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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Grbavica *****

30.11.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Jasmila Žbanić. Elenco: Mirjana Karanović, Luna Mijović, Leon Lucev, Kenan Catic, Jasna Ornela Berry, Dejan Acimovic, Bogdan Diklic, Emir Hadzihafisbegovic. Nacionalidade: Áustria / Bósnia-Herzegovina / Alemanha / Croácia, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>“Sarajevo, meu amor”. Este deveria ser, à semelhança de França, o título deste filme em português. O titulo também de uma canção popular.

ALIGN=JUSTIFY>Esma (Mirjana Karanović) é mãe solteira e vive no bairro de Grbavica, em Sarajevo. Trabalha num bar e faz vestidos por encomenda, mas nem assim consegue reunir o dinheiro necessário para pagar a excursão da escola da sua filha de 12 anos, Sara (Luna Mijović). Pela apresentação de um certificado provando que o seu pai foi um mártir da guerra (shaheed), os jovens têm um desconto na viagem, mas Esma parece disposta a manter a verdade para si própria.

ALIGN=JUSTIFY>As inseguranças de Sara, típicas de qualquer adolescência, exigem-lhe que marque a sua posição frente a uma mãe que, mesmo que extremosa, desempenha o papel de autoridade. Sara quer saber quem era o seu pai e que feições passaram geneticamente para ela, quando tudo o que Esma quer é esquecer. Mas o seu processo é de fuga; o grupo de apoio em que participa é para ela apenas a fonte de mais uns dinheiros mensais. O aparecimento de Pelda (Leon Lucev), segurança do dono do bar onde Esma trabalha, vem, no entanto abrir-lhe a possibilidade de um novo caminho.

ALIGN=JUSTIFY>De uma forma inteiramente pessoal, e com um cunho intimista (e por isso duro), a realizadora Jasmila Žbanic, vencedora do Urso de Ouro na 56ª edição do Festival de Berlim, analisa um aspecto verdadeiramente horripilante: as violações em massa de mulheres durante a guerra da Bósnia (a estimativa oficial - e, por isso, por baixo - é de 20 000 mulheres violadas por soldados sérvios entre 1992 e 1995).

ALIGN=JUSTIFY>Žbanic olha, de uma forma corajosa para estas vidas, símbolo de todas as vítimas, directas e indirectas, deste conflito (e de tantos outros). Apesar da guerra ter terminado, os seus efeitos são muito mais duradouros do que a maioria de nós julga (considerando quem, como eu, vive - felizmente - longe desses extremos atropelos humanos), e a sensação de injustiça persiste.

ALIGN=JUSTIFY>“Grbavica” conta com duas magistrais interpretações por parte de Mirjana Karanović (“Underground”, “Life is a Miracle”) e da estreante Luna Mijović, completamente entregues a um processo de reconstrução, procurando encontrar significado no meio da devastação (pessoal), eliminando os elementos que evocam um passado brutal, e, por fim, aceitando-o e libertando-se dele.

ALIGN=JUSTIFY>Žbanic tem uma imensa atenção ao detalhe, carregando cada cena de todo o significado possível. Não de todos os significados, entenda-se. É uma questão de intensidade, não de extensão. Žbanic faz-nos perceber todas as inquietudes, todas as dúvidas e todas as contradições das suas personagens. E sabemos que um filme é bom quando uma mão colada a um vidro diz tanta coisa.

ALIGN=JUSTIFY>Há um tom de tragédia em todo o filme, ampliado pela brancura e pelo frio. Não se trata de uma tragédia iminente, mas sim imanente - que persiste naquelas pessoas, que vem de dentro, em silêncio, através de olhares magoados e gestos cortados. Um filme desarmante e comovente, de uma seriedade e uma gravidade a que nenhum de nós, como ser humano, pode ficar indiferente.


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ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>P.S. - O distribuidor local do filme na Bósnia-Herzegovina, Oscar Film, decidiu não fazer sair o filme para as salas. A sua justificação é a seguinte: “We live in the Serb part of Bosnia and we don't want to provoke a revolt of the Serb population and, since there is no interest in the movie, we do not have the economic interest to show it.”

Trágico...













Thank You For Smoking **1/2

29.11.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Jason Reitman. Elenco: Aaron Eckhart, Maria Bello, Cameron Bright, Adam Brody, Sam Elliott, Katie Holmes, David Koechner, Rob Lowe, William H. Macy, J.K. Simmons, Robert Duvall, Kim Dickens. Nacionalidade: EUA, 2005.


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ALIGN=JUSTIFY>Querendo ser uma sátira à sociedade, à política, à exploração mediática e à manipulação de opinião, “Thank You For Smoking”, baseado no livro de 1994 de Christopher Buckley, acaba por ser um filme que não se compromete com nenhum ponto de vista, terminando num olhar morno sobre algo que poderia ter facilmente a dimensão de um Michael Moore. A imparcialidade nem sempre tem mais força dramática.

ALIGN=JUSTIFY>Nick Naylor (Aaron Eckhart) é porta-voz de um lobby tabaqueiro, defendendo os direitos dos indefensáveis gigantes corporativos. Um improvável herói, cuja moral pessoal está completamente obnubilada pelo seu dever laboral, e por um talento - a argumentação - que parece conduzi-lo inevitavelmente a trabalhar do lado dos “maus” (deliciosa interpretação de J.K. Simmons como patrão de Naylor). Naylor reúne-se regularmente com os seus amigos Polly Bailey (Maria Bello) e Bobby Jay Bliss (David Koechner), os três auto-denominando-se ‘M.O.D. squad’ ( de ‘Merchants of Death’), a primeira promovendo as bebidas alcoólicas, o segundo as armas. Os três competem pelo maior número de mortes e trocam estratégias. Naylor pretende que Hollywood, na pessoa do agente Jeff Megall (Rob Lowe), recupere a imagem sexy dos cigarros no cinema, mas o seu verdadeiro desafio é um senador ambientalista, Ortolan K. Finistirre (William H. Macy), mas cuja retórica, no entanto, não constitui qualquer ameaça à excelência de Naylor.

ALIGN=JUSTIFY>O que é interessante em “Thank You For Smoking” é ver como um homem que consegue justificar-se perante um adolescente diagnosticado com cancro, consegue também levantar-se todos os dias e olhar-se no espelho, ou mesmo nos olhos do seu filho Joey (Cameron Bright, “Birth”), para quem ele é um herói. Como ele mesmo explica, a sua profissão requer uma flexibilidade moral que não está ao alcance de todos.

ALIGN=JUSTIFY>Mas “Thank You For Smoking” tem muito pouco a ver com cigarros ou com os fundamentalismos, de um lado e de outro, do actor de fumar. É um filme sobre manipulação, e sobre os valores morais estamos dispostos a vender para pagar os nossos empréstimos.

ALIGN=JUSTIFY>Na sua primeira realização, o filho do realizador Ivan Reitman, evita o tom de sermão, procurando deliberadamente um equilíbrio de pontos de vista. O seu grande erro é ridicularizar personagens já de si pouco densas, evitando desconstruir as suas motivações, e, em consequência, enfraquecendo qualquer opinião que elas possam ter. E apesar da capacidade de Eckhart (“Suspeck Zero”, “The Black Dalia”) ser simultaneamente charmoso e execrável eu, pessoalmente, estava bastante indiferente ao seu destino, redentor ou não.

ALIGN=JUSTIFY>Eu não sou fumadora, mas também não sou apologista de radicalismos (uma cidade americana já proibiu os cigarros em todos os sítios públicos ao ar livre -sim, ar livre!). E tinha a esperança que este filme viesse detractar a obsessão (não só) americana com o politicamente correcto, cujo extremo parece agora ser a imposição de um conjunto de medidas que, em vez de protegerem as liberdades de uns, se limitam a retirar liberdades a outros diferentes. O senso comum está fora de moda (ao contrário do neo-puritanismo) e o ser humano parece ter-se tornado incapaz de respeitar o próximo sem ser através de leis.

ALIGN=JUSTIFY>Jason Reitman é demasiado brando - direi até politicamente correcto - no retrato que faz de uma sociedade onde o peso do que se diz é bastante inferior à forma como se diz. Suponho que, estando-se a falar de cinema, uma máquina totalmente lubrificada com óleos promocionais, isso acabe por ser compreensível. Afinal de contas, o filme tem que ser vendido. É compreensível, mas não desculpável.

ALIGN=JUSTIFY>A liberdade de escolha é um valor essencial, mas não deve nunca ser usada como argumento para tudo - e para mim essa é a grande falha de conceito deste filme. Porque não vivemos isolados, e porque as nossas escolhas têm consequências sobre os outros e sobre o mundo.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“That's ludicrous - The great state of Vermont will not apologize for its cheese!”
WILLIAM H. MACY (Senador Ortolan Finistirre)


ALIGN=JUSTIFY>“If I prove you’re wrong, then I must be right.”
AARON ECKHART (Nick Naylor)

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Being a lobbyist requires a moral flexibility that is beyond most people.”
AARON ECKHART (Nick Naylor)


ALIGN=JUSTIFY>“We don’t need the government warning us about what we already know isn’t good for us”.
AARON ECKHART (Nick Naylor)

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Michael Jordan plays ball. Charles Manson kills people. I talk. Everyone has a talent.”
AARON ECKHART (Nick Naylor)




ALIGN=CENTER>Gosto muito, muito deste poster!


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José Saramago

28.11.06, Rita


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ALIGN=JUSTIFY>Parece que o resto do mundo está também condenado a render-se ao talento do Nobel literário português.

ALIGN=JUSTIFY>Depois da adaptação do livro “A Jangada de Pedra” (George Sluizer, 2002), é a vez do realizador brasileiro Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”, “The Constant Gardener”) adaptar o “Ensaio Sobre a Cegueira”.

ALIGN=JUSTIFY>O argumento do filme “Blindness” estará a cargo de Don McKellar, que também fará parte do elenco. As filmagens desta co-produção brasileira, canadiana, britânica e japonesa, que decorrerão entre São Paulo e Toronto, deverão ter início no Verão de 2007, com estreia programada para 2008.

ALIGN=JUSTIFY>Curiosamente, nesta mesma semana, em concerto no Santiago Alquimista, a cantora americana Laura Veirs confessou ter feito a adaptação de uma página do mesmo livro de Saramago para uma das novas canções do seu álbum, que sairá em Março (e para o uso da qual aguarda ainda a autorização do escritor).

ALIGN=JUSTIFY>Para me manter no tom, e acrescentar mais um livro aos meus promíscuos comportamentos de leitura, tirei este da estante para ir lendo no metro:


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ALIGN=CENTER>COLOR=#AAAAAA>“É bem verdade que nem a juventude sabe o que pode, nem a velhice pode o que sabe.”
in “A Caverna”, de JOSÉ SARAMAGO












Infamous ***

27.11.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Douglas McGrath. Elenco: Toby Jones, Sandra Bullock, Daniel Craig, Jeff Daniels, Peter Bogdanovich, Hope Davis, Sigourney Weaver, Isabella Rossellini, Lee Pace, John Benjamin Hickey, Gwyneth Paltrow. Nacionalidade: EUA, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Quando o filme que deu a Philip Seymour Hoffman o Oscar de Melhor Actor começou a ser filmado, “Infamous” já se encontrava em pós-produção, e quando “Capote” saiu, “Infamous” já estava terminado. Atrasar o seu lançamento foi uma decisão ajuizada da Warner Independent Pictures. Mas a pouca distância entre ambos (apenas 9 meses em Portugal) torna inevitável uma comparação.

ALIGN=JUSTIFY>À semelhança de “Capote”, a acção de “Infamous” foca o período na vida de Truman Capote no qual ele escreveu a obra “A Sangue Frio”, um romance de não-ficção sobre o assassinato da família Clutter, que teve lugar no Kansas no final da década de 50.

ALIGN=JUSTIFY>Mas, ao contrário de “Capote”, que se centrava na personagem do escritor e na forma como o seu ego o fazia manipular tudo e todos à sua volta, “Infamous” centra-se no dilema moral com que ele se debatia, entre o seu trabalho como escritor e o seu laço emocional a um dos criminoso. Um sentimento que, em “Infamous”, parece ser uma inevitabilidade e não um acto calculista.

ALIGN=JUSTIFY>“Infamous” começa com a música “What Is This Thing Called Love”, cantada num clube nocturno por Peggy Lee (Gwyneth Paltrow, na sua própria voz), numa sentida interpretação que lança o tom do filme, num misto de sinceridade e dissimulação.

ALIGN=JUSTIFY>Truman Capote encontra-se bloqueado na obra “Answered Prayers” quando a notícia da morte de uma família no Kansas chama a sua atenção. Acompanhado pela sua amiga Nelle Harper Lee (Sandra Bullock), vencedora do Pulitzer com o livro “To Kill a Mocking Bird”, Capote desloca-se a Holcomb para fazer um artigo que, mais tarde, se transformará no livro “In Cold Blood”. Com uma louvável persistência, Capote consegue convencer o inspector responsável pelo caso, Alvin Dewey (Jeff Daniels) a dar-lhe acesso ao caso e, aquando da sua captura, também aos presos, Perry Lee (Daniel Craig) e Dick Hickock (Lee Pace).

ALIGN=JUSTIFY>“Infamous” conduz-nos também ao círculo social em que Truman Capote se movia, um mundo de ricos, de materialismo, de mexericos e de mentiras. A mente de Truman Capote parece estar mais dissecada neste filme do que em “Capote”, que, por sua vez, nos fornece mais informação sobre o crime e sobre o processo literário do escritor.

ALIGN=JUSTIFY>Douglas McGrath (“Emma”, “Nicholas Nickleby”) faz uma abordagem mais linear da narrativa, optando por soluções mais tradicionais, com bastante humor, e capitalizando nos nomes sonantes do elenco e num muito bom Toby Jones (“Finding Neverland”, “Mrs Henderson Presents”). Eu adoro Philip Seymour Hoffman e achei óptimo o seu trabalho em “Capote”, mas Toby Jones tem o grande mérito de conseguir trazer uma interpretação de Truman Capote ainda mais extrema e com um toque muito pessoal. Desta forma se prova que dois grandes actores podem oferecer duas boas interpretações de uma mesma personagem (e que ser director de casting pode ser uma tarefa ingrata).

ALIGN=JUSTIFY>McGrath introduz, com resultados questionáveis a nível de credibilidade, um elemento pseudo-documental, ao colocar os actores que representam algumas das pessoas do círculo de Capote num contexto de entrevista. Entre eles estão Babe Paley (Sigourney Weaver), Diana Vreeland (Juliet Stevenson), Gore Vidal (Michael Panes), Slim Keith (Hope Davis), Bennett Cerf (Peter Bogdanovich), editor da Random House, e o amante de Capote Jack Dunphy (John Benjamin Hickey).

ALIGN=JUSTIFY>A secundar está um Daniel Craig intenso, misterioso, magoado e volátil (continuo a pensar na pena que é fechar este senhor na personagem de Bond). Hope Davis e Sigourney Weaver são apostas seguras, enquanto Sandra Bullock tem aqui a sua melhor interpretação e talvez uma janela aberta para outras experiências.

ALIGN=JUSTIFY>Apesar do seu magnetismo, o Capote de “Infamous” é menos empático que o de Hoffman, é mais frágil mas menos envolvente. E face ao fogo visual do primeiro, continuo a preferir a gravidade do segundo.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “It’s hard to put a friend in the past tense.”
BETHLYN GERARD (Marie Dewey)


ALIGN=JUSTIFY>“So you think your book is worth a human life?”
ISABELLA ROSSELLINI (Marella Agnelli)












16 Blocks ****

24.11.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Richard Donner. Elenco: Bruce Willis, Mos Def, David Morse, Jenna Stern, Casey Sander, Cylk Cozart, David Zayas, Robert Racki. Nacionalidade: Alemanha / EUA, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Jack Mosley (Bruce Willis) é um polícia em final de carreira que se refugia na bebida enquanto espera pela morte. No final de um longo dia, Jack é obrigado a acompanhar uma testemunha Eddie Bunker (Mos Def) até ao tribunal, que dista 16 quarteirões da esquadra. Mas o que Jack não sabe é que Bunker está prestes a denunciar alguns dos seus colegas, os mesmos que, liderados pelo seu companheiro Frank Nugent (David Morse), estão determinados em não os deixar chegar ao seu destino.

ALIGN=JUSTIFY>A acção de “16 Blocks” decorre praticamente em tempo real. O relógio vai marcando os 118 minutos que restam a este improvável par. O jogo do polícia bom e polícia mau, com um criminoso à mistura não é novo, mas Richard Donner, responsável pela tetralogia “Letal Weapon”, “Conspiracy Theory” e “Maverick”, entre outros, consegue incutir a este género uma considerável dose de originalidade que, só por si, justifica uma ida ao cinema. Em diversas ocasiões parece ser evidente o que vem a seguir (aquele “ah, já sei, aqui agora é assim”), mas o inteligente argumento de Richard Wenk produz soluções bem mais imaginativas e menos estereotipadas.

ALIGN=JUSTIFY>Richard Donner faz um óptimo trabalho de suspense, aumentando a tensão de cada cena, enchendo as ruas de Nova Iorque de gente e evitando o uso excessivo de feitos especiais (a la Michael Bay), o que confere realismo a toda a acção. “16 Blocks” consegue ser contido e ao mesmo tempo frenético. Para isso contribui necessariamente a personagem de Mos Def, com um sério problema de contenção verbal e de divagação, ao qual acresce uma voz nasalada verdadeiramente cansativa.

ALIGN=JUSTIFY>Os diálogos fogem também aos clichés habituais e estão impregnados de um humor inteligente (onde a ironia de Willis marca presença), e, subtilmente, constrói-se uma forte relação emocional, entre as personagens e com o espectador.

ALIGN=JUSTIFY>Bruce Willis (“Lucky Number Slevin”, “Sin City”) está completamente à vontade na sua versão de velho, cansado, gordo, careca, lívido e cheio de rugas. A sua personagem é tão bem (e sucintamente) descrita nas cenas inicias, que não temos qualquer dificuldade em entender os seus comportamentos de quem não tem nada a perder.

ALIGN=JUSTIFY>Mas Willis não está sozinho. Mos Def (“The Hitchhiker's Guide to the Galaxy”), que funciona como o escape cómico e a consciência de Jack, é complexo ao ponto de despertar em nós sentimentos tão contraditórios como a raiva e a ternura. Por outro lado, David Morse (“The Green Mile”, “Dancer in the Dark”) é totalmente execrável (e perfeito) como polícia corrupto.

ALIGN=JUSTIFY>Porque os filmes de acção não são sempre iguais. Porque vale a pena sentir o poder que o cinema tem de brincar com as nossas emoções. E porque Bruce Willis está a envelhecer da melhor forma.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Days change, seasons change, people don't change.”
BRUCE WILLIS (Jack Mosley)


ALIGN=JUSTIFY>“You can’t be lucky all the time, but you can be smart everyday.”

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“We stopped being friends around 08h25.”
BRUCE WILLIS (Jack Mosley)












Unknown ****

23.11.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Simon Brand. Elenco: Jim Caviezel, Greg Kinnear, Bridget Moynahan, Joe Pantoliano, Barry Pepper, Jeremy Sisto, Peter Stormare, Chris Mulkey, Clayne Crawford. Nacionalidade: EUA, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Um homem com um blusão de ganga (Jim Caviezel, “The Passion of the Christ”) acorda no meio de um armazém, fazendo um tremendo esforço para se situar. No mesmo armazém estão mais quatro homens inconscientes: um sentado e amarrado numa cadeira (Joe Pantoliano, “The Sopranos”), outro desmaiado numa passagem superior (Barry Pepper, “The Three Burials of Melquiades Estrada”), um outro algemado e sangrando de um tiro (Jeremy Sisto, “Six Feet Under”), e outro ainda jazendo no chão com o nariz partido (Greg Kinnear, “Little Miss Sunshine”). Cambaleante o homem de blusão de ganga procura uma saída. Ao passar por uma casa de banho lava a cara, olha-se ao espelho e pergunta-se: “Who the fuck are you?”.

ALIGN=JUSTIFY>Nenhum destes homens sabe como chegou até ali ou sequer a sua vida antes disso. Este parece ser o efeito de um gás que se terá libertado de uma botija. Após encontrarem um jornal onde a notícia de um rapto identifica dois homens, todos assumem estar envolvidos no caso. A questão é que nenhum sabe se pertence ao grupo de raptores ou raptados. Entre eles desenvolvem-se, simultaneamente, relações de suspeita, conflito e de aliança, baseadas no instinto e que visam apenas a defesa de interesses próprios. Um telefonema dos restantes raptores coloca um tempo limitado na sua possibilidade de fuga.

ALIGN=JUSTIFY>Paralelamente, Eliza (uma fraca Bridget Moynahan, “I, Robot”), a mulher de um dos raptados, paga um resgate. Mas a tentativa da polícia apanhar os raptores através do dinheiro falha, apenas se conseguindo a identificação de um dos criminosos (Peter Stormare, “The Brothers Grimm”).

ALIGN=JUSTIFY>Porque a personagem de Jim Caviezel é aquela com quem temos primeiramente contacto, há a tendência para o colocarmos quase automaticamente no papel de herói. É por ele que torcemos. Mas o realizador estreante Simon Brand (que faz também um cameo como médico das urgências), com o forte argumento de Matthew Waynee, cozinha uma receita que mistura habilmente “Reservoir Dogs”, “Cube”, “Saw”, e até “Memento”. À medida que cada um deles vai tendo flashes do seu passado, somos obrigados a reformular todas as nossas percepções. Até ao final.

ALIGN=JUSTIFY>“Unknown” é um filme intenso, que capitaliza num espaço exíguo para estimular a tensão psicológica e que vive de fortes diálogos (cheios de testosterona) e da poderosa contracena de Jim Caviezel e Greg Kinnear.

ALIGN=JUSTIFY>Mas na base das disputas entre estes homens está uma questão que cada um se vê obrigado a resolver individualmente: se são bons ou maus, e sendo maus se essa é uma índole à qual não podem fugir ou se podem mudar. E este parece ser o momento para se definirem. Como animal social, e começando do zero, será que o Homem é intrinsecamente bom?


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“The choices we make from here on out of this shit-hole, that’s what’s gonna define us.”
BARRY PEPPER












The Night Listener ***

22.11.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Patrick Stettner. Elenco: Robin Williams, Toni Collette, Joe Morton, Bobby Cannavale, Rory Culkin, Sandra Oh, John Cullum. Nacionalidade: EUA, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>O mais inquietante deste “The Night Listener” é o facto de se basear num livro parcialmente autobiográfico – ‘Tales of the City’ – da autoria de Armistead Maupin. Mas em vez de escritor, Gabriel Noone (Robin Williams) é animador de um programa nocturno de rádio, Noone At Night, baseado em histórias, muitas delas retiradas da sua própria vida. No meio de um tumulto da sua vida pessoal, o seu amigo e agente literário Ashe (Joe Morton) passa a Noone o manuscrito de Pete (Rory Culkin), um jovem de 14 anos, cuja infância foi marcada por abusos físicos e psicológicos. Impressionado pela escrita e pelo conteúdo da obra, Noone inicia uma relação telefónica com este jovem, que vive numa zona rural do Winsconsin, sob a tutela de Donna (Toni Collette), que zela não só pela sua saúde, mas também tentando protegê-lo de possíveis perseguições.

ALIGN=JUSTIFY>Tudo começa a assumir uma perspectiva particularmente tortuosa quando Jess (Bobby Cannavale), o ex-namorado de Noone, lhe chama a atenção para a parecença das vozes de Donna e Pete, insinuando que tudo possa não passar de uma brincadeira. Noone não tem efectivamente provas de Pete existe. Perante a dúvida, Noone decide procurá-lo e tirar tudo a limpo.

ALIGN=JUSTIFY>Neste thriller psicológico a informação vai sendo desvendada ao espectador ao mesmo tempo que Noone a vai descobrindo, e, como ele, vamos seguindo as pistas e tentando juntar as peças. Mas o argumento, da autoria de Maupin, do seu ex Terry Anderson e do realizador Patrick Stettner, pautado por diálogos totalmente verosímeis, não nos deixa ter certezas.

ALIGN=JUSTIFY>Mas mais importante do que desvendar este mistério, ou descobrir onde e se existem mentiras, são as questões filosóficas que este filme levanta. Existimos apenas como uma percepção de outros? Ao duvidar da credibilidade de uma relação que estabelecemos teremos também que duvidar de nós mesmos? da nossa capacidade de discernimento? de tudo o que nos aparece como real?

ALIGN=JUSTIFY>Noone é um homem resignado e desiludido, com tem tendência a embelezar os acontecimentos da sua vida, dando-lhes um cunho mais romântico ou literário, e potenciando o seu efeito dramático. No final, questionamo-nos até que ponto não foi ele que criou esta história, apenas para nos regalar. Em dado momento, alguém diz: "People are only as loved as they believe they are.”. Com efeito, Pete parece vir ocupar na vida de Noone um lugar de interesse afectivo recentemente deixado vago por Jess, dando-lhe um sentido que ele sente faltar na sua vida.

ALIGN=JUSTIFY>Toni Collette (“The Sixth Sense”, “Little Miss Sunshine”) é completamente arrebatadora, e Williams confirma uma vez mais a sua grande força dramática, já evidenciada em filmes como “Insomnia” (2002), “One Hour Photo” (2002) ou “The Final Cut” (2004). Nos secundários, a minha atenção voltou-se para a interpretação intensa e genuína de Bobby Cannavale (“Romance & Cigarettes”), que merecia bastante mais ecrã.

ALIGN=JUSTIFY>Para bem da consistência, o final deveria, no entanto, ser mais inconclusivo. Em vez disso, é-nos entregue uma solução fácil que, pessoalmente, me deixou insatisfeita. A ambiguidade teria servido para manter as questões importantes ao de cima.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“Real isn’t how you’re made, is the things that happen to you.”


ALIGN=JUSTIFY>“People are only as loved as they believe they are.”










Robert Altman (1925-2006)

22.11.06, Rita


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ALIGN=JUSTIFY>Robert Bernard Altman nasceu a 20 de Fevereiro de 1925 em Kansas City, Missouri. A carreira de Altman passou primeiramente pela televisão, onde realizou, entre outros, vários episódios da série “Bonanza”. Mas foi no cinema que a sua obra foi mais marcante, com filmes como “Shortcuts” (1993), “Prêt-a-Porter” (1994), “Gosford Park” (2001) e o recente “A Prairie Home Companion”.

ALIGN=JUSTIFY>Há cerca de 10 anos, Altman foi sujeito a um transplante cardíaco e, desde então, a sua saúde debilitada colocava em cada filme seu o peso de poder ser a sua última realização, o que acabou por acontecer com “A Prairie Home Companion”. Na passada segunda-feira, dia 20, Robert Altman morreu, deixando o mundo do cinema um pouco mais pobre.

ALIGN=JUSTIFY>Altman tinha 81 anos e um Oscar honorário de carreira atribuído este ano pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Os seus filmes “M*A*S*H” (1970) e “Nashville” (1975) serão preservados pelo National Film Registry dos Estados Unidos.

ALIGN=JUSTIFY>O que não deixa de ser algo irónico, tendo em conta a sua posição política algo polémica: Altman reivindicou que se mudaria para França caso Bush fosse reeleito, o que não aconteceu. Mais tarde, ele corrigiu-se, dizendo que se referia a Paris, Texas, uma vez que o estado estaria certamente melhor sem Bush lá.

ALIGN=JUSTIFY>Apesar do “adeus”, Altman estará sempre ao nosso dispor, numa sala de cinema ou num DVD. Porque parte do artista é a obra e parte da obra é o artista.


SRC=http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/mash/mash-poster01t.jpg BORDER=10>SRC=http://www.urbancinefile.com.au/res/images/n/nashville_poster.jpg WIDTH=115 BORDER=10>SRC=http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/short-cuts/shortcuts-poster01t.jpg BORDER=10>


SRC=http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/pret-a-porter/pret-a-porter-poster01t.jpg BORDER=10>SRC=http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/gosford-park/gosford-park-poster01t.jpg BORDER=10>SRC=http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/ultima-noite-2006/ultima-noite-2006-poster01t.jpg BORDER=10>


ALIGN=JUSTIFY>Filmografia completa aqui.













Brick ****

21.11.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Rian Johnson. Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Nora Zehetner, Lukas Haas, Noah Fleiss, Matt O'Leary, Emilie de Ravin, Noah Segan, Richard Roundtree, Meagan Good, Brian White. Nacionalidade: EUA, 2005.


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ALIGN=JUSTIFY>O poema de Gilbert and Sullivan, “The sun whose rays are all ablaze”, sobre o frágil equilíbrio de forças entre o sol e a lua, lança o tom do film noir que é “Brick”. Na primeira longa-metragem de Rian Johnson existe um herói pouco óbvio, calado e subtil, um vilão poderoso e perigoso, uma donzela em apuros e uma femme fatale tão inescrutável quanto sedutora.

ALIGN=JUSTIFY>A questão é que tudo se passa entre adolescentes, com o liceu como cenário e embrulhado na música original de Nathan Johnson, líder dos The Cinematic Underground. Um óptimo ritmo, os bons diálogos e as fortes interpretações afastam este filme de todos os clichés de filmes de adolescentes, não deixando, no entanto, escapar a inerente agitação, a angústia e formação de identidade características dessa fase da vida.

ALIGN=JUSTIFY>Brendan (Joseph Gordon-Levitt) é um adolescente solitário (ou melhor, anti-social) que investiga o desaparecimento da sua ex-namorada Emily (Emilie De Ravin, a Claire Littleton da série “Lost”), que recentemente se juntou a um grupo mais popular e também mais perigoso. Com a ajuda de Brain (Matt O’Leary), a investigação de Brendan leva-o a um grupo de traficantes liderado por The Pin (um impenetrável Lucas Haas). E aquele que, primeiramente, aparentava ser mais um marrão, acaba por se revelar um herói feroz e determinado, que aproveita as forças e fraquezas de cada um para conseguir os seus intentos.

ALIGN=JUSTIFY>De uma forma não-linear, “Brick” começa no meio da acção, volta atrás, regressa a essa cena inicial e continua a partir daí. Neste policial de traição e assassínio, ninguém é isento e cada um esconde diferentes motivações, que se vão revelando de uma forma simultaneamente consistente e surpreendente. Rian Johnson cria um elo de ligação entre todos estes jovens, fazendo uso de um vernáculo que faz lembrar a linguagem ‘nadsat’ de Anthony Burgess em “A Clockwork Orange”. Ao ser usado de uma forma completamente natural e convincente, somos arrastados para este universo geracional, onde o elenco de jovens actores cumpre, sem falhas, a complexidade que as personagens exigem. Uma especial referência para Joseph Gordon-Levitt (Tommy Solomon da série “3rd Rock from the Sun”) que, intenso e seguro, carrega o peso deste filme com um sentido de humor sardónico.

ALIGN=JUSTIFY>Existe alguma tentação em colocar este filme do lado de um “Donnie Darko”, pela forma como a temática adolescente é abordada fora dos parâmetros habituais. Não minha opinião fica ainda aquém dessa obra em termos imaginativos, mas é fácil perceber porque venceu, ao lado de “Me And You And Everyone We Know”, o prémio especial do júri na edição de 2005 do Festival de Sundance pela originalidade da sua visão.

ALIGN=JUSTIFY>Espero que “Brick” seja uma boa base para a futura carreira do realizador Rian Johnson. Estaremos de olhos postos em “The Brothers Bloom”, o seu próximo projecto para 2008, com Rachel Weisz à cabeça.

ALIGN=JUSTIFY>Voltando a “Brick” , ainda que seja inquietante pensar numa adolescência com estas atribulações, por uma história boa como esta eu seria capaz de matar mais uns quantos. Porque o noir está sempre in.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“I've got knives in my eyes, I'm going home sick.”
JOSEPH GORDON-LEVITT (Brendan Frye)


ALIGN=JUSTIFY> “Maybe I'll just sit here and bleed at you.”
JOSEPH GORDON-LEVITT (Brendan Frye)

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “You better be sure you wanna know what you wanna know.”
MEAGAN GOOD (Kara)




COLOR=#E90909>THE SUN WHOSE RAYS ARE ALL ABLAZE
SIZE=1>Gilbert and Sullivan



The sun, whose rays
Are all ablaze
With ever-living glory,
Does not deny
His majesty
He scorns to tell a story!
He don't exclaim,
"I blush for shame,
So kindly be indulgent."
But, fierce and bold,
In fiery gold,
He glories all effulgent!
I mean to rule the earth,
As he the sky
We really know our worth,
The sun and I!
Observe his flame,
That placid dame,
The moon's Celestial Highness;
There's not a trace
Upon her face
Of diffidence or shyness:
She borrows light
That, through the night,
Mankind may all acclaim her!
And, truth to tell,
She lights up well,
So I, for one, don't blame her!
Ah, pray make no mistake,
We are not shy;
We're very wide awake,
The moon and I!














































A Good Year **

20.11.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Ridley Scott. Elenco: Russell Crowe, Marion Cotillard, Albert Finney, Freddie Highmore, Didier Bourdon, Isabelle Candelier, Abbie Cornish, Tom Hollander, Rafe Spall, Archie Panjabi, Richard Coyle, Valeria Bruni Tedeschi. Nacionalidade: EUA, 2006.


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ALIGN=JUSTIFY>Como actor, Russell Crowe desperta-me muito pouco interesse, e confesso que me tenho mantido muito pouco flexível nesta minha percepção. Porque razão resolvi então ir ver “A Good Year” quando, à primeira vista, parecia pouco mais do que um daqueles típicos homem-implacável-cuja-vida-gira-em-torno-do-dinheiro-dá-se-conta-de-que-a-sua-vida-é-vazia-e-sem-amor? Bem, por causa de Ridley Scott. Tinha a secreta esperança de que o dedo deste senhor torna-se as coisas mais interessantes. Mas não.

ALIGN=JUSTIFY>Max Skinner (Russell Crowe) herda uma vinha na Provença após a morte do seu tio Henry (Albert Finney). A sua primeira intenção é de vender a propriedade e poder continuar o seu trabalho em Londres como corretor, onde pode manipular à vontade o mercado e as pessoas que o rodeiam. Através de flashbacks vamos vendo que Max nem sempre foi um pulha insensível. Tempos houve em que o jovem Max (Freddie Highmore) aprendia grandes lições de vida do seu tio.

ALIGN=JUSTIFY>O argumento de Marc Klein, baseado no livro de Peter Mayle, um amigo de Ridley Scott e seu vizinho da Provença, onde Scott tem uma quinta há cerca de 15 anos, é um conjunto de clichés onde não falta todo o tipo de estereótipos, da empregada de mesa francesa sexy e temperamental (Marion Cotillard, a uma atractiva prima americana e possível concorrente à herança (Abbie Cornish, “Candy”), passando por uma assistente irónica (Archie Punjabi, “The Constant Gardener”), um melhor amigo (Tom Hollander, “The Libertine”), os encarregados da quinta (os franceses Didier Bourdon e Isabelle Candelier), e ainda com espaço para uma Valeria Bruni Tedeschi (“5x2”) que rouba toda a atenção que poderíamos colocar em Russel Crowe.

ALIGN=JUSTIFY>Apesar de bem filmado, o produto delicodoce que saiu das mãos de Ridley Scott, com a dose recomendada de tiradas românticas, serve para pouco mais do que um cartão de visita da beleza bucólica da Provença, do château que serve de cenário e da beleza embriagante de Marion Cotillard (“Jeux d'Enfants”, “Sauf Le Respect Que Je Vous Dois”).

ALIGN=JUSTIFY>O protagonista Russell Crowe é relativamente charmoso e divertido, mas quando entra no campo dos dilemas morais, deixa muito a desejar em termos de credibilidade. A sua falta de densidade é tanto mais evidente quanto melhores os actores com quem é “forçado” a partilhar o ecrá. Felizmente, “A Good Year” dá-nos a oportunidade de ver a bela (e equilibrada) contracena de Freddie Highmore (“Finding Neverland”, “Charlie and the Chocolate Factory”) e o sempre magestoso Albert Finney (“Big Fish”).

ALIGN=JUSTIFY>Se tiverem outras prioridades, “A Good Year” pode bem esperar por uma tarde chuvosa em frente à televisão.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA>“It is inevitable to lose now and then, the thing is not to make a habit of it.”
ALBERT FINNEY (Henry)


ALIGN=JUSTIFY>“I want a bottle of wine that tastes like you. And a glass that’s never empty.”
RUSSEL CROWE (Max Skinner)

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “Je suis fou de tes lêvres.”
RUSSEL CROWE (Max Skinner)













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