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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Le Scaphandre et le Papillon *****

18.10.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Julian Schnabel. Elenco: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny, Patrick Chesnais, Niels Arestrup, Olatz Lopez Garmendia, Jean-Pierre Cassel, Marina Hands, Max von Sydow, Isaach De Bankolé, Emma de Caunes. Nacionalidade: França / EUA, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>Jean-Dominique Bauby era chefe de redacção da revista feminina Elle quando, a 8 de Dezembro de 1995, um acidente vascular cerebral o confinou, aos 44 anos, a uma cama, num estado apelidado de ‘locked-in syndrome’ e sem outro meio de comunicação com o exterior a não ser o seu olho esquerdo. Depois do desespero inicial, e sempre consciente, Bauby dá-se conta que ainda mantém a sua identidade intacta e, com ela, a sua divertida ironia e a sua imaginação.

ALIGN=JUSTIFY>A comunicação é feita piscando o olho: uma piscadela não sim e duas para não. Um alfabeto ordenado da letra mais utilizada na língua francesa para a menos é-lhe ditado e Bauby indica, piscando, quais as letras que pretende. Antes do acidente, Bauby tinha um contrato para a escrita de um livro, acordo que ele decide manter, assumindo a tarefa hercúlea de o escrever com a pálpebra. Com a ajuda da secretária Claude (Anne Consigny, “Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé”), Bauby escreve o livro que dá título ao filme. Uma letra, uma palavra, uma frase, um parágrafo, um texto, um livro, é este caminho que lhe dá forças cada dia, apesar da sua incapacidade.

ALIGN=JUSTIFY>Outro filme também centrado num homem imóvel e de vontade férrea foi “Mar Adentro”, de Alejandro Amenabar. É curioso observar como duas situações limite são enfrentadas de formas tão opostas. O escafandro e a borboleta são símbolos da prisão do corpo e da liberdade da mente de Bauby, e da sua luta interna contra a adversidade externa.

ALIGN=JUSTIFY>“Le Scaphandre et le Papillon” está brilhantemente filmado por Julian Schnabel, que nos seus anteriores filmes tinha também abordado dois outros criadores em luta: o pintor Basquiat, no filme homónimo, e o escritor Reinaldo Arenas, em “Before Night Falls”. Aqui ele adopta o ponto de vista (literal) de Bauby, imobilizando a câmara e deixando-nos ver apenas o que está dentro do seu campo de visão. À medida que o filme avança e Bauby se começa a libertar através do seu livro, também Schnabel alarga os seus movimentos e move-se em dois sentidos: (1) para dentro da mente de Bauby e da sua imaginação; (2) para fora dele e visto pelas pessoas mais próximas: os seus filhos, a mãe dos seus filhos (Emmanuelle Seigner, “La Vie en Rose”), a sua ortofonista (Marie-Josée Croze, “Ne Le Dis À Personne”), o seu amigo Laurent (Isaach De Bankolé, “Coffee and Cigarettes”), e o seu pai (Max von Sydow, “Intacto”).

ALIGN=JUSTIFY>O argumento de Ronald Harwood (premiado pelo guião de “The Pianist”) e a fotografia de Junusz Kaminski (“Munique”) traduzem o mundo interior de Bauby em palavras e imagens, naquela que é uma história de reaprendizagem e da humanidade na relação entre paciente e terapeutas. A montagem ágil serve a história e nunca é intrusiva na narrativa.

ALIGN=JUSTIFY>Mathieu Amalric (“Rois et Reine”) com uma extrema expressividade emocional (pelo seu rosto, pelo seu corpo e em especial pela sua voz) interpreta, de uma forma poderosa e sentida, mas sem sentimentalismos, um homem que, sem se mexer, ele faz a maior viagem da sua vida.

ALIGN=JUSTIFY>Mas é sem o humor de Bauby e sobretudo sem o seu cinismo que vale a pena perguntar: que razões podem existir para cada um de nós abdicar dessa viagem e de todas as emoções que ela nos proporciona?



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Planet Terror ****

16.10.07, Rita

Realização: Robert Rodriguez. Elenco: Freddy Rodríguez, Rose McGowan, Marley Shelton, Josh Brolin, Michael Biehn, Naveen Andrews, Michael Parks, Jerili Romeo, Tom Savini, Rebel Rodriguez, Carlos Gallardo, Electra Avellan, Elise Avellan, Quentin Tarantino. Nacionalidade: EUA, 2007.





“Planet Terror” é a outra metade da experiência Grindhouse, que vem completar o já estreado “Death Proof”. Num registo bem mais gore e satírico que o filme de Tarantino, Robert Rodriguez (“Sin City”) recorre à extrema violência, ao sexo e a grandes quantidades de sangue para o seu exercício nostálgico sobre o cinema que marcou a sua juventude.


Numa base militar no Texas, armas biológicas caem nas mãos erradas e as pessoas começam a transformar-se em zombies. Um grupo de cidadãos assume a responsabilidade de fazer-lhes frente. Dele fazem parte Cherry (Rose McGowan), dançarina num bar que sonha ser comediante e Wray (Freddy Rodriguez), um ex-namorado de Cherry com um passado misterioso. Os seus destinos cruzam-se no restaurante de J.T. (Jeff Fahey) e, posteriormente, com o disfuncional casal de médicos William Block (Josh Brolin) e Dakota Block (Marley Shelton), e com o xerife Hague (Michael Biehn).


Satirizando as convenções, “Planet Terror” faz troça de si mesmo, com explosões tremendas, sangue a esguichar por tudo o que é lado, zombies nojentos, mortes imaginativas, mulheres lindíssimas (sem excepção), e diálogos espirituosos. Ninguém espere aprender nada com este filme, mas o divertimento é irremediável e o prazer desta experiência (que exige, definitivamente, um grande ecrã) é demasiado para questionar o ridículo e o inverosímil (incluindo a fabulosa perna de Rose McGowan, que a transforma num dos melhores heróis de sempre).


“Planet Terror” mistura agressividade feminina e machismo (afinal de contas estamos a falar de uma mulher que domina o mundo com um objecto fálico), o absurdo e o genial. Mas, ao contrário dos filmes de série B que homenageia, “Planet Terror” tem um orçamento que lhe permitiu dar o toque verdadeiramente cool na pós-produção, com a inclusão de riscos, sobreposição de diálogos, problemas de cor e de continuidade e bobinas (estrategicamente) ausentes.


As interpretações são, dada a unidimensionalidade das personagens, totalmente satisfatórias. Tem-se ainda o prazer dos cameos de Bruce Willis, Fergie (dos Black Eyed Peas) e de Tarantino. Existem diversos pontos de ligação entre os dois filmes: além de Rose McGowan interpretar duas personagens distintas (em “Death Proof” ela é loira e a primeira vítima de Stuntman Mike), a personagem de Marley Shelton aparece em ambos os filmes, e em “Planet Terror” é feita com uma referência ao programa de rádio de Jungle Julia (Sydney Poitier).


Se me obrigarem a escolher entre os dois, confesso uma preferência por “Death Proof”, mais associada à estética visual e musical. De todos modos, estes são dois realizadores que adoram a sua arte, e não nos deixam outra escolha senão a de a adorarmos também.



P.S. - Fica a confessa vontade de ver aquele trailer inicial convertido numa real longa-metragem.






E depois dos filmes, o livro. Directo da Waterstone’s de Amesterdão:










CITAÇÕES:


“I broke my leg.”
ROSE McGOWAN (Cherry Darling)


“I like the way you say 'fuck'.”
FREDDY RODRIGUEZ (El Wray)


“I never miss.”
FREDDY RODRIGUEZ (El Wray)




R.I.P.

14.10.07, Rita


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ALIGN=JUSTIFY>Um projecto cheio de falhas e com um rácio artigos/publicidade gradualmente inferior. Mas, ainda assim, uma compra mensal de que vou sentir falta. Por ser a única.








The Life of... The Pythons

13.10.07, Rita


ALIGN=JUSTIFY>Depois da auto-prenda que foi ir ver o musical Spamalot a Londres em Fevereiro deste ano, agora foi a vez de uma outra prenda. E esta garante ter-me colada a ela durante muito tempo!


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ALIGN=CENTER>THE PYTHONS: AUTOBIOGRAPHY BY THE PYTHONS

uma detalhada compilação do crítico inglês Bob McCabe



ALIGN=CENTER>De acompanhamento a esta iguaria:


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ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#E90909>[ACTUALIZAÇÃO]


ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#BBBBBB>Quanto aos Melhores Sketches de Monty Python, actualmente em cartaz no Casino de Lisboa, vejo-me obrigada a desanconselhar fortemente os fans, sob pena de uma grande desilusão (a do Spamalot foi uma desilusão moderada porque ir a Londres é sempre um prazer).


ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#BBBBBB>Mesmo após ter tentado descolar dos actores portugueses a imagem indelével dos Monty Python, só me ri com vontade num único sketch (o Working Class Playwright). Quanto aos menos fans, acho importante referir que a box do Flying Circus equivale ao preço de dois bilhetes para o dito espectáculo, sendo um investimento bastante mais duradouro e de satisfação garantida.

















Dialogue Avec Mon Jardinier ***

12.10.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Jean Becker. Elenco: Daniel Auteuil, Jean-Pierre Darroussin, Fanny Cottençon, Alexia Barlier, Hiam Abbass. Nacionalidade: França, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>“Dialogue Avec Mon Jardinier” adapta as memórias do pintor Henri Cueco e envolve um drama intimista e melancólico num tecido de comédia.

ALIGN=JUSTIFY>Após a morte da sua mãe, um pintor burguês (Daniel Auteuil – “Caché”, “La Doublure”) sai de Paris decidido a renovar a velha casa de campo da família. Para tratar do jardim e da horta, contrata um ex-funcionário dos caminhos de ferro (Jean-Pierre Darroussin – “Un Long Dimanche de Fiançailles”, “Combien Tu M’Aimes?”) que, por coincidência, é também um amigo da escola primária. Pintor e jardineiro substituem os seus verdadeiros nomes pelas alcunhas Dupincel e Dujardin, respectivamente. Um código que simboliza a plataforma de entendimento de duas pessoas cujas vidas tomaram rumos muito diferentes após a expulsão que se seguiu a um incidente na escola primária.

ALIGN=JUSTIFY>Apesar da sua diferença de classe, a curiosidade e o conforto que descobrem um no outro são genuínos. O filme de Jean Becker assenta em diálogos fluidos e naturais, impregnados de um humor cru, entre dois grandes actores que partilham uma química perfeita.

ALIGN=JUSTIFY>Entre o senso comum e a erudição, o simples e o complicado, entre o campo e a cidade, entre aquilo que somos e aquilo que aprendemos a ser, entre a luz bucólica e a chuva metropolitana, eles descobrem o mundo como o outro o vê, e o seu universo alarga-se nessa troca.

ALIGN=JUSTIFY>“Dialogue Avec Mon Jardinier” fala da reaproximação entre duas pessoas, que termina sendo uma reaproximação à essência de cada um deles, às suas raízes. E, da mesma forma que a horta dá os seus frutos, também esta amizade germina através da entrega e do cuidado.

ALIGN=JUSTIFY>“Dialogue Avec Mon Jardinier” faz também um paralelismo entre a criação sob a forma de vida vegetal e sob a forma de arte, cada uma delas como elemento de ligação aos outros e transmitindo parte da essência do seu criador. De uma forma semelhante, mais do que da técnica ou da estética, a beleza da arte vem do esforço que ela exige, daquilo que retiramos de nós para colocar em palavras, em tintas ou num jardim.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Quando a bateria começa a falhar, habituamo-nos à ideia de nos apagarmos.”
JEAN-PIERRE DARROUSSIN (Dujardin)












The Bourne Ultimatum ***

11.10.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Paul Greengrass. Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Paddy Considine, Edgar Ramirez, Albert Finney, Joan Allen. Nacionalidade: EUA, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>Depois de “The Bourne Identity” e de “The Bourne Supremacy”, “The Bourne Ultimatum” vem fechar a trilogia escrita por Robert Ludlum entre 1980 e 1990 sobre um assassino com amnésia em busca de respostas para a sua identidade perdida.

ALIGN=JUSTIFY>Para o devido desfrute deste filme de acção, é fortemente recomendado o visionamento das duas anteriores adaptações. Até porque, ao contrário de muitos projectos episódicos, este demonstra uma qualidade e consistência acima da média, com Paul Greengrass repetindo na cadeira de realizador.

ALIGN=JUSTIFY>A acção começa seis semanas após “The Bourne Supremacy” (atenção ao elo de ligação entre os dois). Jason Bourne (Matt Damon) descobre que o jornalista Simon Ross (Paddy Considine) está a escrever matérias sobre ele e que ameaça desvendar a conspiração por trás da Operação Blackbriar, inserida no Projecto Treadstone. Bourne está decidido a desvendar qual a fonte de Ross, ao mesmo tempo que tenta salvar a sua própria vida. O grande duelo deste filme é entre Bourne e o operacional da CIA Noah Vosen (David Strathairn), sob a direcção de Ezra Kramer (Scott Glenn) e com a moderação moral da responsável Pamela Landy (Joan Allen). Para Bourne, a ajuda surge-lhe na improvável agente da CIA Nicky Parsons (Julia Stiles).

ALIGN=JUSTIFY>De Moscovo a Londres, de Madrid a Nova Iorque, passando por Tânger, “The Bourne Ultimatum” alia intriga e personagens fortes a um ritmo imparável com impressionantes perseguições e cenas de luta. “The Bourne Ultimatum” tira também todo o partido de um herói ambíguo e pouco convencional, que, em vez de lutar por uma missão, luta por si próprio, e que é simultaneamente perseguidor e perseguido. Bourne é uma alma em conflito, uma máquina de matar eficiente mas relutante, perigoso mas vulnerável.

ALIGN=JUSTIFY>O final é satisfatório nas respostas que dá, mas deixa em aberto a possibilidade de um quarto filme. Até porque, já após a amorte de Ludlum, Bourne foi “ressuscitado” por Eric Van Lustbader em mais dois livros: ‘The Bourne Legacy’ e ‘The Bourne Betrayal’, de 2004 e 2007 respectivamente.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Don’t second-guess an operation from an armchair.”
DAVID STRATHAIRN (CIA Deputy Director Noah Vosen)












No Reservations **

10.10.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Scott Hicks. Elenco: Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart, Abigail Breslin, Patricia Clarkson, Jenny Wade, Bob Balaban. Nacionalidade: EUA / Austrália, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>Kate (Catherine Zeta-Jones) é uma bem sucedida e perfeccionista chef de um requintado restaurante nova-iorquino. Na verdade, ela é uma control-freak totalmente entregue à profissão e sem espaço para nada mais. Até as sessões com o seu terapeuta (Bob Balaban) são passadas a falar de comida. Um acidente vem colocar nas mãos de Kate a sua sobrinha de nove anos, Zoe (Abigail Breslin). Para tentar ajustar-se a esta nova realidade, Kate tira algum do seu tempo para tomar conta de Zoe, uma oportunidade que a gerente do restaurante (Patricia Clarkson) aproveita para contratar um novo sub-chefe, Nick (Aaron Eckhart). O contraste entre ambos é evidente e a antipatia de Kate por Nick instantânea.

ALIGN=JUSTIFY>Quem é familiar com o contexto da comédia romântica sabe desde logo que eles irão ficar irremediavelmente juntos. Isso não seria necessariamente mau, se o caminho para lá chegar não fosse tão pejado de clichés e sem imaginação. Nem sequer a paixão pela comida é devidamente explorada, bem mais emocionante e mágico foi “Ratatouille”.

ALIGN=JUSTIFY>Deste remake do filme de 2001 “Bella Martha” da alemã Sandra Nettelbeck, Scott Hicks (“Shine”, 1996) não oferece nada mais que um filme convencional e previsível, que capitaliza na beleza de Catherine Zeta-Jones e no carisma de Aaron Eckhart, mas que, sobretudo, tira partido de uma adorável e talentosa Abigail Breslin, a revelação de “Little Miss Sunshine”.

ALIGN=JUSTIFY>“No Reservations” é apenas um olhar fugaz ao que sucede quando ocupamos todo o espaço da nossa vida com o controlável e nos fechamos numa zona de segurança que afinal é apenas uma prisão. Quando o segredo da felicidade reside, precisamente, em nunca eliminar a possibilidade do inesperado.








doclisboa 2007

09.10.07, Rita


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ALIGN=JUSTIFY>Pela primeira vez com o apoio do Programa MEDIA, de 18 de 28 de Outubro o documentário volta a dominar Lisboa.

ALIGN=JUSTIFY> A 5ª edição do Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa irá apresentar na Culturgest, Cinemas Londres e São Jorge, em Lisboa, os seguintes filmes:


COLOR=#E90909>COMPETIÇÃO INTERNACIONAL


ALIGN=JUSTIFY> 1937, de Nora Martirosyan, Arménia/França, 2007, 44'
Abandoned, de Joan Soler, Espanha, 2006, 25'
Alguna Tristeza, de Juan Alejandro Ramírez, Peru, 2006, 41'
At the Datcha, de Thierry Paladino, Polónia, 2006, 26'
Artel, de Sergei Loznitsa, Rússia, 2006, 20'
Calle Santa Fe, de Carmen Castillo, França/Chile/Bélgica, 2007, 163'
Cherkasy, de Raul Bartolomé Estebaranz, Espanha, 2006, 11'
The Days and The Hours, de John Haptas, Kristine Samuelson, EUA, 2006, 8'
Elle s'appelle Sabine, de Sandrine Bonnaire, França, 2007, 85'
A Father's Music, de Igor Heitzmann, Alemanha, 2007, 105'
The First Day, de Marcin Sauter, Polónia, 2007, 20'
He Fengming, de Wang Bing, China, 2007, 184'
Hot House, de Shimon Dotan, Israel, 2006, 90'
In the North, de Chen Lei, China, 2006, 62'
Ironeaters, de Shaheen Dill-Riaz, Alemanha, 2007, 85'
It's Always Late for Freedom, de Mehrdad Oskouei, Irão, 2006, 52'
Jesus Camp, de Heidi Ewing, Rachel Grady, EUA, 2006, 85'
Kamp Katrina, de David Redmon, Ashley Sabin, EUA, 2006, 74'
The Mall, de Jonathan Ben Efrat, Israel, 2006, 12'
My 9/11, de Tjebbo Penning, EUA/Holanda, 2006, 11'
Rebellion: The Litvinenko case, de Andrei Nekrasov, Rússia, 2007, 105'
Retour en Normandie, de Nicolas Philibert, França, 2006, 109'
Santiago, de João Moreira Salles, Brasil, 2006, 80'
SchoolScapes, de David MacDougall, Austrália, 2007, 77'
Scythian Suite, de Alexander Gutman, Rússia, 2006, 26'
These Girls, de Tahani Rached, Egipto, 2006, 66'
Umbrella, de Du Haibin, China, 2007, 100'



COLOR=#E90909>COMPETIÇÃO NACIONAL



ALIGN=JUSTIFY> & etc, de Cláudia Clemente, Portugal, 2007, 25'
Adeus, Até Amanhã, de António Escudeiro, Portugal, 2007, 60'
Arquitectura de Peso, de Edgar Pêra, Portugal, 2007, 24'
Blind Runner, An Artist Under Surveillance, de Luís Alves de Matos, Portugal, 2007, 57'
A Casa do Barqueiro, de Jorge Murteira, Portugal, 2007, 63'
Convicções, de Julie Frères, Portugal/França, 2007, 55'
Encontros, de Pierre-Marie Goulet, Portugal/França, 2006, 105'
Era Preciso Fazer as Coisas, de Margarida Cardoso, Portugal, 2007, 52'
Gentes do Mar, de Dânia Lucas, Portugal, 2006, 33'
Homens que São como Lugares Mal Situados, de João Trabulo, Portugal, 2007, 21'
Jardim, de João Vladimiro, Portugal, 2007, 75'
Lisboa Dentro, de Muriel Jaquerod, Eduardo Saraiva Pereira, Portugal/Suiça, 2007, 56'
Metamorfoses, de Bruno Cabral, Portugal, 2007, 48'
Mulheres Traídas [making of] , de Miguel Marques, Portugal, 2007, 54'
As Operações SAAL, de João Dias, Portugal, 2007, 90'
La Petite Fille et le Chien Vont au Bal de la Reine, de Ana Margarida Fernandes Gil, França/Portugal, 2007, 18'
Piccolo Lavoro, de António Nuno Júnior, Portugal, 2006, 18'
Poeticamente Exausto, Verticalmente Só - A História de José Bação Leal, de Luísa Marinho, Portugal, 2007, 56'
Praia de Monte Gordo, de Sofia Trincão, Óscar Clemente, Portugal, 2006, 30'


COLOR=#E90909>INVESTIGAÇÕES



ALIGN=JUSTIFY> 5-7 rue Corbeau, de Thomas Pendzel, França, 2007, 59'
American Fugitive: The Truth About Hassan, de Jean-Daniel Lafond, Canadá, 2006, 75'
Cuba, Une Odyssée Africaine, de Jihan El-Tahri, França/Reino Unido, 2006, 120'
The Devil Came on Horseback, de Annie Sundberg, Ricki Stern, EUA, 2007, 85'
As Duas Faces da Guerra, de Diana Andringa, Flora Gomes, Portugal, 2007, 100'
El Ejido, La Loi du Profit, de Jawad Rhalib, Bélgica, 2006, 80'
The Halfmoon Files, de Philip Scheffner, Alemanha, 2007, 87'
Jean Paul, de Francesco Uboldi, Itália, 2006, 8'
La Liste de Carla, de Marcel Schüpbach, Suiça, 2006, 95'
My Country, my Country, de Laura Poitras, EUA, 2006, 90'
Three Comrades, de Masha Novikova, Holanda, 2006, 99'


COLOR=#E90909>DIÁRIOS FILMADOS E AUTORETRATOS



ALIGN=JUSTIFY> Album, de Matthias Müller, Alemanha, 2004, 24'
David Holzman's Diary, de Jim McBride, EUA, 1967, 74'
Le Filmeur, de Alain Cavalier, França, 2005, 97'
Glitterburg, de Derek Jarman, Reino Unido, 1994, 60'
Intimate Stranger, de Alan Berliner, EUA, 1991, 60'
JLG/JLG: Autoportrait de Décembre, de Jean-Luc Godard, França/Suiça, 1994, 55'
Lost, Lost, Lost, de Jonas Mekas, EUA, 1976, 180'
News from Home, de Chantal Akerman, França/Bélgica/RFA, 1976, 85'
Nobody's Business, de Alan Berliner, EUA, 1996, 60'
Pensão Globo, de Matthias Müller, Alemanha, 1997, 15'
La Pudeur et l'Impudeur, de Hervé Guibert, França, 1991, 58'
Sablé-sur-Sarthe, Sarthe, de Paul Otchakovsky-Laurens, França, 2007, 95'


COLOR=#E90909>A TRADIÇÃO EXPERIMENTAL



ALIGN=JUSTIFY> Autoportrait ou Ce qui Nous Manque à Tous, de Man Ray, França, ca. 1930, 11'
La Garoupe, de Man Ray, França, 1937, 9'
Wedlock House: An Intercourse, de Stan Brakhage, EUA, 1959, 11'
Window, Water, Baby, Moving, de Stan Brakhage, EUA, 1959, 12'
Kindering, de Stan Brakhage,EUA, 1987, 3’
I... Dreaming, de Stan Brakhage, EUA, 1988, 8'
Untitled (For Marilyn) , de Stan Brakhage, EUA, 1992, 11'
Notebook, de Marie Menken, EUA, 1940-62, 10'
Unsere Afrikareise, de Peter Kubelka, Áustria, 1966, 13'
Tarch Trip, de Hiroyuki Oki, Japão, 1993, 64'
Tentatives de se Décrire, de Boris Lehman, Bélgica / França / Canadá, 2005, 165'
Trying to Kiss the Moon, de Stephen Dwoskin, Grã-Bretanha, 1994, 95'


COLOR=#E90909>VENTO NORTE



ALIGN=JUSTIFY> All About my Father, de Even Benestad, Noruega/Dinamarca, 2002, 71'
Cool and Crazy, de Knut Erik Jensen, Noruega, 2001, 105'
Arks, de Karin Karlsson, Mita Moberg, Suécia, 2004, 13'
Beth's Diary, de Kent Klich, Mikala Krogh, Beth, Dinamarca, 2006, 33'
Enemies of Happiness, de Eva Mulvad, Anja Al-Erhayem, Dinamarca, 2006, 58'
Family, de Sami Martin Saif, Phie Ambo-Nielsen, Dinamarca, 2001, 91'
The Perfect Human, de Jørgen Leth, Dinamarca, 1967, 13'
The Five Obstructions, de Jørgen Leth, Lars von Trier, Dinamarca, 2003, 90'
Ghosts of Cité Soleil, de Asger Leth, Dinamarca, 2007, 88'
Hidden, de Hanna Heilborn, David Aronowitsch, Mats Johansson, Suécia, 2002, 8'
The Idle Ones, de Virpi Suutari, Susanna Helke, Finlândia, 2001, 81'
I Remember Lena Svedberg, de Carl Johan De Geer, Suécia, 1999, 6'
In the House of Angels, de Margreth Olin, Noruega, 1998, 97'
I Remember Lena Svedberg, de Carl Johan De Geer, Suécia, 1999, 6'
In the House of Angels, de Margreth Olin, Noruega, 1998, 97'
The Monastery
, de Pernille Rose Grønkjær, Dinamarca, 2006, 84'
My Body, de Margreth Olin, Noruega, 2002, 26'
Sin - A Documentary on Daily Offences, de Virpi Suutari, Susanna Helke, Finlândia, 1996, 36'
The Stars' Caravan, de Arto Halonen, Dinamarca/Finlândia, 2000, 56'
Suckers, de John Webster, Finlândia, 1993, 57'
Surplus - Terrorised into Being Consumers, de Erik Gandini, Suécia, 2002, 52'
Their Frozen Dream, de Jan Troell, Suécia, 1997, 60'


COLOR=#E90909>RISCOS E ENSAIOS



ALIGN=JUSTIFY> Compilation, 12 Instants d'Amour non Partagé, de Frank Beauvais, França, 2007, 40'
De Son Appartement, de Jean-Claude Rousseau, França, 2007, 70'
Un Jour à Marseille, de Mauro Santini, Itália, 2006, 51'
Nocturno, de João Nisa, Portugal, 2007, 27'
Notes on Marie Menken, de Martina Kudlácek, Áustria / EUA, 2006, 67'
(Posthume), de Ghassan Salhab, Líbano, 2007, 28'
Le Ravissement de Natacha, de Marcel Hanoun, França, 2007, 22'
Tentative d'Épuisement d'un Lieu Parisien, de Jean-Christian Riff, França, 2007, 73'
A Walk into the Sea: Danny Williams and The Warhol Factory, de Esther Robinson, EUA, 2007, 75'
Zoo, de Robinson Devor, EUA, 2006, 75'


COLOR=#E90909>RETROSPECTIVA LECH KOWALSKI



ALIGN=JUSTIFY> The Boot Factory, de Lech Kowalski, França/Polónia, 2000, 87'
Born to Lose: The Last Rock and Roll Movie, de Lech Kowalski, EUA, 2001, 100’
D.O.A./Dead on Arrival (A Right of Passage), de Lech Kowalski, EUA, 1981, 90'
East of Paradise, de Lech Kowalski, França, 2005, 10’
On Hitler's Highway, de Lech Kowalski, França/Polónia, 2002, 81’
Rock Soup, de Lech Kowalski, EUA, 1991, 81'
Winners and Losers, de Lech Kowalski, EUA/França, 2007, 80’


COLOR=#E90909>SESSÕES ESPECIAIS



ALIGN=JUSTIFY> Carnaval da Vitória, de António Ole, Angola, 1978, 40'
El Caso Pinochet, de Patricio Guzmán, França/Espanha/Bélgica/Chile, 2001, 108'
Despuès de la Revolución, de Vincent Dieutre, França, 2007, 55'
Winners and Losers, de Lech Kowalski, EUA/França, 2007, 80’
Karima, de Clarisse Hahn, França, 2003, 98'
Mopiopio, Sopro de Angola, de Zézé Gamboa, Angola, 1991, 55'
Elegy of Life: Rostropovich, Vishnevskaya, de Aleksandr Sokurov, 2006, Rússia, 110'
Morceaux de Conversations avec Jean-Luc Godard, de Alain Fleischer, França, 2007, 125'
Não me Obriguem a Vir para a Rua Gritar, de João Pedro Moreira, Rui de Brito, Portugal, 2007, 61'
Outras Frases, de Jorge António, Portugal/Angola, 2003, 52'
Le Papier ne Peut pas Envelopper la Braise, de Rithy Panh, França, 2006, 86'
Rostov-Luanda, de Abderrahmane Sissako, Mauritânia, 1997, 60'
Sicko, de Michael Moore, EUA, 2007, 74'
Sketches of Frank Gehry, de Sydney Pollack, EUA, 2005, 83'
Taxi to the Dark Side, de Alex Gibney, EUA, 2007, 105'
A Terra Antes do Céu, de João Botelho, Portugal, 2007, 63'
When the Levees Broke: a Requiem in Four Acts, de Spike Lee, EUA, 2006, 240'
Zidane, un Portrait du 21ème siècle, de Douglas Gordon, Philippe Parreno, França, 2004, 90'


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ALIGN=JUSTIFY> Andy Warhol: a Documentary Film, de Ric Burns, EUA, 2006, 240'
Bomb It, de Jon Reiss, EUA, 2007, 94'
Brando, de Leslie Greif, Mimi Freedman, EUA, 2007, 165'
Crazy Love, de Dan Klores, EUA, 2007, 90'
Diary, de David Perlov, Israel, 1983, 330'
Knowledge is the Beginning, de Paul Smaczny, Alemanha, 2006, 115'
Manufacturing Dissent, de Rick Caine, Debbie Melnyk, Canadá, 2007, 74'
La Muñeca del Espacio, de David Moncasi, Espanha, 2006, 76'
Taxi to the Dark Side, de Alex Gibney, EUA, 2007, 105'


ALIGN=JUSTIFY>Para mais detalhes sobre o programa consultar o site oficial..















































































































































































O Sabor da Melancia **

08.10.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>T.O.: Tian bian yi duo yun. Realização: Tsai Ming-liang. Elenco: Lee Kang-sheng, Chen Shiang-chyi, Lu Yi-Ching, Kuei-Mei Yang, Sumomo Yozakura. Nacionalidade: França / Taiwan, 2005.


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ALIGN=JUSTIFY>Uma mulher vestida de enfermeira está deitada numa cama de pernas abertas. Presa entre elas está uma melancia, objecto da atenção da língua de um homem, que passa do paladar ao tacto introduzindo dois dedos na polpa vermelha da melancia, enquanto a mulher geme de prazer. Uma cena simultaneamente erótica e ridícula, que marca o tom de desaprovação moral que caracteriza “O Sabor da Melancia”.

ALIGN=JUSTIFY>Taipé está sob uma onda de seca e, à falta de água, a população recorre ao sumo de melancia para suprir as suas necessidades. (Ao longo do filme, torna-se inevitável ler, analogamente, a falta de amor como razão do recurso à pornografia.) Shiang-chyi (Chen Shiang-chyi) regressa a Taipé no contexto de uma forte seca que assola a zona. Aí, ela reencontra Hsiao-kang (Lee Kang-sheng) e ambos têm oportunidade de viver o seu amor. O que ela não sabe é que Hsiao-kang é agora um actor porno que se encontra a fazer um filme no mesmo prédio onde Shiang-chyi vive.
ALIGN=JUSTIFY>À semelhança de “Adeus, Dragon Inn” e “I Don't Want To Sleep Alone”, Tsai Ming-liang volta a abordar a temática da solidão, do desejo e da busca do amor. Mantendo-se fiel aos seus actores de sempre, e com o seu modus operandi de poucos diálogos e takes estáticos e longos, Ming-liang opta pela abordagem esteticamente forte da pornografia e do musical (os números artísticos, na minha humilde opinião totalmente despropositados, incluem, por exemplo, bailarinas acariciando uma estátua de Chiang Kai-Shek).

ALIGN=JUSTIFY>Entre estes dois amantes transpirados, pegajosos e sujos não há sexo. Como se a descoberta de sentimentos tivesse de ser isenta desse contacto, e como se o corpo apenas possa ser usado quando liberto de emoções e por isso objectificado. A falta de esperança (ou de água), a solidão e a angústia impedem que a experiência sexual seja íntima e emocional. E é neste contexto que Tsai Ming-liang concebe a pornografia.

ALIGN=JUSTIFY>Acho esta visão demasiado redutora e talvez seja isso que me manteve longe da experiência emocional que Tsai Ming-liang pretendia. Mas louvo aquele momento intenso – e erótico –quando ambos descansam debaixo da mesa após o jantar e Shiang-Chyi prende um cigarro entre os dedos do pé e dá-o a fumar a Hsiao Kang.

ALIGN=JUSTIFY>Não gosto de melancia. Nem sem bem se pelo sabor se pela consistência. Obviamente que não é pela estética, porque poucos frutos serão tão atraentes. Com “O Sabor da Melancia” passa-se um pouco a mesma coisa.