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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Lisbon Village Festival 2008

28.04.08, Rita


ALIGN=JUSTIFY>Pouco mais se sabe sobre a terceira edição do Lisbon Village Festival, além de que irá decorrer de 8 de Maio a 8 de Junho e contará com a presença de Susan Sarandon.


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ALIGN=JUSTIFY>É ir espreitando o site oficial.










Late night with Nick Cave

22.04.08, Rita


ALIGN=CENTER>O pregador falou!

E todos se ergueram.


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ALIGN=CENTER>Mais um assunto pendente maravilhosamente resolvido.











Monstra 2008

21.04.08, Rita


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ALIGN=JUSTIFY>De 8 a 18 de Maio terá lugar a 7ª edição da Monstra | Festival de Animação de Lisboa.

ALIGN=JUSTIFY>O país em destaque será o Reino Unido e serão exibidos mais de 300 filmes, entre os quais o clássico “Yellow Submarine” de George Dunning. Este ano a Monstra estreia a competição internacional de curtas-metragens (55 obras, 10 das quais portuguesas), que alternará anualmente com a competição de longas.

ALIGN=JUSTIFY>As sessões terão lugar no Teatro Maria Matos, cinemas King, cinema São Jorge e Museu do Oriente (com oficinas de animação a decorrer no Museu da Marioneta).








Interview **1/2

18.04.08, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Steve Buscemi. Elenco: Sienna Miller, Steve Buscemi. Nacionalidade: EUA / Canadá / Holanda, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>“Interview” é o remake do filme de 2003 do holandês Theo van Gogh (descendente do irmão do outro Van Gogh). Faz parte de uma trilogia que o realizador tinha pensado adaptar ao mercado americano, antes de ter sido assassinado, em 2004, por um militante islamita em reacção ao seu filme “Submission”, que abordava a forma como as mulheres são tratadas nas nações muçulmanas. Os produtores Bruce Weiss e Gijs van de Westelaken decidiram dar continuidade a este projecto numa homenagem ao realizador. Dessa forma, o protagonista Steve Buscemi passou a co-argumentista e realizador – os outros dois filmes, “Blind Date” e “1-900” (remake de “06”) deverão ser realizados por Stanley Tucci e John Turturro, respectivamente).

ALIGN=JUSTIFY>Pierre Peders (Steve Buscemi) é um jornalista político castigado com um trabalho de perfil sobre uma celebridade, Katya (Sienna Miller). O seu primeiro contacto é marcado pelo desprezo mútuo. Katya está farta de fazer entrevistas e atrasa-se uma hora, Pierre, numa declarada falta de profissionalismo nem sequer pesquisou nada sobre ela. Um incidente conduz Pierre à casa de Katya (as maravilhas que eu fazia com aquele loft!!!) e é aí que se inicia entre eles uma escavação psicológica, onde camadas de defesa emocional vão sendo derrubadas. Ou talvez não.

ALIGN=JUSTIFY>As três câmaras digitais, utilizadas em simultâneo, ocupam o espaço (que poderia ser teatral) com agilidade, acompanhando a dança de poder que se estabelece entre os dois. Da sedução aos insultos, da compaixão à desconfiança, ela faz-se de tonta e ele faz-se de bêbado, ao ponto de não sabermos qual deles é o melhor actor, ou o melhor entrevistador.

ALIGN=JUSTIFY>Infelizmente, nenhuma das personagens parece ser movida por reais motivações, nem os seus subterfúgios nos surgem justificados. As circunstâncias não são sequer tão extremas que tornem a sua transformação plausível. Não se poderia, pois, esperar destes actores um trabalho superior a uma mediania onde nenhum deles normalmente reside.

ALIGN=JUSTIFY>“Interview” pretende ser um exame aos preconceitos sobre a celebridade e as celebridades, a essa indistinta fronteira onde termina a persona pública e começa a identidade privada. Um coisa é certa, se nos armarmos com condescendência e arrogância jamais chegaremos a conhecer a verdade do outro.








Youth Without Youth ****

15.04.08, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Francis Ford Coppola. Elenco: Tim Roth, Alexandra Maria Lara, Bruno Ganz, André Hennicke, Marcel Iures, Adrian Pintea, Alexandra Pirici. Nacionalidade: EUA / Alemanha / Itália / França / Roménia, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>Ao final de 10 anos, o regresso de Francis Ford Coppola recupera a temática do rejuvenescimento, já explorada em “Jack” (1996), com o mesmo romantismo mágico (e trágico) que ilustrava o seu “Dracula” (1992), curiosamente uma personagem originária do mesmo país que o autor de “Youth Without Youth”, o filósofo romeno Mircea Eliade.

ALIGN=JUSTIFY>Roménia, 1938, domingo de Páscoa. Dominic Matei (Tim Roth, “Don’t Come Knocking”) tem 70 anos e dedicou toda a sua vida ao estudo da linguagem e da sua origem, apesar de nunca ter terminado o livro que se propôs escrever. Chegado de Piatra Neamt a Bucareste sob uma forte tempestade, ao atravessar a rua, a sua mente concentrada num envelope azul, é atingido por um raio. Miraculosamente, Dominic sobrevive, e, sob o olhar curioso do Professor Stanciulescu (Bruno Ganz, “Der Untergang - A Queda”), revela-se um homem de 40 anos. Durante a sua recuperação, Dominic começa a ser atormentado por recordações de Laura (Alexandra Maria Lara, “Control”), o seu grande amor, e por um duplo de si mesmo que o questiona e desafia. Stanciulescu está intrigado com o processo de memória de Dominic, mas a sua preocupação concentra-se no forte interesse em Dominic por parte dos cientistas do Terceiro Reich, nomeadamente o Dr. Josef Rudolf (Andre M. Hennicke), que leva a cabo experiências sobre os efeitos da alta voltagem em animais. Com a ajuda do Professor e uma falsa identidade, Dominic foge para a Suiça, onde prossegue com a sua investigação. Dotado de poderes especiais na absorção de conhecimentos e de telecinesia, Dominic escapa-se aos espiões nazis gravando os seus apontamentos numa linguagem criada por ele mesmo. Anos depois, ele conhece Veronica (Alexandra Maria Lara novamente), um duplo de Laura que, após um incidente idêntico ao de Dominic, começa a ter episódios de regressão, nos quais assume vidas anteriores nos quais usa linguagem cada vez mais antigas. Dominic acredita que a linguagem modela a consciência humana e tem um papel determinante na ordem do mundo e do tempo. Em Veronica ele vê um veículo para atingir o estado de pré-linguagem, e a origem de onde todas as linguagens descendem.

ALIGN=JUSTIFY>“Youth Without Youth” é um puzzle psicológico fragmentado que se vai juntando num todo coerente, ligando décadas e continentes. Numa meditação filosófica e até metafísica, o tempo e a memória vão sendo questionados, o bem e o mal são contrapostos, assim como os fins e os meios, a realidade e a imaginação, o conhecimento e o amor.

ALIGN=JUSTIFY>A linguagem de Coppola é essencialmente simbólica: o rejuvenescimento é identificado com a sede de conhecimento, enquanto o passado como obsessão/prisão se converte em degradação. As metáforas corporizam-se em luz, espelhos, rosas e chapéus-de-chuva, sob a estética de film noir no misto de obscuridade e deslumbre da fotografia de Mihai Malaimare Jr. Esta leitura paralela, que somos desafiados a fazer, retira força às interpretações, ainda que Roth seja impreterivelmente magnético.

ALIGN=JUSTIFY>“Youth Without Youth” está marcado por uma forte dualidade, que se estende ao título do próprio filme, onde a “juventude” se repete. O uso de um duplo não se limita ao engenho narrativo da corrente de consciência, mas representa também o dois (ou mais?) que somos todos. Em cada um de nós convivem uma criança e um idoso, e a vida toda consiste na reconciliação de ambas, umas vezes ganhando uma, outras vezes a outra. Também o amor é mostrado em dobro: o primeiro, instintivo, desmedido e instável; o segundo, racional, ponderado e perene.

ALIGN=JUSTIFY>“Youth Without Youth” exige concentração e uma apetência pelo fantástico e pela magia, mas o envolvimento pessoal de Coppola que dele transpira não pode deixar de nos comover.


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Cœurs ****

11.04.08, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Alain Resnais. Elenco: Sabine Azéma, Isabelle Carré, Laura Morante, Pierre Arditi, André Dussollier, Lambert Wilson. Nacionalidade: França / Itália, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Aos 84 anos, Alain Resnais (“Smoking/No Smoking”, “On Connaît la Chanson”) arrecadou um Leão de Prata na edição de 2006 da Bienal de Veneza com este “Cœurs”, um estudo sobre o medo que deriva de uma aprendizagem através do sofrimento, o abismo que se abre dentro de nós mesmos entre aquilo que temos e aquilo que queremos, e a solidão que deriva de um e outro.

ALIGN=JUSTIFY>Nicole (Laura Morante) procura um novo apartamento com a ajuda do agente imobiliário Thierry (Andre Dussollier), com a exigência de ter espaço suficiente para que o seu noivo, Dan (Lambert Wilson), possa ter um escritório, um capricho apesar da sua actual condição de desempregado. O primeiro apartamento possui um quarto que foi dividido em dois para aumentar o número de assoalhadas, um símbolo claro para todas as divisões existentes entre as personagens, e dentro de cada uma delas em particular. Thierry trabalha com Charlotte (Sabine Azéma), fã do programa televisivo religioso “Ces chansons qui ont changé ma vie” (realizado dentro do filme por Bruno Podalydès: “Le Mystère de la Chambre Jaune” , “Paris, Je T’Aime”) que, ao final do dia, toma conta do agressivo e debilitado pai de Lionel (Pierre Arditi), empregado no bar de um hotel que Dan costuma frequentar. Quando Nicole deixa de tolerar a constante embriaguez de Dan e a sua falta de objectivos após ter sido demitido do exército, ele decide colocar um anúncio no jornal, e acaba por conhecer Gaëlle (Isabelle Carre), a irmã mais nova de Thierry.

ALIGN=JUSTIFY>Usando um elenco dos seus regulares, Resnais encena a adaptação de Jean-Michel Ribes da peça de teatro "Private Fears in Public Places" do inglês Alan Ayckbourn. Mais do que as interpretações, ou a gestão do espaço cénico, o tom teatral é evidente sobretudo na iluminação, com a fotografia de Eric Gautier a impregnar o filme de um misto de intimidade e frieza onde a transição de cenas é marcada com uma cortina de neve. Aliás, os elementos de separação marcam todo o filme: um vidro opaco no escritório de Thierry e Charlotte, uma cortinas de tiras entre Lionel e Dan no bar, um biombo orgânico na casa de Dan e Nicole, uma janela exígua entre a sala e cozinha na casa de Thierry e Gaëlle, uma porta para o quarto onde apenas se vêem os pés da cama do pai de Lionel. Tudo isto funcionando como paredes translúcidas, ao contrário das verdadeiramente intransponíveis – aquelas que cada um tem dentro de si.

ALIGN=JUSTIFY>Resnais vai gradualmente iluminando (ou escurecendo?) o interior destas personagens que, como apartamentos vazios, procuram alguma forma de ligação emocional. Duas pessoas que trabalham anos a fio ao lado uma da outra e mal se conhecem; dois irmãos que, vivendo juntos, escondem as suas inquietações com mentiras. Mas, neste processo duro e cruel, e não isento de humilhações, todos recusam pedir ajuda, ainda que a ofereçam a outros inclusive de formas pouco convencionais. Sem cair no melodrama, “Cœurs” vive de um cómico de situação alicerçado nos segredos.

ALIGN=JUSTIFY>A entrega aos nossos desejos está longe de ser um caminho fácil, especialmente perante situações de desmoronamento (a desintegração de um casamento, a debilidade física e mental de alguém que amamos, ou a perda de esperança na possibilidade de amor). O acomodamento continuará a ser, para tantos, o único (e triste) caminho. Como uma cassete de vídeo, na nossa vida vamos gravando, repetidamente, novos presentes. Mas escondido, numa camada anterior, jaz o nosso passado, os nossos segredos, e, tantas vezes, os nossos sonhos.

ALIGN=JUSTIFY>Somos o que somos. Que outro poderíamos ser?


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Je suis ce que je suis. Après tout, qu’est-ce qu’on peut être à part soi?”
PIERRE ARDITI (Lionel)












IndieLISBOA 2008

09.04.08, Rita


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ALIGN=JUSTIFY>A 5.ª edição do Festival de Cinema Independente de Lisboa terá lugar de 24 de Abril a 4 de Maio de 2008.

ALIGN=JUSTIFY>Entre curtas e longas-metragens, 238 filmes estarão em visionamento (83 longas e 155 curtas), dos quais 23 são estreias mundiais. A secção Observatório trará as últimas obras de realizadores como Abel Ferrara, Mike Leigh, Jacques Doillon ou Shinji Aoyama. Na secção Herói Independente serão homenageados os realizadores Johnnie To (Hong Kong) e José Luís Guerin (Espanha) e ainda o Novo Cinema Romeno. Mas, este ano, a secção que me desperta mais interesse é, sem dúvida alguma, a IndieMusic, com obras sobre Joy Division, Lou Reed, Patti Smith e Scott Walker, entre outros.

ALIGN=JUSTIFY>As sessões irão distribuir-se pelo Fórum Lisboa, Cinema Londres, o Teatro Maria Matos e o cinema São Jorge. A abertura das “hostilidades” será feita com o filme “My Blueberry Nights” de Worg Kar-Wai e o encerramento com a última obra de Ken Loach, “It’s a Free World”.

ALIGN=JUSTIFY>O preço dos bilhetes normais é de 3,50 euros (5,00 euros para a sessão de abertura, encerramento e filmes-concerto), com opção de vouchers de 20 bilhetes (disponíveis até dia 23 de Abril) pelo valor de 54 euros.

ALIGN=JUSTIFY>Numa ginástica consideravelmente menos complicada que a do ano passado, aqui deixo a minha selecção:


ALIGN=LEFT>COLOR=#AAAAAA>24, quinta-feira

21h30 - São Jorge 1 - COLOR=#E90909>MY BLUEBERRY NIGHTS
, de Wong Kar Wai

COLOR=#AAAAAA>25, sexta-feira

22h00 - Fórum Lisboa - COLOR=#E90909>JOY DIVISION
, de Grant Gee

COLOR=#AAAAAA>26, sábado

21h45 - Londres 1 - COLOR=#E90909>PINK
, de Alexander Voulgaris

COLOR=#AAAAAA>27, domingo

21h45 - São Jorge 1 - COLOR=#E90909>HAPPY GO LUCKY
, de Mike Leigh

COLOR=#AAAAAA>28, segunda-feira

21h15 - São Jorge 2 - COLOR=#E90909>INTROSPECTIVE
, de Aram Garriga

COLOR=#AAAAAA>30, quarta-feira

23h45 - Teatro Maria Matos - COLOR=#E90909>BOXING DAY
, de Kriv Stenders

COLOR=#AAAAAA>01, quinta-feira

19h00 - São Jorge 1 - COLOR=#E90909>MOMMA'S MAN
, de Azazel Jacobs

COLOR=#AAAAAA>02, sexta-feira

21h30 - Teatro Maria Matos - COLOR=#E90909>PATTI SMITH:DREAM OF LIFE
, de Steven Sebring
23h30 - Londres 2 - COLOR=#E90909>LE PREMIER VENU
, de Jacques Doillon

COLOR=#AAAAAA>03, sábado

17h45 - Londres 2 - COLOR=#E90909>SAD VACATION
, de Shinji Aoyama
19h00 - Fórum Lisboa - COLOR=#E90909>GO GO TALES
, de Abel Ferrara
21h30 - Teatro Maria Matos - COLOR=#E90909>LOU REED'S BERLIN
, de Julian Schnabel

COLOR=#AAAAAA>04, domingo

18h30 - São Jorge 2 - COLOR=#E90909>LEFT EAR
, de Andrew Wholley
21h30 - Teatro Maria Matos - COLOR=#E90909>SCOTT WALKER: 30 CENTURY MAN
, de Stephen Kijak




ALIGN=JUSTIFY>Mais detalhes no site oficial.




















Vantage Point **1/2

07.04.08, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Pete Travis. Elenco: Dennis Quaid, Matthew Fox, Forest Whitaker, Bruce McGill, Edgar Ramirez, Saïd Taghmaoui, Ayelet Zurer, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, William Hurt, James LeGros, Eduardo Noriega. Nacionalidade: EUA, 2008.


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ALIGN=JUSTIFY>O Presidente americano, Ashton (William Hurt) chega à Plaza Mayor de Salamanca para apresentar um tratado internacional que condensa os esforços na luta contra o terrorismo. Rex Brooks (Sigourney Weaver), produtora de um noticiário televisivo, dá as últimas indicações às câmaras e à jornalista Angie Brooks (Zoe Saldana) quando o Presidente se prepara para discursar. Mas, antes sequer de falar, dois disparos fazem-no cair por terra. Poucos instantes depois uma bomba explode.

ALIGN=JUSTIFY>O argumento de Barry L. Levy leva-nos para 23 minutos antes e acompanhamos então o agente dos Serviços Secretos Thomas Barnes (Dennis Quaid) que, com o seu colega Kent Taylor (Matthew Fox), transportam o Presidente para o local. Pouco após a explosão, a acção é de novo rebobinada, e o ponto de vista é o do polícia espanhol Enrique (Eduardo Noriega), apanhado no meio dos acontecimentos. De seguida é a vez do turista americano Howard Lewis (Forest Whitaker) que, inadvertidamente, filma pormenores importantes do atentado. E, por fim, o do Presidente Ashton, num dilema entre os riscos para a sua segurança e as suas responsabilidade profissionais.

ALIGN=JUSTIFY>Todas as personagens são conduzidas a um mesmo momento de caos e morte, a partir do qual a narrativa se desenrola linearmente, para prejuízo do próprio filme. A gestão cuidada da informação que ia sendo revelada em cada novo segmento, o evitar de repetições desnecessárias e a sua consistência global (se excluirmos o facto dos conspiradores umas vezes falarem espanhol entre si outras não), servem apenas de prelúdio a uma grande cena de perseguição pelas ruas da cidade – muito bem filmada há que conceder (mesmo que o robusto Opel Corsa não apresente um único airbag - obrigada N. pela observação).

ALIGN=JUSTIFY>Enquanto se foca nos pontos de vista pessoais, “Vantage Point” consegue manter-nos agarrados, para logo nos perder quando se alarga ao geral. O abandono da estrutura, que é afinal o único ponto de originalidade (mesmo não sendo uma inovação), vem desmascarar um banal “salvar o presidente”, e a linearidade do cliché toma conta do filme. O presidente americano é surpreendentemente corajoso, a sua força de segurança está totalmente apaixonada por ele, as motivações dos terroristas não são sequer exploradas ou discutidas – fazendo com que a sua dúbia moralidade seja não só inverosímil como também ridícula.

ALIGN=JUSTIFY>O bom elenco é subaproveitado num filme marcado pela superficialidade e por personagens unidimensionais. A presença de Sigourney Weaver é empolgante mas curta, Dennis Quaid faz o que pode com um homem atormentado pelo seu passado, Matthew Fox parece estar apenas a tentar descolar-se da imagem de Jack em “Lost”, o portentoso Forest Whitaker está transformado num delicodoce com queda para o auto-sacrifício e William Hurt, bem, William Hurt é grande demais para um filme destes.

ALIGN=JUSTIFY>O espectador de cinema de ficção tem uma impressionante capacidade para aceitar um número inimaginável de coincidências, especialmente quando o objectivo é o puro entretenimento. Mas, mesmo assim, há exigências básicas ao nível da coerência entre aquilo que uma personagem é e as suas acções.

ALIGN=JUSTIFY>E se, no meio de tudo isto, a tragédia é criada com base num plano elaborado, o triunfo parece surgir de um mero acaso, sem méritos. Talvez esse seja um irónico paralelismo com o combate ao terror.

ALIGN=JUSTIFY> ‘Vantage Point’ tem, na língua inglesa, um duplo significado. Quando referente a um lugar significa um sítio normalmente elevado de onde se consegue ter uma visão abrangente de uma área. Quando associado a indivíduos, refere-se a um ponto de vista ou conjunto de opiniões pessoais. Mas “Vantage Point”, o filme, restringe o seu foco e não consegue transmitir mais do que uma visão. Uma obra irrisória, sob qualquer ponto de vista.








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