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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Half Nelson ****

28.02.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Ryan Fleck. Elenco: Ryan Gosling, Shareeka Epps, Anthony Mackie, Monique Gabriela Curnen, Karen Chilton, Tina Holmes, Collins Pennie. Nacionalidade: EUA, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Daniel Dunne (Ryan Gosling) dá aulas de História num liceu em Nova Iorque, motivando os seus alunos para pensarem sobre o processo de mudança histórica e os seus pontos de viragem, em vez de simplesmente memorizarem factos. Ele é também treinador de uma fraca equipa de basquetebol feminino, da qual faz parte Drey (uma belíssima prestação de Shareeka Epps), uma jovem de 12 anos a quem falta uma figura paternal. Mas Dunne é também viciado em crack. A sua vida parece estar num limbo de indefinição, onde se situa o seu projecto literário para crianças. Quando Drey descobre o segredo do seu professor, a admiração que sentia anteriormente começa a transformar-se em algo de mais humano. Esse momento marca o início de uma amizade pouco convencional.

ALIGN=JUSTIFY>“Half Nelson” é um retrato de um colapso emocional de alguém que, no meio das suas falhas e imperfeições, consegue encontrar uma motivação fora de si, ou apesar de si mesmo. Dunne sabe que não consegue salvar o mundo, mas ele quer fazer algo correcto por Drey - nomeadamente evitar que ela seja vítima do dealer do bairro (Anthony Mackie) -, porque isso é fazer algo por si mesmo.

ALIGN=JUSTIFY>As motivações de Dunne são sugeridas em dois breves momentos, um encontro com a sua ex-namorada e um jantar familiar. Como partes de uma mente instável, estes pedaços vão construindo uma personagem densa. E, numa inversão de papéis entre o protector e o protegido, Drey é a única pessoa que parece compreender quem Dunne é, para além da irresponsabilidade e da auto-destruição.

ALIGN=JUSTIFY>“Half Nelson” é uma comovente pérola sobre uma amizade construída em circunstâncias limite, cujo argumento, da autoria de Ryan Fleck e Anna Boden, foge às convenções e soluções fáceis ou moralistas. Aqui não se fala do mentor que inspira os seus pupilos, ou de triunfos ou momentos de revelação. Aqui estabelece-se uma relação íntima (no sentido de profunda) e equilibrada entre duas pessoas. Esta proximidade é credível devido, sobretudo, a uma gestão de ritmo que respeita o tempo de assimilação, e a diálogos tão naturais que soam a improvisação.

ALIGN=JUSTIFY>Ryan Gosling (“The United States of Leland”, “The Notebook”), reveste a sua interpretação de uma impressionante contenção e envolvência, colocando toda a sua vulnerabilidade num sorriso, todos os seus medos numa simples hesitação, e toda a decadência americana num penso-rápido colado a um lábio inferior.

ALIGN=JUSTIFY>Envolvido numa fantástica banda sonora, onde se destacam os Broken Social Scene, “Half Nelson” (golpe luta livre em que se imobiliza o adversário através de uma chave de braço) fala da dificuldade de aceitarmos a contradição dentro da unidade, que uma árvore possa estar torta e direita ao mesmo tempo, que seja forte e, simultaneamente, fraca, ou, de exigirmos que o ser humano seja bom ou mau, exclusivamente. Como é dito no filme “uma coisa não define um homem”. Tudo é mais complicado que isso.


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ALIGN=CENTER>COLOR=AAAAAA>Half Nelson


ALIGN=JUSTIFY>SIZE=1 COLOR=#AAAAAA>The half nelson is done using only one hand, by passing it under the arm of the opponent and locking the hand at the opponent's neck. Half nelsons are commonly used in amateur wrestling.

The term "nelson" is derived from "full nelson", which dates back to the early 19th century. It is named after the British war-hero Admiral Nelson, who famously used strategies based on surrounding the opponent to win the Battle of the Nile and the Battle of Trafalgar.


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SIZE=1 COLOR=#AAAAAA>in Wikipedia



ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>“The sun goes up and then it comes down, but every time that happens what do you get? You get a new day.”
RYAN GOSLING (Daniel Dunne)

ALIGN=JUSTIFY> “One thing doesn't make a man.”
RYAN GOSLING (Daniel Dunne)

ALIGN=JUSTIFY> “Second chances are rare, man. You ought to take better advantage of them.”
RYAN GOSLING (Daniel Dunne)
















Das Leben der Anderen - As Vidas dos Outros *****

27.02.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Florian Henckel von Donnersmarck. Elenco: Martina Gedeck, Ulrich Mühe, Sebastian Koch, Ulrich Tukur, Thomas Thieme, Hans-Uwe Bauer. Nacionalidade: Alemanha, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Berlim Oriental, 1984. O Capitão Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) acredita profundamente no seu trabalho. Wiesler é perito em vigilância no Ministério para a Segurança do Estado (Ministerium für Staatsicherheit) ou Stasi, a sofisticada e minuciosa polícia secreta da República Democrática Alemã, que dispunha de cerca de 90.000 funcionários oficiais. Georg Dreyman (Sebastian Koch, “Zwartboek - Livro Negro”) é um encenador de teatro e um aparente defensor do sistema socialista, usando a sua idoneidade para defender amigos dissidentes como o seu amigo Paul Hauser (Hans-Uwe Bauer) e o encenador Jerska (Volkmar Kleinert), sujeitos a métodos que variam entre a colocação de escutas, o recrutamento de vizinhos, amigos ou familiares como informadores, muitas vezes coagidos através da chantagem, ou a proibição de exercer a sua arte. Por pressão de um membro do Comité Central, Dreyman torna-se suspeito e é colocado sob investigação. O processo fica a cargo de Wiesler, interessado sobretudo em estar mais próximo de Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck, “The Good Shepherd”), a namorada de Dreyman e uma famosa actriz.

ALIGN=JUSTIFY>“Das Leben der Anderen” é um filme extremamente inteligente onde são focados elementos tão diversos como a traição e a lealdade, o dilema entre os princípios morais e a sobrevivência, as consequências políticas da passividade e o comprometimento pela acção, e o romântico conceito da transformação pela arte.

ALIGN=JUSTIFY>“Das Leben der Anderen” é um filme longo mas o seu ritmo assemelha-se ao de um agressivo interrogatório, com a pressão num escalar progressivo, até ao desmoronar final. Maceradas em cinzento, estas personagens transformam-se em pequenos detalhes com subtileza e consistência.

ALIGN=JUSTIFY>A personagem de Ulrich Mühe, uma excepcional interpretação deste actor proveniente de Leste, é a força emocional deste filme. Ele é o voyeur, é ele que monitoriza a vida dos outros, que a controla, mas que também sente a tentação de intervir. Mas, em última instância, a vida que nós observamos é a sua.

ALIGN=JUSTIFY>Na sua estreia na realização, o alemão Florian Henckel von Donnersmarck produz um filme fascinante, poderoso, duro e comovente, onde as expectativas e as acções de uns moldam as vidas dos outros.

ALIGN=JUSTIFY>As vidas dos outros. Cinema é isso. Cinema é isto.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Das ist für mich.”
ULRICH MÜHE (Gerd Wiesler)












Finalmente, entre amigos

26.02.07, Miguel Marujo

Martin Scorsese ganhou com The Departed - Entre Inimigos, num final com alguma emoção (afinal, Babel corria à frente no Melhor Filme, apesar do favoritismo Scorsese para Melhor Realizador). A noite foi morna e demasiado "partida", sem vencedores claros. El Laberinto del Fauno, por exemplo, arrancou imparável, mas falhou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro. O grande derrotado é Babel e o vestido indescritível de Jennifer Hudson, que ganhou a Melhor Actriz Secundária. A lista completa de vencedores aqui e de como fomos ao tapete aqui.

[E entretanto na mesa do lado serviram-se framboesas. Instinto Fatal 2 e A Senhora da Água, por exemplo, são alguns dos grandes vencedores.]

Oscar® – vencedores

26.02.07, Rita


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ALIGN=JUSTIFY>Além de uma grande quantidade de sono, o resultado desta noite foi o seguinte:


COLOR=#AAAAAA>MELHOR ACTOR PRINCIPAL

FOREST WHITAKER por “The Last King of Scotland”, de Kevin Macdonald

COLOR=#AAAAAA>MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO

ALAN ARKIN por “Little Miss Sunshine”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris

COLOR=#AAAAAA>MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL

HELEN MIRREN por “The Queen”, de Stephen Frears

COLOR=#AAAAAA>MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA

JENNIFER HUDSON por “Dreamgirls”, de Bill Condon

COLOR=#AAAAAA>MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

“HAPPY FEET”, de George Miller

COLOR=#AAAAAA>MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA

EUGENIO CABALLERO (Art Direction), PILAR REVUELTA (Set Decoration) – “El Laberinto del Fauno”

COLOR=#AAAAAA>MELHOR FOTOGRAFIA

GUILLERMO NAVARRO – “El Laberinto del Fauno”

COLOR=#AAAAAA>MELHOR GUARDA-ROUPA

MILENA CANONERO – “Marie Antoinette”

COLOR=#AAAAAA>MELHOR REALIZADOR

MARTIN SCORSESE por “The Departed”

COLOR=#AAAAAA>MELHOR DOCUMENTÁRIO

“AN INCOVENIENT TRUTH”, de Davis Guggenheim

COLOR=#AAAAAA>MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL

“THE BLOOD OF THE YINGZHOU DISTRICT”, de Ruby Yang e Thomas Lennon

COLOR=#AAAAAA>MELHOR MONTAGEM

THELMA SCHOONMAKER – “The Departed”

COLOR=#AAAAAA>MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA

“DAS LEBEN DER ANDEREN” (“THE LIVES OF OTHERS”), de Florian Henckel von Donnersmarck (Alemanha)

COLOR=#AAAAAA>MELHOR CARACTERIZAÇÃO

DAVID MARTÍ e MONTSE RIBÉ – “El Laberinto del Fauno”

COLOR=#AAAAAA>MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL

GUSTAVO SANTAOLALLA por “Babel”

COLOR=#AAAAAA>MELHOR CANÇÃO

I NEED TO WAKE UP“An Inconvenient Truth” (música e letra de Melissa Etheridge)

COLOR=#AAAAAA>MELHOR FILME

“THE DEPARTED”, de Martin Scorsese

COLOR=#AAAAAA>MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

“THE DANISH POET”, de Torill Kove

COLOR=#AAAAAA>MELHOR CURTA-METRAGEM

“WEST BANK STORY”, de Ari Sandel (EUA)

COLOR=#AAAAAA>MELHOR EDIÇÃO DE SOM

CHRISTOPHER BOYES e GEORGE WATTERS II – “Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest”

COLOR=#AAAAAA>MELHOR SONOPLASTIA

MICHAEL MINKLER, BOB BEEMER e WILLIE BURTON – “Dreamgirls”

COLOR=#AAAAAA>MELHORES EFEITOS ESPECIAIS

JOHN KNOLL, HAL HICKEL, CHARLES GIBSON e ALLEN HALL – “Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest”

COLOR=#AAAAAA>MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO

WILLIAM MONAHAN por “The Departed”

COLOR=#AAAAAA>MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL

MICHAEL ARNDT por “Little Miss Sunshine”


Restantes nomeados aqui.




























































Paris, Texas

25.02.07, Rita


Porque uma noite fantástica pode passar-se inteiramente no sofá.

E isso inclui a música de Ry Cooder.


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align=center>SIZE=1 COLOR=#BBBBBB>Harry Dean Stanton e Nastassja Kinski em “Paris, Texas”, de Wim Wenders (1984)











The Last King of Scotland **1/2

23.02.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Kevin Macdonald. Elenco: Forest Whitaker, James McAvoy, Kerry Washington, Gillian Anderson, Simon McBurney, David Oyelowo, Abby Mukiibi Nkaaga. Nacionalidade: Reino Unido, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Em 1971, o presidente do Uganda, Milton Obote, é deposto por um golpe de estado que coloca no poder o General Idi Amin, um homem com grandes aspirações pessoais para o seu país, mas que viria a revelar um perigoso ditador e cujo regime, que durou até 1979, produziu cerca de 300.000 mortes.

ALIGN=JUSTIFY>O filme de Kevin MacDonald (“Touching the Void”, 2003), adaptado do livro de Giles Foden (1998) por Peter Morgan e Jeremy Brock, faz uso de uma personagem ficcional para evidenciar a assustadora espiral de quem entra no círculo de influência de um homem megalómano e paranóico que, seduzido pelo poder, vive no medo de o perder.

ALIGN=JUSTIFY>Nicholas Garrigan (James McAvoy) é um jovem médico escocês que, temendo o aborrecimento de uma vida como médico de família e buscando a aventura, decide ir trabalhar para a zona rural do Uganda, onde espera poder fazer a diferença. Aquando de um acidente automóvel do Presidente Idi Amin (Forest Whitaker), os serviços de Nicholas são requisitados. Este primeiro encontro é suficiente para criar entre ambos uma forte ligação. Amin gosta de sinceridade e coragem de Garrigan, enquanto este não consegue escapar ao sedutor carisma e humor do líder africano. Em resultado, disso, Garrigan é convidado pelo próprio Amin para ser seu médico pessoal e ajudar a definir a política de saúde do país. Deixando para trás os seus ideais humanitários, Nicholas vê-se como uma presença assídua em eventos sociais, e inclusivamente substituindo Amin em reuniões, na categoria de “conselheiro”.

ALIGN=JUSTIFY>A ingenuidade ou egoísmo de Garrigan chegam a roçar o exagero, tantas são as opções estúpidas que ele vai tomando pelo caminho, até dar-se conta da sua cumplicidade tácita e da sua culpa moral. A personagem de McAvoy acaba por ser um símbolo do colonialismo e a sua tragédia pessoal é tanto mais irrelevante quando pensamos na tragédia de um povo que, à semelhança de muitos outros em África, tem a sua história marcada por sucessivos usurpadores, sejam eles nacionais ou estrangeiros.

ALIGN=JUSTIFY>“The Last King of Scotland” repousa totalmente sobre os ombros de Forest Whitaker (“Ghost Dog”, “Panic Room”), que consegue humanizar Amin sem desculpá-lo, movendo-se confortavelmente entre uma gentileza desarmante, uma sedução manipuladora e uma assustadora ferocidade. Com um forte contracena de James McAvoy (“As Crónicas de Narnia”), Whitaker consegue ser tão hipnotizante como terá sido Idi Amin. Com a vantagem do seu poder ser bastante mais lúdico. Uma das apostas seguras dos Oscar.


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ALIGN=CENTER>COLOR=#BBBBBB>Provavelmente um dos melhores posters do ano.



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O Grande Silêncio****

22.02.07, Miguel Marujo
Realização: Philipe Gröning. Nacionalidade: França/Suíça/Alemanha, 2005.





É outro tempo que se respira e vive neste filme. “O Grande Silêncio” estreou entre nós, a 8 de Fevereiro, depois de lá fora acumular prémios da crítica e reconhecimento do público. Mas não se pense que o realizador Philipe Gröning facilita: quase três horas de silêncios e murmúrios, uma banda sonora que se preenche com os gestos do quotidiano: lavar a louça, cortar lenha, tratar da horta, rapar o cabelo, talhar novos hábitos para os monges, tocar o sino. É assim a proposta deste cineasta alemão que, depois de esperar 16 anos para ali poder filmar, viveu seis meses entre a comunidade de monges da Cartuxa, do Mosteiro de La Grande Chartreuse, nos Alpes franceses, próximo de Grenoble, tida como a mais rigorosa das ordens monásticas católicas.


Viver em silêncio, rezar em silêncio, trabalhar em silêncio, falar em silêncio. Pequenos gestos. “Eis o silêncio: deixar que o Senhor pronuncie em nós uma palavra igual a Ele.” Gröning faz do cinema um convento, o olhar do espectador torna-se contemplação, como o monge que reza em silêncio, na sua cela solitária ou na floresta. A repetição, o ritmo, todos os gestos se dizem no tempo destes monges, que vivem noutro tempo, noutro ritmo, nos tempos de hoje. E o filme contempla este tempo, as estações a sucederem-se, os dias e as noites, as orações e os trabalhos.


Para filmar assim, os monges de Le Grande Chartreuse impuseram apenas quatro condições: as filmagens decorrerem sem luz artificial, sem música adicional, nem comentários. E a equipa reduzida ao próprio Gröning. Assim é: não há música, a não ser os cantos gregorianos que os frades cartuxos cantam; quando a noite cai, as orações ditas na escuridão iluminam-se com ténues velas; e quase não há palavras – apenas se escuta o rito de iniciação de dois noviços, uma leitura que acompanha a refeição comum aos domingos e dias santos (únicos dias em que se permite o passeio e conversas entre os irmãos) e, no fim, um frade cego que explica o sentido da sua vida, da vida da comunidade. “Quanto mais perto de Deus, mais feliz se é”, diz-nos. Ao fim de três horas, somos tentados a perscrutar estes silêncios, este tempo: “Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir.”


Mas a este ascetismo, traduzido num filme também ele asceta, o mundo espreita para lá dos muros – grupos de jovens que brincam nas redondezas, um carro que ilumina a noite. “Quem não renuncia a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo.” O sino repica. Solidão e silêncio.

Longe de casa

21.02.07, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Passei estas duas últimas noites com este senhor.

ALIGN=JUSTIFY>Pelas mãos sábias de Martin Scorsese, o desvendar de parte do mundo de Robert Allen Zimmerman provocou em mim uma crescente admiração. Sobretudo pela sua extraordinária fidelidade a si mesmo, porque a música, essa, já me tinha tocado há algum tempo.

ALIGN=JUSTIFY>Por isso ele estará na banda sonora por estes dias, e porque o vento anda carregado de respostas.


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ALIGN=CENTER>COLOR=#E90909>GOING, GOING, GONE (1964)


SIZE=1 COLOR=#BBBBBB>(...)

I'm closin' the book
On the pages and the text
And I don't really care
What happens next.
I'm just going,
I'm going,
I'm gone.

I been hangin' on threads,
I been playin' it straight,
Now, I've just got to cut loose
Before it gets late.
So I'm going,
I'm going,
I'm gone.

(...)



























Senso

17.02.07, Rita


ALIGN=CENTER>Sentimento excessivo.
Felicidade excessiva.
Sofrimento excessivo.

Não há lugar para moderações na ópera cinematográfica que é este filme.


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ALIGN=CENTER>“Senso” de Luchino Visconti (1954)













Vivre Sa Vie

16.02.07, Rita


ALIGN=JUSTIFY>Porque “apenas compreendemos a estrada no final do nosso caminho” e porque “a verdade está em tudo, mesmo no erro”, só nos resta andar e tropeçar de vez em quando.

Mas andar, quand même.

Emprestando-nos aos outros, mas dando-nos apenas a nós próprios.


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ALIGN=CENTER>“Vivre Sa Vie” de Jean-Luc Godard (1962)


ALIGN=CENTER>COLOR=#BBBBBB SIZE=1>“Il faut se prêter aux autres et se donner a soi-même.”
MONTAIGNE















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