porque Jenkins é dura com as suas personagens. “The Savages” assume a ausência de uma solução-chave para lidar com o envelhecimento ou a morte de um progenitor.

ALIGN=JUSTIFY>Ninguém sobrevive intacto à sua infância. Não é suposto. O que sim, devemos a nós mesmos, é acreditar no nosso direito à felicidade.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“We don't have to go after him Wendy; we're not in a Sam Shepard play.”
PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (Jon)


ALIGN=JUSTIFY>“Maybe dad didn't abandon us. Maybe he just forgot who we were. ”
LAURA LINNEY (Wendy)

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Jimmy – Are you married?
Wendy – No... but my boyfriend is.”
GBENGA AKINNAGBE (Jimmy) e LAURA LINNEY (Wendy)














21 **

14.09.08, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Robert Luketic. Elenco: Jim Sturgess, Kevin Spacey, Kate Bosworth, Aaron Yoo, Liza Lapira, Jacob Pitts, Laurence Fishburne, Jack McGee, Josh Gad, Sam Golzari. Nacionalidade: EUA, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>Ben Campbell (Jim Sturgess) é um estudante de matemática do MIT que, depois de lhe ver negada uma bolsa de estudo para medicina em Harvard, se junta a um grupo de colegas, liderado pelo Professor Micky Rosa (Kevin Spacey), especializado em arrecadar grandes somas de dinheiro contando cartas nas mesas de blackjack dos casinos de Las Vegas.

ALIGN=JUSTIFY>Baseado livremente numa história real, o argumento de Peter Steinfeld e Allan Loeb adapta o livro de Ben Mezrich ‘Bringing Down the House’. O cálculo de probabilidades e um sistema de códigos praticamente indetectáveis, permitem a um grupo de jovens combater a rotina das suas actividades académicas, de uma forma rentável e perfeitamente legal.

ALIGN=JUSTIFY>Durante a semana, passada calmamente em Boston no meio dos livros, Ben, Jill (Kate Bosworth), Fisher (Jacob Pitts), Choi (Aaron Yoo) e Kianna (Liza Lapira) fingem que não se conhecem. No fim-de-semana em Las Vegas, injectados de adrenalina, têm também de fingir não se conhecer. No entanto, o perito de segurança de casinos Cole Williams (Laurence Fishburne) e o emergente software biométrico de reconhecimento facial serão os seus maiores adversários.

ALIGN=JUSTIFY>“21” não é exactamente original e pode ser reduzido a um imaturo “Ocean's Eleven”. Mas, tal como o seu protagonista, que acaba de atingir a maioridade dos 21 (outra das denominações do blackjack), tem a potencialidade. Mas Robert Luketic (“Legally Blonde”) parece fugir à densidade moral que as opções do seu protagonista implicam. A sedução do dinheiro, a possibilidade de ser outra pessoa em cada novo golpe, a injecção de auto-confiança com o êxito, o sacrifício das amizades, o vício físico e mental que o imprevisto e a insegurança provocam. Em contrapartida, “21” padece de um probema de ritmo que o tornam demasiado longo para a história que quer contar.

ALIGN=JUSTIFY>Se alguém deve personalizar o diabo que tentou Fausto, esse deveria ser Kevin Spacey. E se há que ser-se dissimulado, que seja ao som da belíssima "Time To Pretend" dos MGMT.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Always account for variable change.”
KEVIN SPACEY (Prof. Micky Rosa)


ALIGN=JUSTIFY>“It's not gambling, it's a system.”
KEVIN SPACEY (Prof. Micky Rosa)












Hellboy II: The Golden Army ***

12.09.08, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Guillermo del Toro. Elenco: Ron Perlman, Selma Blair, Doug Jones, James Dodd, Jeffrey Tambor, John Alexander, Luke Goss, Anna Walton, Seth MacFarlane (voz), John Hurt. Nacionalidade: EUA / Alemanha, 2008.


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ALIGN=JUSTIFY>Depois de “El Laberinto del Fauno” e à laia de aquecimento para “The Hobbit”, Guillermo del Toro apresenta-nos a sequela de “Hellboy”.

ALIGN=JUSTIFY>Em tempos idos houve uma guerra entre os humanos e todas as outras criaturas, cuja trégua foi selada com a atribuição das cidades aos humanos, e deixando as florestas a cargo dos elfos, trolls e outros. No tempo presente é evidente que este acordo não foi cumprido pelos humanos, e o príncipe elfo Nuada (Luke Goss) procura a vingança que reponha o equilíbrio. Para isso tem de despertar um exército de invencíveis robots dourados, contrariando a vontade da sua irmã Nuala (Anna Walton). Do lado dos humanos, está a equipa da agência secreta de percepção extra-sensorial coordenada por Tom Manning (Jeffrey Tambor) e que compreende seres bem para lá do humano: o nosso herói Hellboy (Ron Perlman), o seu colega Abe Sapien (Doug Jones), uma espécie de peixe, Liz Sherman (Selma Blair), a combustível namorada de Hellboy, e ainda o conselheiro Johann Kraus (voz de Seth MacFarlane, criador de Family Guy).

ALIGN=JUSTIFY>“Hellboy II: The Golden Army” é indubitavelmente um filme de acção, mas tem personagens tão bem trabalhadas que, mesmo que não estivessem ocupadas a salvar o mundo, continuaríamos a querer conhecê-las. Ironicamente, os pontos fortes deste filme são exactamente esses, em que aqueles seres mutantes se revelam emotivamente humanos. Um surpreendente momento musical torna-se ainda mais desconcertante por não ser nada ridículo. Quem já chorou males de amor para dentro de uma garrafa perceberá.

ALIGN=JUSTIFY>A força e o humor na interpretação de Ron Perlman fazem de Hellboy um dos heróis mais imperfeitos (e, por isso mesmo, realista) que temos visto. Uma conjugação de texto e actor que extravasam do impressionante trabalho da equipa de próteses.

ALIGN=JUSTIFY>Das criaturas bizarras onde destaco os devoradores de cálcio (a origem da Fada dos Dentinhos?) às máquinas destruidoras de rodas dentadas, do ambiente soturno e em decomposição do mercado Troll ao misticismo da banda sonora de Danny Elfman, “Hellboy II: The Golden Army” tem a marca do surreal.








Estreia hoje

11.09.08, Rita
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ALIGN=CENTER>A opinião aqui.






QueerLISBOA 12

10.09.08, Rita


ALIGN=JUSTIFY>De 19 a 27 de Setembro volta a ter lugar o Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa.

ALIGN=JUSTIFY>No Cinema São Jorge, além da secção competitiva (longa-metragem, documentário e curta-metragem), terão lugar o ciclo QueerTV e as secção QueerArt e QueerPop.


ALIGN=CENTER>Para ver sem preconceitos.



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WALL-E ***1/2

09.09.08, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Andrew Stanton. Vozes V.O.: Ben Burtt (WALL-E), Elissa Knight (EVE), Jeff Garlin (Capitão), MacInTalk (Auto), John Ratzenberger (John), Kathy Najimy (Mary), Sigourney Weaver (Computador Axiom). Elenco: Fred Willard. Nacionalidade: EUA, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>Das mãos do criador de “Finding Nemo”, chega-nos “WALL-E”, um filme que é simultaneamente uma aventura de ficção científica, um empolgante filme de animação, uma deliciosa história de amor, tudo envolvido no deslumbre visual a que a Pixar já nos tem vindoa habituar.

ALIGN=JUSTIFY>700 anos no futuro, o grande plano é de uma cidade cheia de arranha-ceús. Mas, de perto, todos eles são feitos de lixo, eficientemente compactado em cubos e empilhado por WALL-E (Waste Allocator Load Lifter - Earth Class), o último ‘sobrevivente’ de robots movidos a energia solar criados pela empresa Buy ‘N’ Large para limpar as quantidades imensas de lixo deixado na Terra pelos humanos ávidos de consumo.

ALIGN=JUSTIFY>Desde que humanos deixaram o planeta e se instalaram na estação espacial Axiom, na órbita terrestre, que WALL-E repete os mesmos gestos: desperta ao som de abertura do Macintosh, faz os seus cubos na companhia de uma barata, colecciona pequenos tesouros que vai encontrando (como um Cubo de Rubik) e que guarda no armazém onde vive, juntamente com as suas peças suplentes. As suas noites passam-se em frente da televisão, vendo o filme “Hello Dolly!”. O seu mundo é desolado, triste e solitário.

ALIGN=JUSTIFY>Até ao dia em que uma nave larga uma sonda com o objectivo de detectar a existência de alguma forma de vida. Essa sonda chama-se EVE, é elegante, brilhante, moderna. E WALL-E tem aquilo que ela procura.

ALIGN=JUSTIFY>Enquanto isso, com a baixa gravidade na Axiom, os humanos movimentam-se em cadeiras flutuantes. O seu corpo obeso é reflexo da sua mente subjugada por uma corporação que pensa e decide por eles. A inovação tecnológica e a preguiça desenham um círculo vicioso de dependências.

ALIGN=JUSTIFY>O fascínio do universo criado por Andrew Stanton, que partilha a autoria da história com Pete Docter e a do argumento com Jim Reardon, é inflacionado por funcionar, em especial na Terra, quase sem diálogos. A expressividade das personagens é mecânica, e é também daí que deriva grande parte do humor de “WALL-E”. Tendo em conta o carácter universal (planetário) desta história, faz todo o sentido que assim seja.

ALIGN=JUSTIFY>“WALL-E” consegue ser um filme ambientalista sem ser moralista, é um olhar crítico sobre as pequenas alegrias analógicas no seio de uma era digital, e uma visão nostálgica da magia dos objectos inúteis que acumulamos.


ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#BBBBBB>NOTA: “WALL-E” é antecedido pela deliciosa curta-metragem “Presto!” de Doug Sweetland.



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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Computer, define 'dancing.'”
JEFF GARLIN (Captain)


ALIGN=JUSTIFY>“John, get ready to have some kids!”
KATHY NAJIMY (Mary)