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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

FESTROIA 2007

31.05.07, Rita


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ALIGN=JUSTIFY>Começa amanhã a 23ª edição do FESTROIA. Este ano o festival fará uma homenagem a Mário Ventura e ao cinema espanhol. Estarão incluídas uma mostra de clássicos alemães e uma retrospectiva da obra do realizador Billy Wilder. Os homenageados com o Golfinho de Carreira serão o actor britânico Christopher Lee e o realizador checo Jirí Menzel. Nesta edição foi ainda criado um novo Prémio SAPO Vídeos de Curtas Digitais, direccionado a novos talentos.

ALIGN=JUSTIFY>O júri do festival, este ano presidido pelo actor britânico Charles Dance, irá deliberar sobre as quatro habituais secções competitivas:

ALIGN=LEFT>COLOR=#E90909>SECÇÃO OFICIAL

AFTER THE WEDDING, de Susanne Bier (Dinamarca, 122’)
ARMIN, de Ognjen Svilicic (Croácia/Bósnia/Alemanha, 82’) AVIVA MY LOVE, de Shemi Zarhin (Israel, 107’ BORDERPOST, de Rajko Grlic (Sérvia/Croácia/Eslovénia Macedónia/Bósnia/UK, 94’) EL CAMINO DE SAN DIEGO, de Carlos Sorin (Argentina/Espanha, 98’)
FALSE ALARM, de Katerina Evangelakou (Grécia, 88’)
FROZEN CITY, de Aku Louhimies (Finlândia, 92’)
HEARTBREAK HOTEL, de Colin Nutley (Suécia, 98’)
ISKA’S JOURNEY, de Csaba Bollock (Hungria, 75’)
LATE BLOOMERS, de Bettina Oberli (Suiça, 87’)
MADRIGAL, de Fernando Pérez (Cuba/Espanha, 112’)
PLEASANT MOMENTS, de Vera Chytilová (Rep. Checa, 108’)
THE OPTIMISTS, de Goran Paskaljevic (Sérvia, 98’)
THE SWORD BEARER, de Philipp Jankovsky (Rússia, 110’)

COLOR=#E90909>PRIMEIRAS OBRAS

ALL FOR FREE, de Antonio Nuic (Croácia/Bósnia/Sérvia, 94’)
CIUDAD EN CELO, de Hernan Gaffet (Argentina/Espanha, 104’)
EL VIOLIN, de Francisco Vargas Quevedo (México, 98’)
FRAULEIN, de Andrea Staka (Suiça/Alemanha/Bósnia, 81’)
HEART EDGES, de Hicham Ayouch (Marrocos, 87’)
LO QUE SÉ DE LOLA, de Javier Rebollo (Espanha/França, 100’)
PRINCESS, de Birgit Grosskopf (Alemanha, 81’)
REPRISE, de Joachim Trier (Noruega/Suécia, 106’)
RETRIEVAL, de Slawomir Fabicki (Polónia, 103’)
SONS, de Eric Richter Strand (Noruega, 103’)
THE ART OF CRYING, de Peter Schonau Fog (Dinamarca, 105’)
VANAJA, de Rajnesh Domalpalli (Índia/EUA, 111’)

COLOR=#E90909>O HOMEM E A NATUREZA

CARPA DIEM, de Sergio Cannella (Itália, 2’)
CHERNOBYL: THE INVISIBLE THIEF, de Christoph Boekel (Alemanha, 59’)
CHOCOLATE CON CHURROS, de Mario Espinosa (Espanha, 5’)
CLANDESTINO, de Sylvain Rigollot (França, 15’)
COVER BOY… LAST REVOLUTION, de Carmine Amoroso (Itália, 97’)
CURFEW HOUR, de Levan Adamia (Georgia. 20’)
GREY MATTER, de Ina van Beek (Holanda. 25’)
HOW MUCH I OWE YOU, de Bouffard Olivier (França, 27’)
LULLABY, de Margreth Olin (Noruega, 30’)
MATOPOS, de Stéphanie Machuet (França, 11’)
MESSAOUD, de Omar Mouldouira (Marrocos, 8’)
MILAN, de Michaela Kezele (Sérvia/Alemanha, 23’)
MY LIFE AT 40, de Laurie Hill (Inglaterra, 8’)
NASIJA, de Guillermo Rios (Espanha, 11’)
ON THE WINGS OF DREAMS, de Golam Rabbany Biplob (Bangladesh, 88’)
SELVAGENS: A ÚLTIMA FRONTEIRA, de Filipe Araújo (Portugal, 30’)
TAMBOGRANDE, de E. Cabellos e S. Boyd (Peru, 85’)
THE GATHERING, de Kim Kindersley (Austrália, 86’)
THE POWER OF COMMUNITY: HOW CUBA SURVIVED PEAK OIL, de Faith Morgan (E.U.A., 53’)
THE STARFISH, de Caroline Deruas (França, 22’)
TIME’S BECKON, de Bapee Daas (Índia, 10’)

COLOR=#E90909>INDEPENDENTES AMERICANOS

BOY CULTURE, de Q. Allan Brocka (88’)
CHALK, de Mike Akel (85’)
CHOKING MAN, de Steve Barron (85’)
MAN IN THE CHAIR, de Michael Schroeder (107’)
THE DEAD GIRL, de Karen Moncrieff (85’)
THE TREATMENT, de Oren Rudavsky (86’)


ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#BBBBBBB>NOTA ECOLÓGICA:

“O Festroia 2007 é o primeiro festival internacional de cinema CarbonoZero®. Isto significa que as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) resultantes das actividades do festival serão quantificadas e compensadas, através do sequestro de uma quantidade equivalente de dióxido de carbono (CO2) numa área de nova floresta autóctone em Portugal, anulando assim o respectivo efeito no clima. O projecto envolve a contabilização das emissões associadas à energia consumida nas salas e restantes espaços onde decorre o festival, ao tratamento dos resíduos produzidos, ao transporte de carga e às deslocações da organização, convidados e público.”































































Muito barulho por nada

30.05.07, Rita

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ALIGN=JUSTIFY>Confesso a minha declarada frustração com aquele que é supostamente um ícone da cinematografia porno mundial.

ALIGN=JUSTIFY>O DVD, comprado em Londres, sem qualquer tipo de extras (sugiro um pack conjunto com o documentário de 2006 “Inside Deep Throat” de Fenton Bailey e Randy Barbato), tem um som mono de péssima qualidade. Pode-se defender que o som é o de somenos importância neste tipo de produção, especialmente tendo em conta o argumento pseudo-freudiano e os ridículos diálogos, mas confesso que esperava imagens bastante mais explícitas. É de facto espantoso como o enquadramento dos planos consegue ficar exactamente na margem do que se pretende ver. E a maioria das vezes é impossível fugir ao riso.

ALIGN=JUSTIFY>Tudo bem, falta-me subtileza. Mas sempre me irritou a falta de coragem para assumir os riscos na sua totalidade. Suponho que deveria fazer o exercício de viagem temporal e tentar perceber o impacto de uma obra deste tipo dentro do seu contexto histórico, mas falta-me a paciência para o fazer. Eu só queria um filme porno...







FESTIVAL DE CANNES 2007

29.05.07, Rita


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ALIGN=JUSTIFY>A 60ª edição do Festival de Cinema de Cannes, concluída no passado dia 27, premiou os seguintes filmes:



COLOR=#E90909>LONGAS-METRAGENS


COLOR=#AAAAAA>Palma de Ouro

4 LUNI, 3 SAPTAMINI SI 2 ZILE (4 MONTHS, 3 WEEKS AND 2 DAYS), de Cristian Mungiu

COLOR=#AAAAAA>Prémio 60º Aniversário

PARANOID PARK, de Gus Van Sant

COLOR=#AAAAAA>Grande Prémio

MOGARI NO MORI, de Naomi Kawase

COLOR=#AAAAAA>Prémio de Argumento

FAITH AKIN, por AUF DER ANDEREN SEITE (THE EDGE OF HEAVEN)

COLOR=#AAAAAA>Prémio de Realização

JULIAN SCHNABEL, por LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON

COLOR=#AAAAAA>Prémio de Interpretação Masculina

LAVRONENKO, em IZGNANIE (THE BANISHMENT) de Andreï ZVIAGUINTSEV

COLOR=#AAAAAA>Prémio de Interpretação Feminina

JEON DO YEON, em SECRET SUNSHINE de LEE Chang-dong

COLOR=#AAAAAA>Prémio do Júri - ex-æquo

PERSEPOLIS, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud
STELLET LICHT (SILENT LIGHT), de Carlos Reygadas


COLOR=#E90909>CAMERA D’OR


COLOR=#AAAAAA>Prémio

MEDUZOT (LES MÉDUSES), de Etgar Keret e Shira Geffen

COLOR=#AAAAAA>Menção Especial

CONTROL, de Anton Corbijn


COLOR=#E90909>CURTAS-METRAGENS


COLOR=#AAAAAA>Palma de Ouro

VER LLOVER, de Elisa Miller

COLOR=#AAAAAA>Menção Especial

AH MA (GRANDMA), de Anthony Chen
RUN, de Mark Albiston


COLOR=#E90909>UN CERTAIN REGARD


COLOR=#AAAAAA>Prémio Un Certain Regard - Fondation Gan pour le Cinéma

CALIFORNIA DREAMIN' (NESFARSIT) (CALIFORNIA DREAMIN' (ENDLESS)), de Cristian Nemescu

COLOR=#AAAAAA>Prémio Especial do Júri

ACTRICES (ACTRESSES (DREAMS OF THE NIGHT BEFORE)), de Valeria Bruni-Tedeschi

COLOR=#AAAAAA>Coup de Cœur

BIKUR HATIZMORET (THE BAND'S VISIT), de Eran Kolirin


COLOR=#E90909>CINÉFONDATION


COLOR=#AAAAAA>Primeiro Prémio

AHORA TODOS PARECEN CONTENTOS, de Gonzalo Tobal

COLOR=#AAAAAA>Segundo Prémio

RU DAO (WAY OUT), de Chen Tao

COLOR=#AAAAAA>Terceiro Prémio - ex-æquo

A REUNION, de Hong Sung-Hoon
MINUS, de Pavle Vuckovic


COLOR=#E90909>PRÉMIO VULCAIN DE ARTISTA-TÉCNICO


JANUSZ KAMINSKI, pelo seu trabalho na montagem do filme LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON




























































(parêntesis)

25.05.07, Rita

ALIGN=LEFT>Hoje o filme é outro.
Naquele que promete ser mais um momento inesquecível.

ALIGN=JUSTIFY>Vou passar a noite com este senhor:


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ALIGN=JUSTIFY>E estou a contar que ele me diga coisas deste género:


ALIGN=CENTER>COLOR=#E90909>THE SPACE BETWEEN


You cannot quit me so quickly
Is no hope in you for me
No corner you could squeeze me
But I’ve got all the time for you love

The space between
The tears we cry is the laughter that keeps us coming back for more
The space between
The wicked lies we tell to keep us safe from the pain

Will I hold you again

(...)



SRC=https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/N5f070218/10293041_Le6yT.jpeg>


ALIGN=CENTER>COLOR=#E90909>CRASH


You've got your ball
you've got your chain
Tied to me tight tie me up again
Who's got their claws
in you my friend
Into your heart I'll beat again
Sweet like candy to my soul
Sweet you rock
and sweet you roll
Lost for you I'm so lost for you
You come crash into me
And I come into you,
I come into you
In a boys dream

(...)



SRC=https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/u97076b40/10293122_B8fok.jpeg>


ALIGN=CENTER>COLOR=#E90909>DREAMGIRL


(...)

I was feeling like a creep
as I watched you asleep
face down in the grass in the park
in the middle of a hot afternoon
Your top was untied and I thought how nice
It'll be to follow the sweat down your spine

You're like my best friend
After a good good drunk...you and me
Wake up and make love after a deep sleep
where I was dreaming
I was dreaming of a
Dream Girl

(...)


ALIGN=CENTER>COLOR=#BBBBBB SIZE=1>(Dave Matthews Band)


































































DOC’S KINGDOM

24.05.07, Rita



Entre 19 e 24 de Junho terá lugar em Serpa a quinta edição do Seminário Internacional sobre Cinema Documental DOC’S KINGDOM, um evento que se posiciona como um ponto de encontro e reflexão sobre o cinema documental contemporâneo.


Já estão confirmadas as presenças do realizador etnográfico David MacDougall, do alemão Peter Nestler e dos franceses Vladimir Léon e Pierre Creton.


Data limite de inscrição: 8 de Junho.




VII Encontros de Viana – CINEMA E VÍDEO

24.05.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY> Na secção competitiva PrimeirOlhar dos VII Encontros de Viana, finalizados no passado dia 13, o prémio oficial foi atribuído ex aequo aos filmes “Rockumentário” de Sandra Castiço e “Bom Dia, Noite”, de Rui Costa. O prémio PrimeirOlhar - Cineclubes coube ao filme “Minotauro” de Patrícia Leal.


COLOR=#E90909>“ROCKUMENTÁRIO”, de Sandra Castiço



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ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#BBBBBB SIZE=1>Kaló, Filipe, Calhau e André personificam o rock’n’roll que define os Bunnyranch, uma das mais estimulantes bandas portuguesas, surgidas do contexto rock’n’roll que caracteriza Coimbra. Com apenas quatro anos de vida, um EP e um CD lançados, contam já com actuações em Espanha, Holanda, Inglaterra e por todo o Portugal. O seu som incaracterístico e explosivo, aliado à sua postura em palco são as marcas da banda. É acompanhando de perto os quatro, na sua relação com os amigos, a música e cidade que nos apercebemos que são a sua atitude, carisma e estilo de vida que os distingue, fazendo deles uma banda promissora. Os Bunnyranch parecem imparáveis. No entanto, algo vai acontecer e mudará a banda para sempre.




COLOR=#E90909>“BOM DIA, NOITE”, de Rui Costa


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ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#BBBBBB SIZE=1>“Bom Dia, Noite” é um filme que penetra no mundo do trabalho da força de elite de limpeza da cidade do Porto: os cantoneiros de limpeza do turno das 20h30. Quem são estes homens que correm atrás do camião? Como trabalham?




COLOR=#E90909>“MINOTAURO”, de Patrícia Leal



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ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#BBBBBB SIZE=1>O labirinto não tem de ser resolvido, tem de ser explorado. Mas quem foi Minotauro? Minotauro vivo um jogo de milhares de reflexos do próprio corpo e da sua sombra, que se reproduzem no infinito. O ilusório de qualquer tentativa de fuga… um monstro com cabeça de touro e corpo humano, mantido prisioneiro num labirinto de espelhos. Lá fora esperam os humanos que externam os sentimentos e emoções que ele poderia sentir: amor, felicidade e infelicidade, medo e tormento. Mas que, dada a sua natureza, ele não pode sentir. E nós, por quem torcemos?















Indigènes - Dias de Glória ***1/2

23.05.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Rachid Bouchareb. Elenco: Jamel Debbouze, Samy Naceri, Roschdy Zem, Sami Bouajila, Bernard Blancan, Assaad Bouab, Mathieu Simonet, Benoît Giros, Antoine Chappey. Nacionalidade: França / Marrocos / Argélia / Bélgica, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Os “indígenas” são os mais de 100.000 magrebinos provenientes das colónias francesas em África que combateram pela França durante a Segunda Guerra Mundial. O filme do argelino Rachid Bouchareb, nomeado para o Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira, segue um grupo deste homens desde o seu recrutamento na Algéria em 1943, o seu magro treino em Marrocos, a sua primeira batalha em Itália, até França e à sua última batalha na Alsácia, aguardando o reforço das tropas aliadas.

ALIGN=JUSTIFY>O argumento de Bouchareb e Olivier Lorelle acompanha a história episódica de um grupo de árabes: Saïd (Jamel Debbouze - “Amélie”, “Angel-A”), que deixa a pobreza da sua casa para se alistar no exército, acabando por se tornar assistente pessoal do Sargento Martinez (Bernard Blancan); o inteligente Cabo Abdelkader (Sami Bouajila) que ambiciona uma carreira militar; o romântico Messaoud (Roschdy Zem), que se apaixona por uma francesa em Marselha; e os irmãos marroquinos Yassir (Samy Naceri) e Larbi (Asaad Bouab), tentando sobreviver e juntar dinheiro (mesmo pelo saque) para poder casar Larbi.

ALIGN=JUSTIFY>Apesar de nunca terem visto aquele país e da família de muitos deles ter sido massacrada pelo colonizador em nome da “pacificação”, estes homens consideram-se cidadãos franceses. Os oficiais exploram o seu (irónico) patriotismo, fazendo-lhes promessas ilusórias, para que morram pela “mãe-pátria”, uma mãe que os trata como filhos bastardos e que apenas espera que eles sigam cegamente as suas ordens. Mas o sentido do dever é abalado pela desconfiança, quando começam a perceber que o apregoado lema da “liberdade, igualdade e fraternidade” parece não se estender a eles. À sua luta contra o nazismo, acrescenta-se a luta contra o racismo dentro das suas próprias fileiras. Nem sequer as fardas os tornam iguais. Tratados como inferiores, e a quem é negado equipamento, promoções e até um simples tomate na sua ração. A discriminação é ainda mais gritante no caso dos negros sub-saharianos.

ALIGN=JUSTIFY>As cenas de batalha são de forte impacto, sobretudo porque a câmara se move como estando ao lado destes homens. Mas o elemento de maior força simbólica neste filme é a terra, nas explosões mas também como elemento de nacionalidade e de pertença (afinal de contas, nem toda ela cheira ao mesmo).

ALIGN=JUSTIFY>As personagens de “Indigènes” não fogem a tipificações e o filme é consideravelmente panfletário, especialmente nas suas cenas finais. Relevando esse facto, há que valorizar o elemento de chamada de atenção, recordando a França (e o mundo) do injusto tratamento a que votou estes homens. Em 1959, com a descolonização, o governo francês congelou as pensões dos ex-combatentes não-franceses. Todos os sucessivos governos se recusaram a suprir esta dívida e somente em 2006, com a saída de “Indigènes”, o Presidente Jacques Chirac rectificou esta medida.

ALIGN=JUSTIFY>Infelizmente, estas desigualdades não terminam na Segunda Guerra Mundial. O valor do ser humano não se mede pela utilidade que ele tem para nós em determinado momento. Até conseguirmos respeitar a dignidade inerente a cada um, como parte de uma sociedade que não se extingue no nosso pequeno bairro nem nos nossos pequenos objectivos nunca poderemos, com efeito, apregoar um conceito de “humanidade”.








1ª Mostra de Cinema Romeno

22.05.07, Rita




Entre 6 a 24 de Junho, terá lugar a primeira Mostra de Cinema Romeno em Portugal. Este evento, dividido entre as cidades de Coimbra (6 a 9 de Junho, Teatro Gil Vicente), Porto (12 a 15 de Junho, Cinema Passos Manuel) e Lisboa (21 a 24 de Junho, Cinema Quarteto), e organizado do Centro Cultural Romeno de Lisboa visa divulgar o que de mais recente se tem feito na cinematografia romena.


Entre curtas-metragens, longas-metragens e documentários, esta é uma oportunidade a não perder para ver obras da autoria de Cristi Puiu (realizador de “The Death of Mr. Lazarescu” - uma chamada de atenção para quem noutro dia me questionava sobre como e onde ver este filme), Catalin Mitulescu, Alexandru Solomon, Corneliu Porumboiu, Radu Muntean, Florin Iepan, Radu Jude e Cristian Mungiu.






Mais informações em www.semanaromena.com.




Zodiac ****

21.05.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: David Fincher. Elenco: Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr., Anthony Edwards, Brian Cox, Elias Koteas, Donal Logue, John Carroll Lynch, Chloë Sevigny. Nacionalidade: EUA, 2007.


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ALIGN=JUSTIFY>Do final dos anos 60 até ao início da década de 70, um serial killer auto-denominado Zodiac reclamou 37 assassinatos na zona de São Francisco. O número pode ter sido exagerado por uma fome de fama, mas pelo menos cinco desses crimes são garantidamente de sua autoria.

ALIGN=JUSTIFY>David Fincher (“Seven”, “Fight Club”) que cresceu nessa zona, revisita o tempo de terror e tensão vividos pela população e os esforços das equipas de investigação - polícia e imprensa. O filme “Zodiac” baseia-se no livro homónimo de Robert Graysmith, um cartoonista que trabalhava no jornal San Francisco Chronicle e que é aqui interpretado por Jake Gyllenhaal. À semelhança de outras publicações o The Chronicle recebeu cartas e cifras de Zodiac com ameaças e troçando do trabalho policial. O caso estava nas mãos de Paul Avery (Robert Downey, Jr.), um jornalista rebelde que tentava cobrir todos os ângulos de uma investigação que abrangia várias jurisdições. Mas o fascínio de Graysmith por puzzles fê-lo acompanhar de perto os desenvolvimentos, coleccionando toda a informação existente. Do lado da polícia, os crimes perpetrados pelo Zodiac estavam a cargo dos detectives David Toschi (Mark Ruffalo) e William Armstrong (Anthony Edwards), da polícia de São Francisco, do Sargento Jack Mulanax (Elias Koteas) em Vallejo, e do detective Ken Narlow (Donal Logue) no condado de Napa Valley.

ALIGN=JUSTIFY>O filme de Fincher centra-se em Graysmith, Avery e Toschi e sobre a sua incapacidade, a título individual, de deixarem este mistério sem solução, da sua obsessão pela verdade e das consequências da mesma na vida pessoal de cada um deles. Mas “Zodiac”, mais do que preocupar-se pela personagem que lhe dá o nome (ou pelas cogitações sobre a sua psicologia), foca o terror da ameaça velada que a sua simples existência implica na comunidade (a cidade de São Francisco esteve inclusive sob recolher obrigatório). “Zodiac” alude igualmente, de uma forma nada ostensiva, à fome dos media pela história de Zodiac. Um apetite que é recíproco, desde a fixação de Zodiac no filme “The Most Dangerous Game” (Irving Pichel e Ernest B. Schoedsack, 1932) à preocupação por quem o interpretará quando a sua história for adaptada ao cinema.

ALIGN=JUSTIFY>O grande desafio de Fincher é manter o nosso interesse numa história sem desfecho, ou melhor, uma história baseada num crime que oficialmente está ainda por resolver. Abdicando desde logo dessa ilusão, Fincher coloca-nos dentro da obsessão das suas três personagens centrais. Entre pistas, suspeitos, ficheiros perdidos, informação não partilhada e frustrantes becos sem saída, acompanhamos com prazer o trabalho de dedução dos jornalistas e da polícia (numa versão bem mais real do que estamos habituados) na tentativa de juntar os pedaços de informação num todo coerente. Saltando de pergunta em pergunta somos conduzidos às mesmas respostas (ou dúvidas) que os investigadores.

ALIGN=JUSTIFY>A realização de Fincher e o argumento de James Vanderbilt constroem uma história de detalhe, suspense muitas vezes hitchockiano, planos belíssimos e crimes habilmente filmados. Do design de produção de Donald Graham Burtcom vai um destaque para a sala da redacção, totalmente seventies. No campo dos efeitos especiais, o belíssimo recurso de passagem temporal com a construção acelerada da Transamerica Pyramid.

ALIGN=JUSTIFY>É exactamente no tema tempo que poderão haver algumas críticas a “Zodiac” e ao seu ritmo. Críticas com as quais discordo, porque me parece essencial, por um lado, captar os detalhes envolvidos num processo deste tipo, e, por outro, apercebermo-nos da extensão temporal deste dramático episódio, numa investigação que se arrastou durante diversos anos de uma forma errática.

ALIGN=JUSTIFY>Sou uma fã praticamente incondicional de Fincher (apenas um minor disappointment com “Panic Room”) e “Zodiac” faz total jus ao seu talento. E uma peça essencial desse êxito é a matéria prima interpretativa: um trio de poderosos actores apoiados por uma série de secundários de elevada categoria (persiste ainda a perturbante imagem de Jake Gyllenhaal, numa das cenas finais, quando olha nos olhos aquele que ele acredita ser o responsável pelos crimes).

ALIGN=JUSTIFY>Em “Seven” Fincher deu-nos a ficção do serial killer, em “Zodiac” dá-nos a realidade. Ao contrário da primeira, onde é possível uma resolução (seja ela optimista ou pessimista), na vida nem sempre as culpas encontram a sua origem.


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O Chefe Disto Tudo - Direktøren for det Hele ****

20.05.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Lars Von Trier. Elenco: Jens Albinus, Peter Gantzler, Friðrik Þór Friðriksson, Benedikt Erlingsson, Iben Hjejle, Henrik Prip, Louise Mieritz, Mia Lyhne, Jean-Marc Barr, Casper Christensen, Sofie Gråbøl, Anders Hove. Nacionalidade: Dinamarca / Suécia / Islândia / Itália / França / Noruega / Finlândia / Alemanha, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Ravn (Peter Gantzler) é dono de uma empresa de Tecnologias de Informação que decidiu evitar conflitos com os seus empregados inventando um director para a empresa com a responsabilidade das decisões mais impopulares. Uma das quais é a venda da empresa a um magnata islandês, Finnur (Friðrik Þór Friðriksson). Mas para prosseguir com as negociações este exige a presença do director da empresa. Ravn decide então contratar o actor de método Kristoffer (Jens Albinus). Com um péssimo briefing e tendo de conviver com as erróneas percepções que cada um dos empregados tem da figura do director, Kristoffer ver-se-á obrigado a tomar decisões (morais) pela sua personagem.

ALIGN=JUSTIFY>Depois de liberdade de câmara ao ombro do Dogma95 e da rigidez espacial de “Dogville” e “Manderlay”, Von Trier adoptou agora uma nova técnica de filmagem - Automavision. Após escolher uma série de ângulos e planos, um programa de computador selecciona automaticamente as melhores opções segundo critérios predefinidos, estabelecendo mesmo a sequência de montagem. O objectivo é limitar a interferência humana e libertar o trabalho do hábito e da estética. O lado positivo desta opção é o efeito de documentário (na senda Dogma 95) conseguido pela naturalidade dos planos, o lado negativo é que, muitas vezes temos personagens a desaparecerem do ecrã simplesmente porque nem a câmara se move, nem o plano é aberto.

ALIGN=JUSTIFY>Fugindo do seu habitual tom dramático, Lars Von Trier envereda pela comédia com o domínio de quem é, de facto, o “chefe disto tudo”. Aliás, é a sua voz off que avisa de início o espectador de que este filme se trata de uma comédia e, portanto, não deverá ser merecedora sequer de um momento de reflexão. Ora, é mesmo isso que apetece fazer.

ALIGN=JUSTIFY>“O Chefe Disto Tudo” é uma sátira sobre o mundo empresarial e sobre a manipulação dos trabalhadores através do engano. Mas é também um olhar sobre o trabalho do actor e o processo de construção de uma personagem incoerente e que é, com efeito, várias. Entre os hilariantes mal-entendidos e a divertida rivalidade entre dinamarqueses e islandeses, um homem tenta desesperadamente defender as acções de “outro” e resolver os problemas por ele criados. A dura realidade é que a melhor forma de evitar o confronto é atribuir a responsabilidade a uma instância superior (seja ela um chefe ou um deus).


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