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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Los Nombres de Alicia *

14.12.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Pilar Ruiz-Gutiérrez. Elenco: Ana Moreira, Pep Molina, Gracia Olayo, Santiago Ramos, Pepa López, Héctor Tomás, Carolina Petterson, Aitor Mazo, Toby Harper. Nacionalidade: Espanha, 2005.


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ALIGN=JUSTIFY>Mina (Ana Moreira) chega ao seio da família Setién para dar aulas de inglês aos filhos do casal Juan (Pep Molina) e Marisa (Gracia Olayo). Toño (Héctor Tomás), o filho adolescente, fica encantando com ela, mas Marta (Carolina Petterson), a mais nova, parece intrigada com aquela figura misteriosa. Mina é um pólo de atracção para todos ao seu redor, apenas Marta e o pai parecem perturbados pela sua presença.

ALIGN=JUSTIFY>A primeira longa-metragem de Pilar Ruiz Gutiérrez, cujo argumento foi co-escrito pela realizadora e por Jorge Goldenberg (“Perder Es Cuestión de Método”), foi inspirado numa notícia vista num jornal, mas à qual foi aplicada uma quantidade enorme de imaginação, mal doseada e muito pouco coerente.

ALIGN=JUSTIFY>De forma recorrente, Mina envolve-se em jogos de mentiras dos quais não se percebe o motivo, mas que cujo efeito colateral é deixar loucos todos os seres do sexo masculino. De uma forma totalmente forçada surge um paralelismo com o mundo de ilusão do livro ‘Alice no País das Maravilhas’, mas cuja utilidade é muito reduzida.

ALIGN=JUSTIFY>A actriz portuguesa fetiche de Teresa Vilaverde (“Os Mutantes” - 1998, “Transe” - 2006) ocupa quase todas as cenas, mas o seu forte magnetismo não é de todo suficiente para criar uma história onde ela não existe. Percebemos que o passado de Mina, que surge mais tarde na figura de um ex-namorado, foi atribulado e que ela foge de algo, mas o mistério fica por desvendar, parecendo ser apenas uma ideia sem sumo, apenas para aguentar os espectadores na sala até o filme terminar.

ALIGN=JUSTIFY>Se fizer um tremendo esforço para ler algo de útil em “Los Nombres de Alicia”, consigo pensar nos temas da sedução como arma para suprir inseguranças e do poder destrutivo do apego. Se ao menos tivessem sido tratados com algum empenho...








Saw III ****

13.12.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Darren Lynn Bousman. Elenco: Tobin Bell, Shawnee Smith, Angus Macfadyen, Bahar Soomekh, Dina Meyer, Donnie Wahlberg, Mpho Koaho, Barry Flatman, Lyriq Bent, J. LaRose. Nacionalidade: EUA, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Mais nojento, mais retorcido e mais difícil de ver que “Saw II, e conseguindo superar o efeito surpresa de “Saw”, este “Saw III” mantém toda a tensão psicológica e a consistência com os filmes anteriores.

ALIGN=JUSTIFY>A tensão instala-se logo de início, e o corpo leva mais tempo a descontrair do que aquele que o filme dura. Há pessoas muito doentes! E não me refiro às personagens deste filmes, mas aos argumentistas Leigh Whannell e James Wan.

ALIGN=JUSTIFY>Colocando-os em situações mortais, Jigsaw (Tobin Bell) pretende fazer com que a suas vítimas dêem o devido valor à vida que têm ao seu dispor, testando a sua vontade de viver. Mas Jigsaw está agora às portas da morte. Amanda (Shawnee Smith), a sua protegida, rapta a médica Lynn Denlon (Bahar Soomekh) para o manter vivo até que a sua última vítima – Jeff (Angus Macfadyen) – termine o seu derradeiro teste. Movido pela sede de vingança pela morte do seu filho num atropelamento, Jeff verá ser levada ao limite a sua capacidade de perdão.

ALIGN=JUSTIFY>Diversos flashbacks vão explicando a relação de Jigsaw e Amanda, e completando algumas peças em falta dos filmes anteriores, como é o caso dos destinos do detective Eric Matthews (Donnie Wahlberg) e Kerry (Dina Meyer).

ALIGN=JUSTIFY>A fotografia de David A. Armstrong aliada ao óptimo design de produção ajudam a reforçar o pesado ambiente do filme. Aquela sala de “trabalho” faria as delícias da Santa Inquisição!

ALIGN=JUSTIFY>Mas o campo em que “Saw III” mais se destaca é no campo interpretativo. Para começar, os maus têm mais tempo de antena. Tobin Bell consegue ser, na fragilidade da morte, impressionantemente forte e controlado. E Shawnee Smith está perfeita, indo de um extremo emocional a uma calma assustadora. Por outro lado, as vítimas escolhidas são muito mais interessantes, mais densas em termos de background e dando mais luta aos seus opositores. É curioso ver, por exemplo, como a personagem de Bahar Soomekh evolui aos nossos olhos ao longo de todo o filme.

ALIGN=JUSTIFY>Não aconselhável a pessoas facilmente impressionáveis ou de estômago fraco, “Saw III” é uma prova de que as sequelas podem valer a pena, de que o terror pode ser inteligente, e de que, com tanto dente por dente, o perdão é um dos maiores testes a que a humanidade está sujeita. E os resultados não são os mais animadores...


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Death is a surprise party.”
TOBIN BELL (Jigsaw)


ALIGN=JUSTIFY>“Dr. Lynn Denlon - I have the instruments to cut someone open. I don't have the tools to save a life.
Amanda - You'd be surprised what tools can save a life.”
BAHAR SOOMEKH (Dr. Lynn Denlon) e SHAWNEE SMITH (Amanda)

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Live or die Jeff... make our choice.”
TOBIN BELL (Jigsaw)














Salvador (Puig Antich) ***

12.12.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Manuel Huerga. Elenco: Daniel Brühl, Tristán Ulloa, Leonardo Sbaraglia, Leonor Watling, Joel Joan, Celso Bugallo, Mercedes Sampietro, Olalla Escribano, Carlota Olcina, Bea Segura, Andrea Ros. Nacionalidade: Reino Unido, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Salvador Puig Antich era um jovem catalão, anarquista e militante do MIL - Movimiento Ibérico de Liberación, uma organização terrorista que lutava contra o regime ditatorial de Franco. No decorrer de uma operação de captura e de um tiroteio do qual resulta a morte de um polícia, Puig Antich é capturado. Julgado em conselho de guerra, a sua condenação à morte por “garrote vil” carrega a marca da vingança que resultou do atentado da ETA que matou o então presidente do governo Luis Carrero Blanco.

ALIGN=JUSTIFY>O argumento de Lluís Arcarazo, que adapta o livro de Francesc Escribano ‘Cuenta atrás. La historia de Salvador Puig Antich’, apresenta-se simultaneamente como um thriller e um retrato histórico, marcado pela agressividade das forças de segurança do Estado e por um profundo anti-catalanismo (onde se inclui a proibição do uso do idioma). Não havendo uma intenção directa de fazer de Puig Antich um mártir ou um herói, a sua imagem chega até nós bastante favorecida: nos assaltos ele é apenas um condutor, a sua elevada moral impede-o de aceder aos avanços da mulher por quem está apaixonado sabendo que ela se vai casar com outro, e nunca duvida das suas convicções ou dos métodos do grupo. As motivações da sua ideologias precisariam igualmente de uma maior densidade.

ALIGN=JUSTIFY>Os maus são aqui os bons, justificados pelo seu ideal e pela sua luta contra o regime opressor. Do outro lado, estão os polícias, representantes do poder. Apesar desta inversão entre os papéis tradicionais, o filme de Manuel Huerga tende a cair no estereótipo. Este é apenas combatido pela personagem do guarda prisional Jesús (Leonardo Sbaraglia). É de supor que mesmo num regime ditatorial, os homens que aplicam a lei não sejam isentos de valores morais. A transformação de Jesús - uma evidência das capacidades dramáticas de Sbaraglia (“Intacto” - 2001, “Carmen” - 2003) - e da sua relação com Salvador poderia, no entanto, ter sido feita de uma forma mais suave e subtil, e também mais credível.

ALIGN=JUSTIFY>Mas apesar do final da história ser do conhecimento geral, Huerga consegue despertar e manter o interesse e a emoção necessários. A história vai-se desenvolvendo através das entrevistas entre Puig Antich e do seu advogado, Oriol Arau (Tristán Ulloa), que é também a voz off que cobre grande parte do filme.

ALIGN=JUSTIFY>Este filme tem recebido fortes críticas quanto ao uso da figura de Puig Antich com fins comerciais. Muitas das soluções são, usadas de uma forma ostensivamente calculada, como é o caso das dispensáveis cenas de sexo (felizmente uma delas ao som de ‘Suzanne’ na voz de Leonard Cohen), ou da elevada manipulação da lágrima. Em determinados momentos, o sentimentalismo é tão transbordante que rasa o ridículo, retirando força a um filme que se queria mais contundente. Mas para se chegar a um público mais vasto há que fazer certos sacrifícios.

ALIGN=JUSTIFY>“Salvador (Puig Antich)” é sobretudo alimentado pela soberba interpretação de Daniel Brühl, actor hispano-alemão (filho de mãe espanhola e nascido em Barcelona), protagonista de “Good Bye Lenin!” (2003) e “Os Edukadores”, num delicioso jogo interpretativo com Leonardo Sbaraglia, e bem apoiado por Tristán Ulloa (“Lucía y el Sexo”, 2001), Leonardo Sbaraglia e Celso Bugallo (“Mar Adentro”), no papel de pai de Salvador.

ALIGN=JUSTIFY>Apesar das suas falhas, “Salvador (Puig Antich)” tem um bom ritmo, fazendo uma adequada reconstituição histórica e beneficiando da bela fotografia de David Omedes. A cor e a luz marcam os dois momentos de luta: o passado, em liberdade e acção, e o presente, aprisionado e impotente. Funcionando essencialmente como documento histórico dos últimos anos do franquismo, “Salvador (Puig Antich)” é também um filme sobre a inumanidade da pena de morte. Numa espera interminável, angustiosa e cruel, entrelaçam-se mãos e escondem-se lágrimas. “E se canto triste é porque não posso apagar o medo dos meus pobres olhos”, canta - em catalão - Lluís Llach.

ALIGN=JUSTIFY>A 2 de Março de 1974 às 9 horas e 40 minutos, Salvador Puig Antich é morto. Rosas vermelhas cobrem o chão molhado de chuva, como de lágrimas. Até hoje, as irmãs de Salvador lutam para a revisão do seu processo. Porque o amor não é o tempo.


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ALIGN=CENTER>COLOR=E90909>SUZANNE

COLOR=#AAAAAA SIZE=1>Leonard Cohen



Suzanne takes you down to her place near the river
You can hear the boats go by
You can spend the night beside her
And you know that she's half crazy
But that's why you want to be there
And she feeds you tea and oranges
That come all the way from China
And just when you mean to tell her
That you have no love to give her
Then she gets you on her wavelength
And she lets the river answer
That you've always been her lover
And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that she will trust you
For you've touched her perfect body with your mind.

And Jesus was a sailor
When he walked upon the water
And he spent a long time watching
From his lonely wooden tower
And when he knew for certain
Only drowning men could see him
He said "All men will be sailors then
Until the sea shall free them"
But he himself was broken
Long before the sky would open
Forsaken, almost human
He sank beneath your wisdom like a stone
And you want to travel with him
And you want to travel blind
And you think maybe you'll trust him
For he's touched your perfect body with his mind.

Now Suzanne takes your hand
And she leads you to the river
She is wearing rags and feathers
From Salvation Army counters
And the sun pours down like honey
On our lady of the harbour
And she shows you where to look
Among the garbage and the flowers
There are heroes in the seaweed
There are children in the morning
They are leaning out for love
And they will lean that way forever
While Suzanne holds the mirror
And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that you can trust her
For she's touched your perfect body with her mind.
and you want to travel
with her body



ALIGN=CENTER >COLOR=E90909>I SI CANTO TRIST

COLOR=#AAAAAA SIZE=1>Lluís Llach



Jo no estimo la por, ni la vull per a demà,
no la vull per a avui, ni tampoc com a record;
que m'agrada els somrís
d'un infant vora el mar
i els seus ulls com un ram d'il•lusions esclatant.

I si canto trist
és perquè no puc
esborrar la por
dels meus pobres ulls.

Jo no estimo la mort
ni el seu pas tan glaçat,
no la vull per a avui, ni tampoc com a record;
que m'agrada el batec d'aquell cor que, lluitant,
dóna vida a la mort
a què l'han condemnat.

I si canto trist
és perquè no puc
oblidar la mort
d'ignorats companys.

Jo no estimo el meu cant, perquè sé que han callat
tantes boques, tants clams, dient la veritat;
que jo m'estimo el cant
de la gent del carrer
amb la força dels mots
arrelats en la raó.

I si canto trist
és per recordar
que no és així
des de fa tants anys.






































































































Alex **1/2

11.12.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: José Alcala. Elenco: Marie Raynal, Lyes Salem, Adrien Ruiz, Eric Savin, Liliane Rovère, Caroline Baehr, Gérard Meylan. Nacionalidade: França, 2005.


SRC=http://a69.g.akamai.net/n/69/10688/v1/img5.allocine.fr/acmedia/medias/nmedia/18/36/04/37/18447913.jpg WIDTH=500>


ALIGN=JUSTIFY>Da janela de uma casa em ruínas, são atiradas pedras e telhas. Lentamente, a câmara vai-se aproximando desta personagem, cuja a aparência andrógina esconde uma mulher endurecida pela vida. Ela é Alex (Marie Raynal) - também ele um nome sexualmente indeterminado - uma mulher na casa dos 30, que reconstrói a sua vida ao mesmo tempo que renova uma casa, na leve esperança de que o seu filho de 17 anos, Xavier (Adrien Ruiz), que, em criança, ela abandonou aos cuidados do pai, venha viver consigo.

ALIGN=JUSTIFY>O filme “Alex”, vencedor do prémio CICAE 2005 para melhor realizador na 53ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebastian, centra toda a sua história em torno desta metáfora, focando os problemas desta mulher com o seu trabalho numa banca do mercado, com os seus amantes, com um filho que a rejeita e com um passado que a magoa.

ALIGN=JUSTIFY>A ferida profunda que Alex esconde atrás da sua agressividade nunca é totalmente explicada. E a aridez da paisagem montanhosa acaba por ser reflexo da aridez da própria história. Apesar dos impulsos violentos através dos quais Alex se expressa, sejam eles sexuais ou de simples agressividade, esta é uma personagem tremendamente hermética, na qual nem o realizador nos consegue fazer entrar.

ALIGN=JUSTIFY>Captando cada gesto e cada olhar de Alex, José Alcala filma com lentidão o que é estar-se perdido no mundo, em busca de um sentido. No final, também nós procuramos o sentido de uma história que nos deixa perdidos no vazio, inquietos. Uma janela aberta sugere a possibilidade de um futuro novo. E melhor.








The Thin Red Line

10.12.06, Rita


ALIGN=JUSTIFY>Uma noite passada na linha vermelha...

ALIGN=JUSTIFY>Que lindo que é este filme!!!
E que elenco!



SRC=https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/N61074961/10289967_0rzHq.jpeg>


ALIGN=CENTER>“The Thin Red Line”, de Terrence Malick (1998)


ALIGN=ALIGN>COLOR=#AAAAAA>“If I never meet you in my life, let me feel the lack. One glance of your eyes and my life will be yours.”
SEAN PENN













Johhny Guitar

09.12.06, Rita


ALIGN=JUSTIFY>A melhor frase do fim-de-semana:

ALIGN=JUSTIFY>“She dresses like a man, she talks like a man. And sometimes she makes me feel like I’m not one!”



SRC=http://imagecache2.allposters.com/images/pic/MG/143876~Johnny-Guitar-Posters.jpg>


ALIGN=CENTER>“Johnny Guitar”, de Nicholas Ray (1954)










Play - Repeat

08.12.06, Rita


ALIGN=CENTER>Este fim-de-semana a banda sonora está a cargo deste senhor:



SRC=http://www.musik-base.de/images/groups/Damien-Rice.jpg>
ALIGN=CENTER>SIZE=1>(DAMIEN RICE)




ALIGN=CENTER>Porque não é só o mau que se repete. O bom também.



ALIGN=CENTER>COLOR=#E90909>CANNONBALL


COLOR=#AAAAAA>Still a little bit of your taste in my mouth
Still a little bit of you laced with my doubt
Still a little hard to say what's going on

Still a little bit of your ghost your witness
Still a little bit of your face I haven't kissed
You step a little closer each day
Still I can't say what's going on

Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannonball

Still a little bit of your song in my ear
Still a little bit of your words I long to hear
You step a little closer to me
So close that I can't see what's going on

Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannon

Stones taught me to fly
Love taught me to cry
So come on courage!
Teach me to be shy
'Cause it's not hard to fall
And I don't wanna scare her
It's not hard to fall
And I don't wanna lose
It's not hard to grow
When you know that you just don't know















































Copying Beethoven **1/2

07.12.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Agnieszka Holland. Elenco: Ed Harris, Diane Kruger, Ralph Riach, Matthew Goode, Joe Anderson. Nacionalidade: EUA / Alemanha, 2006.


SRC=http://us.movies1.yimg.com/movies.yahoo.com/images/hv/photo/movie_pix/mgm/copying_beethoven/ed_harris/copying1.jpg>


ALIGN=JUSTIFY>1824. Anna Holz (Diane Kruger) uma jovem de 23, estudante de composição no conservatório de Viena é enviada como copista para trabalhar com Ludwig Van Beethoven (Ed Harris), que está a terminar a sua Nona Sinfonia. Anna vê esta oportunidade de trabalhar com o seu herói (um “monstro” intimidante) como um caminho para o seu próprio sonho de compor as suas próprias obras.

ALIGN=JUSTIFY>O argumento de Stephen J. Rivele e Christopher Wilkinson ( “Nixon”, 1995) faz uso de uma personagem ficcional para se centrar nos últimos anos de vida do famoso compositor, quando a surdez conduziu a sua criação artística por novos caminhos. Infelizmente, este novo biopic de Agnieszka Holland (“Total Eclipse”, 1995) não traz nada de novo sobre este génio louco, cujo isolamento e revolta são apenas reflexos de uma profunda necessidade de afecto. “Copying Beethoven” limita-se a contar superficialmente uma história vulgar, quase feminista, do olhar inocente que vê o lado humano por trás da excentricidade e que através da perseverança consegue ganhar o respeito e a admiração desejadas.

ALIGN=JUSTIFY>É só já perto do fim que “Copying Beethoven” aflora os temas interessantes do papel do artista na sociedade, a dualidade entre arte e comércio e a visão religiosa da música, como uma bênção e como a linguagem de deus.

ALIGN=JUSTIFY>Ed Harris (“A History of Violence”) é um grande actor, mas Beethoven é uma personagem grande demais. Até para ele. Ainda assim, a química com a actriz alemã Diane Kruger (“Frankie”) funciona bastante bem, especialmente quando a relação entre ambas as personagens se altera em virtude da primeira apresentação pública da Nona Sinfonia. Mas, por outro lado, “Copying Beethoven” tem outras personagens totalmente dispensáveis como é o caso de Karl (Joe Anderson), o sobrinho de Beethoven, e Martin Bauer (Matthew Goode), o namorado de Anne, que parecem surgir apenas para efeito de conflito, sem qualquer influência no desenrolar da narrativa.

ALIGN=JUSTIFY>Apesar de não ser uma grande obra, este filme é sobre uma grande obra. E a câmara de Agnieszka Holland é profundamente musical. E, se de repente, ficamos com pele de galinha no meio de cinema, com o peito apertado e o olhos marejados de emoção... isso pode bem ser a Nona Sinfonia de Beethoven.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “I’m a very difficult person, Anna Holtz, but I take comfort in the fact that God made me that way.”
ED HARRIS (Ludwig Van Beethoven)


ALIGN=JUSTIFY> “A woman's composing is like a dog walking on its hind legs. It is not done well, but you're surprised to find it done at all.”
ED HARRIS (Ludwig Van Beethoven)












The Queen ****

06.12.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Stephen Frears. Elenco: Helen Mirren, Michael Sheen, James Cromwell, Sylvia Syms, Alex Jennings, Helen McCrory, Roger Allam, Tim McMullan, Douglas Reith. Nacionalidade: Reino Unido / França / Itália, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>A acção de “The Queen” desenrola-se na semana seguinte à morte da princesa Diana no Verão de 1997. Stephen Frears (“Mrs Henderson Presents”) centra a sua atenção em dois dos actores deste episódio, a rainha do trono britânico Elizabeth II (Helen Mirren) e o primeiro-ministro Tony Blair (Michael Sheen), que tinha à data dos acontecimentos sido eleito pelo Partido Trabalhista.

ALIGN=JUSTIFY>Sob o olhar detalhista de Frears está não só a relação entre eles, como também a relação com o seu povo, no caso da rainha, e com o seu eleitorado, no caso de Blair, perante um acontecimento privado com claras dimensões políticas, e onde os media desempenham um importante papel (daí o uso das imagens de arquivo).

ALIGN=JUSTIFY>Diana estava privada do estatuto real devido ao divórcio do Príncipe Carlos (Alex Jennings), por isso o protocolo ditava um funeral privado. Sem compreender a dimensão emocional que a morte de Diana tem sobre o povo inglês, a rainha decide então refugiar-se em Balmoral para proteger a privacidade dos netos, sem haver qualquer comunicado da casa real expressando o lamento pelo sucedido. Perante a pressão dos media e da população, Blair decide ajudar a rainha a salvar-se dela mesma.

ALIGN=JUSTIFY>A popularidade da rainha desce aos seus valores mínimos, enquanto a de Blair dispara, muito devido ao discurso proferido no qual se refere a Diana como a “princesa do povo”. Este contraste entre um político modernista e um rainha tradicionalista, cujo mútuo cepticismo passa a um mútuo respeito, é reforçado pelo contraponto entre os dois lares.

ALIGN=JUSTIFY>Mesmo sem poder avaliar o quão perto esta história possa estar da realidade, o argumento de Peter Morgan consegue ser totalmente verosímil. Stephen Frears filma “The Queen” com extremo respeito, com sensibilidade e com a dose adequada de humor. Este é um filme de conflitos e equilíbrios, entre um, entre a vida privada e a vida pública, entre um ícone e o ser humano que está por trás dele e que é forçado a mostrar a sua máscara pública em todos os momentos.

ALIGN=JUSTIFY>Um filme de actores, como este é, deve grande parte do seu sucesso ao seu naipe de actores. E “The Queen” conta com extraordinárias interpretações. Michael Sheen (“Kingdom of Heaven”) é completamente revigorante e apaixonante neste retrato de um homem no qual são depositadas todas as expectativas de uma nação. Hellen Mirren (“Gosford Park”) é deslumbrante, entre a frieza e a fragilidade, com uma forte expressividade aliada a uma delicada subtileza e o seu extremo auto-controlo dando um enorme peso a cada contracção facial. Nos secundários o apoio é dado por Helen McCrory como a sarcástica anti-monáquica Cherie Blair, Sylvia Syms como uma surpreendentemente divertida Rainha Mãe e James Cromwell no papel de um intransigente Príncipe Philip.

ALIGN=JUSTIFY>Ao mesmo tempo que humaniza a monarquia (do qual o episódio simbólico do veado é o ponto chave), Frears mostra o quão afastada ela se encontra das preocupações dos seus súbditos. Movendo-se agilmente nos bastidores, Frears levanta a questão da relevância da monarquia na sociedade actual e até que ponto um líder deve ser igualmente um seguidor.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Uneasy lies the head that wears a crown.”
in HENRY IV de William Shakespeare


ALIGN=JUSTIFY>“Will someone please save these people from themselves!”
MICHAEL SHEEN (Tony Blair)












Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan ***

05.12.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Larry Charles. Elenco: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian. Nacionalidade: EUA, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Borat Sagdiyev é uma das personagens criadas pelo actor inglês Sacha Baron Cohen para o seu programa televisivo “The Ali G Show”, é um jornalista do Casaquistão, prestes a ser enviado aos Estados Unidos pelo seu governo para aprender sobre a cultura americana e poder regressar com ideias para modernizar o seu país. O seu documentário começa na sua terra natal, onde Borat apresenta a sua família, incluindo a sua irmã, que ocupa o 4º lugar da melhor prostituta do seu país, e os seus vizinhos, incluindo o violador da aldeia (confesso que esta me mandou de imediato para o universo Pythonesco).

ALIGN=JUSTIFY>Aos colocar-se em contextos reais, Sacha Baron Cohen, encontra um meio aparentemente superficial para fazer um profundo comentário social, sobre a América e sobre a sociedade ocidental em geral. Borat reúne em si todas as características menos politicamente correctas: é sexista, racista, homofóbico e anti-semita, a combinação menos comercial possível. O mais interessante é ver como, na sua interacção com a realidade americana, essas mesmas características, normalmente camufladas de todos, vêm ao de cima nos momentos mais inesperados, bastando para isso encontrar quem partilhe de uma mesma - odiosa - opinião. Incómodo, ordinário, ofensivo, insolente, subversivo e completamente louco, Borat consegue despertar nos outros um lado surpreendente, onde residem muitos dos medos e falhas de uma América que vive no limite do que é e aquilo que quer mostrar ser.

ALIGN=JUSTIFY>Mesmo a sua paixão desenfreada por Pamela Anderson é representativa dos valores erguidos pela América como padrão, neste caso não de comportamento mas de imagem. Os Estados Unidos continuam, infelizmente para grande parte do mundo, a ser uma medida daquilo que se deve almejar.

ALIGN=JUSTIFY>O empenho de Baron Cohen é tão grande e tão profundo, que todo o filme parece, de facto, um documentário (ainda que não se perceba, quando o seu agente Azamat Bagatov (Ken Davitian) o abandona, quem fica por trás da câmara a filmá-lo). Desde os que lhe viram as costas, aos que o insultam ou agridem, até aos que aguentam até ao limite da sua paciência, ele responde a todas as situações como se fosse o próprio Borat. As aparições públicas do actor são repetidamente feitas sob as suas múltiplas máscaras, é por isso previsível que haja um período de convivência extensíssimo com estas personalidades.

ALIGN=JUSTIFY>Mas “Borat” peca por ser muito inconsistente. Feito à base de momentos, a sua linha condutora mantém-se fragilmente no campo de um road movie, mas impelido por uma fraca motivação. As potencialidades sarcásticas desta personagem são enormes, mas as situações puramente ridículas e sem propósito também abundam. Entre a sagacidade de uma observação e a vacuidade de outra, abre-se um enorme abismo.

ALIGN=JUSTIFY>Pegar num país real como o Casaquistão facilita a credibilidade da personagem como enviado estrangeiro, mas prejudica gravemente a imagem que passa desse mesmo país. Por isso, é necessária alguma flexibilidade mental para aceitá-la como soma dos estereótipos mais ridículos projectados sobre as sociedades dos países do leste europeu, e evitar comparações com a realidade.

ALIGN=JUSTIFY>Nem tonto nem genial, “Borat” levanta alguns temas que podem prolongar-se em noites de boa conversa.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “This is Urkin, the town rapist. Naughty, naughty!”
SACHA BARON COHEN (Borat Sagdiyev)


ALIGN=JUSTIFY> “May George Bush drink the blood of every man, woman and child in Iraq!”
SACHA BARON COHEN (Borat Sagdiyev)

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“We support your war of terror.”
SACHA BARON COHEN (Borat Sagdiyev)


ALIGN=JUSTIFY> [cantando o hino do Casaquistão ao som do hino americano]
“Kazakstan, greatest country in the world, all other countries are run by little girls. Kazakhstan is number one exporter of potassium, Other Central Asian countries have inferior potassium. Kazakhstan, greatest country in the world, all other countries is run by the gays...”
SACHA BARON COHEN (Borat Sagdiyev)