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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

INDIELISBOA 2006 - Vencedores

30.04.06, Rita




E os vencedores da 3ª edição do IndieLISBOA - Festival de Cinema Independente de Lisboa são:



GRANDE PRÉMIO DE LONGA METRAGEM “CIDADE DE LISBOA”
"PLAY”, de Alicia Scherson

GRANDE PRÉMIO DE CURTA-METRAGEM
“DU SOLEIL EN HIVER”, de Samuel Collardey

MENÇÃO ESPECIAL
“THE DEATH OF MR. LAZARESCU”, de Cristi Puiu


PRÉMIO TOBIS PARA MELHOR CURTA-METRAGEM PORTUGUESA
“A SERPENTE”, de Sandro Aguilar

PRÉMIO RESTART PARA MELHOR REALIZADOR PORTUGUÊS DE CURTA-METRAGEM
João Vladimiro, por “PÉ NA TERRA”

MENÇÕES ESPECIAIS
“STUART”, de Zepe
“1 CLÉ POUR 2”, de Delphine Noels

PRÉMIO TOBIS PARA MELHOR LONGA-METRAGEM PORTUGUESA
“MOVIMENTOS PERPÉTUOS – CINE-TRIBUTO A CARLOS PAREDES”, de Edgar Pêra

MELHOR FOTOGRAFIA PARA FILME PORTUGUÊS AIP CINEMA/FUJIFILM
“MOVIMENTOS PERPÉTUOS – CINE-TRIBUTO A CARLOS PAREDES”, de Edgar Pêra

PRÉMIO FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema)
“GRAIN IN EAR”, de Zhang Lu.

PRÉMIO 2: ONDA CURTA
“ANTONIO' S BREAKFAST”, de Daniel Mulloy
“NEVER LIKE THE FIRST TIME”, de Jonas Odell
“LA PLAINE”, de Roland Edzard
“RABBIT”, de Run Wrake
MENÇÃO ESPECIAL
“BLOCKADE”, Sergey Loznitsa.

AMNISTIA INTERNACIONAL
“PAVEE LACKEEN”, do inglês Perry Ogden
MENÇÃO ESPECIAL
“LA FEMME SEULE”, de Brahim Fritah.

PRÉMIO DO PÚBLICO JOHNNIE WALKER
“MOVIMENTOS PERPÉTUOS – CINE-TRIBUTO A CARLOS PAREDES”, de Edgar Pêra (longa-metragem)
“NEVER LIKE THE FIRST TIME”, de Jonas Odell (curta-metragem)

PRÉMIO IndieJUNIOR / VICTORIA SEGUROS
“THE ZIT”, de Mike Blum.


O resto do país terá agora também a oportunidade de ver estes filmes, segundo o seguinte calendário:


4, 5 e 6 de Maio - AVEIRO (em colaboração com Cineclube de Aveiro)

7, 8 e 9 de Maio - GUIMARÃES (em colaboração com o Cineclube de Guimarães e o Centro Cultural Vila-Flor)

8, 10 e 11 de Maio - COIMBRA (em colaboração com o Cineclube Fila K e o Teatro Académico de Gil Vicente)

11, 12 e 13 de Maio - MOITA/BAIXA DA BANHEIRA (em colaboração com a Artemrede)

11 e 12 de Maio - ALMADA (em colaboração com a Artemrede)

11, 12 e 13 de Maio - FAMALICÃO (em colaboração com o Cineclube de Joane)

20 de Maio - ABRANTES (em colaboração com o EspalhaFitas)

 

Snow *

27.04.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Hakan Sahin. Elenco: Lambert Loeffen. Nacionalidade: Canadá, 2005.

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ALIGN=JUSTIFY>O meu começo na edição deste ano do IndieLISBOA não foi auspicioso.

ALIGN=JUSTIFY>“Snow”, do realizador turco Hakan Sahin é um objecto experimental a todos os níveis. Ainda não estamos diante de um filme. Sahin tenta contar uma história sobre a solidão e os seus efeitos no estado de alma de Loeffen, trabalhador numa plataforma petrolífera nas terras geladas do Canadá, que se desloca à pequena vila de Zama num dia de folga que coincide com o solstício de Inverno. Sempre acompanhado do seu cão Blackie (o único detalhe interessante de “Snow”), Loeffen, dotado de fracas capacidades sociais, move-se com motivações igualmente frouxas, atormentando por alucinações que se pretendem simbólicas.

ALIGN=JUSTIFY>Os diálogos são fracos e debitados sem realismo, o argumento é de uma fragilidade constrangedora com opções dramáticas que nos deixam totalmente frios perante o suposto drama da personagem. O trabalho com a câmara totalmente inseguro e ao som, com variações de volume verdadeiramente dolorosas, acrescenta-se uma selecção musical de um gosto altamente duvidoso.

ALIGN=JUSTIFY>Devo ser a única pessoa que não gosta das cadeiras do cinema Londres, mas, especialmente num filme como este, o apoio de cabeça é um elemento essencial. Foi apenas por respeito ao realizador que estava presente que não saí da sala a meio do filme - ainda que a concretização falhe, o amor à arte merece todo o apreço.





Inside Man ****

21.04.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Spike Lee. Elenco: Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster, Christopher Plummer, Willem Dafoe, Chiwetel Ejiofor, Carlos Andrés Gómez, Kim Director, James Ransone, Bernie Rachelle, Peter Gerety, Victor Colicchio, Cassandra Freeman, Peter Frechette, Gerry Vichi, Waris Ahluwalia. Nacionalidade: EUA, 2006.

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ALIGN=JUSTIFY>“Inside Man” começa ao som de ''Chaiyya Chaiyya Bollywood Joint'' de Sukhwinder Singh, Sapna Awasthi e Panjabi MC. Uma carrinha de pintura move-se nas ruas de Nova Iorque e estaciona em frente do Manhattan Trust Bank em Wall Street. Dela saem quatro pessoas vestidas de pintores, de óculos escuros e fatos de macaco. Assim que entram no banco, tomam conta do balcão controlando rapidamente empregados e clientes e instigando o medo entre os reféns.

ALIGN=JUSTIFY>Os dois detectives encarregues de proceder às negociações, Keith Frazier (Denzel Washington) e Bill Mitchell (Chiwetel Ejiofor), pensam poder resolver a situação com alguma facilidade, mas, depois de avaliar a situação com o capitão John Darius (Willem Dafoe), dão-se conta de que estão perante alguém que sabe o que está a fazer. E este não é um assalto normal. Aliás, os ladrões, liderados por Dalton Russell (Clive Owen) parecem estar muito pouco interessados no dinheiro existente nos cofres do banco. Entretanto, o presidente do banco (Christopher Plummer) contrata os serviços de Madeleine White (Jodie Foster), uma mulher que move influências e favores de altos membros do governo com a maior das discrições. E parece que este banqueiro tem algo a esconder.

ALIGN=JUSTIFY>Pela primeira vez, Spike Lee filma um argumento que não é seu, mas do estreante Russell Gewirtz, e depois do medíocre “She Hate Me” (2004), sabe bem vê-lo de novo na boa forma de “25th Hour” (2002).

ALIGN=JUSTIFY>Apesar de “Inside Man” fugir aos habituais manifestos de Lee, tem subjacente uma raiva socio-política que se reflecte na urbana confusão de identidades (entre Albaneses e Arménios, entre Sikhs e Arabs).

ALIGN=JUSTIFY>Com um elenco de excepção (Que bom ver Jodie Foster como uma arrogante manipuladora! E que pena Clive Owen estar a maior parte do tempo tapado!) e a belíssima fotografia de Matthew Libatique, “Inside Man” é um filme deliciosamente enganador, inteligente, dramático e credível. A acção do roubo é intercalada com flash-forwards dos interrogatórios feitos aos reféns já depois destes terem sido libertados pelos ladrões. Estas pessoas (como representantes de uma sociedade) passam da ameaça dos criminosos à pressão da polícia que suspeita do seu envolvimento no assalto, permanecendo num estado de permanente medo e defesa.

ALIGN=JUSTIFY>O bem construído argumento revela-se no jogo psicológico que se produz entre as personagens de Washington e Owen. E o bom ritmo deste filme de polícias e ladrões mantém o suspense até à última cena. No final desenha-se um estranho círculo de retorcida justiça, mas a dúvida permanece sobre quem é o verdadeiro infiltrado desta história.

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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “Dalton Russell - Soon I'm gonna be sucking down piña coladas in a hot tub with six girls named Amber and Tiffany.
Keith Frazier - No, it's more like in the shower with two guys named Jamal and Jesus... and that thing you're sucking on? It's not a piña colada!”
CLIVE OWEN (Dalton Russel) e DENZEL WASHINGTON (Keith Frazier)


ALIGN=JUSTIFY> “Waiter - Excuse me Sir, do you have a reservation?
Keith Frazier - I have an appointment.
Waiter - May I take your hat?
Keith Frazier - No, get your own.”
DENZEL WASHINGTON (Keith Frazier)











The Ice Harvest ***

19.04.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Harold Ramis. Elenco: John Cusack, Billy Bob Thornton, Connie Nielsen, Oliver Platt, Randy Quaid, Lara Phillips, Bill Noble, Brad Smith, Ned Bellamy, Mike Starr. Nacionalidade: EUA, 2005.

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ALIGN=JUSTIFY> Na linha revivalista de “Kiss Kiss, Bang Bang”, “The Ice Harvest” junta todos os ingredientes do film noir: violência, dinheiro, sexo e traição.

ALIGN=JUSTIFY>Wichita Falls, Kansas. Véspera de Natal. Charlie Arglist (John Cusack) é advogado do patrão da máfia Bill Guerrard (Randy Quaid - excelente nos seus breves minutos). Juntamente com o seu colega Vic Cavanaugh (Billy Bob Thornton) roubam 2 milhões de dólares a Guerrard. O golpe corre bem, mas a fuga é adiada até ao dia seguinte para que as estradas bloqueadas pela tempestade de gelo.

ALIGN=JUSTIFY>À medida que a noite avança, Charlie vai de clube em clube, bebendo e tentando perceber em quem poderá confiar no meio de um labirinto de enganos. No seu caminho surge Pete (Oliver Platt), um grande amigo de Charlie, que decidiu embebedar-se nessa noite e esquecer-se da vida que leva ao lado da ex-mulher de Charlie, com quem casou.

ALIGN=JUSTIFY>E porque um film noir tem de ter a sua femme fatal, existe Renata (Connie Nielsen), a dona de um bar de strip tease por quem Charlie tem um encantamento especial, e demasiado parecida com a estrela dos anos 40 Veronica Lake para que não se perceba nela uma considerável dose de perigo.

ALIGN=JUSTIFY>Harold Ramis, realizador de “Groundhog Day - O Feitiço do Tempo” (1993), situa este filme algures entre “Blood Simple” e “Fargo” dos irmãos Coen, com o absurdo a camuflar uma crise existencialista, onde abunda o niilismo e a resignação.

ALIGN=JUSTIFY>A interpretação de Cusack, apesar de forte, dá o espaço devido à contracena, especialmente ao sempre refrescante cinismo de Billy Bob Thornton. Cusack dá a Charlie a dose certa de pessimismo, melancolia, desespero e preocupação pelos outros. Charlie sabe que é uma má pessoa e não inventa desculpas para isso, e é impossível não ficar do seu lado. À semelhança do papel de Bill Murray em “Goundhog Day”, Charlie está preso a uma situação porque vive uma vida sem sentido, ainda que neste caso seja algo consciente.

ALIGN=JUSTIFY>Visualmente, o filme vai do branco imaculado ao néon azuis, do ambiente soturno dos bares ao minimalismo de uma casa. Dispensava-se o humor mais ofensivo, e tanta insistência em mostrar as meninas do strip a dançar. Mas, no global, a ausência de uma mensagem moralista em “The Ice Harvest” é a pedra de toque que deixa aquele pequeno incómodo no estômago. Como diz Charlie, tudo aquilo que fazemos é indiferente; bem ou mal, o resultado raramente é afectado pelo nosso comportamento.

ALIGN=JUSTIFY>É uma visão, no mínimo, desmoralizadora, mas não deixa de ser interessante pensar nisso.


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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “It's against my religion to give out personal advice, but you should either sober up or get real drunk.”
CONNIE NIELSEN (Renata)


ALIGN=JUSTIFY> “It is futile to regret. You do one thing, you do another… So what?”
JOHN CUSACK (Charlie)

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “He actually threatened to shoot Gladys if I didn't tell him where the money was. But I think he was counting on a level of commitment and affection between her and me that just simply wasn't there.”
BILLY BOB THORNTON (Vic)


ALIGN=JUSTIFY> “Pay no attention to the man in the trunk.”
BILLY BOB THORNTON (Vic)

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “You're dead, Roy. Stop pretending that you're not.”
BILLY BOB THORNTON (Vic)


ALIGN=JUSTIFY> “- You’re the nicest guy I know.
- I’m sorry to hear that.”










Hostel *

18.04.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Eli Roth. Elenco: Jay Hernandez, Derek Richardson, Eythor Gudjonsson, Barbara Nedeljakova, Jan Vlasák, Jana Kaderabkova, Jennifer Lim, Keiko Seiko, Lubomir Bukovy, Jana Havlickova. Nacionalidade: EUA, 2005.

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ALIGN=JUSTIFY>Porque será que Quentin Tarantino se dispôs a associar o seu nome a este projecto, é uma questão para a qual não encontro resposta. Especialmente, porque um nome como o dele não deixa de ser uma importante referência, pelo menos para mim. Ao sair de “Hostel” não pude deixar de me sentir enganada. O trailer prometia medo, choque e terror. Em vez disso, “Hostel” é um filme eurofóbico sobre turismo sexual, que, depois de se arrastar durante uma primeira parte de softcore que apenas satisfaria os sonhos eróticos de universitários americanos, decide explorar - somente de uma forma visual - o escabroso mundo da tortura e crueldade desenfreadas.

ALIGN=JUSTIFY>“Hostel” tem início com três amigos em Amesterdão, dois americanos (Jay Hernandez e Derek Richardson) e um islandês (Eythor Gudjonsson), apenas interessados em droga e sexo. Aí conhecem um rapaz que lheS indica uma pousada da juventude na Eslováquia, onde o alojamento é barato, a droga acessível e as mulheres lindas e loucas por americanos. Quando chegam a Bratislava, os seus sonhos tornam-se realidade, mas os seus pesadelos não estão muito longe. Um grupo restrito de gente rica e perturbada está disposta a pagar para poder torturar e matar sem dar satisfações a ninguém.

ALIGN=JUSTIFY>Já cansados de um torturante início (talvez este seja o verdadeiro sadismo do realizador Eli Roth) que se prolonga bem mais do que o devido e onde se conta muito pouco, com personagens vazias e onde somos erroneamente conduzidos para uma personagem principal que afinal não o é, com diálogos miseráveis e nada originais, e motivações forçadas, Roth (“Cabin Fever”, 2002) entra finalmente onde queria: o desmembramento e a mutilação. A história é pouco consistente, evidente e sem ponta de suspense. Consideravelmente mal escrita, também por Roth.

ALIGN=JUSTIFY>O (único) ponto a favor vai para as cenas de tortura, trabalhadas ao detalhe e bastante bem filmadas. Mas o seu carácter gratuito, inserido numa história que nada tem a dizer sobre a crueldade que descreve, onde apenas se explora o nu ou o violento (na mente de Roth parece que a analogia sexual entre ambos é evidente), faz com que “Hostel” não seja sequer assustador, apenas repulsivo. É tão ineficaz nos seus mecanismos, incluindo os recursos ao humor, que a palavra ‘terror’ só poderá ser pronunciada pelos estudantes americanos que leiam a mensagem “Não venham à Europa!”.





Compras

13.04.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Agora que os tenho lá em casa sinto-me menos ansiosa e consideravelmente mais feliz.


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ALIGN=JUSTIFY>A Box contém: “Lolita”, “2001: Odisseia no Espaço”, “Laranja Mecânica”, “Barry Lyndon”, “The Shining”, “Full Metal Jacket”, “Eyes Wide Shut” e o documentário “Uma Vida em Filmes”. Mmmnhammmmm!!!

ALIGN=JUSTIFY>Se fosse Inverno hibernava uns quantos dias!






La Tigre e la Neve ****

12.04.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Roberto Benigni. Elenco: Roberto Benigni, Jean Reno, Nicoletta Braschi, Tom Waits, Emilia Fox, Gianfranco Varetto, Giuseppe Battiston, Lucia Poli, Chiara Pirri, Anna Pirri, Andrea Renzi, Abdelhafid Metalsi, Amid Farid. Nacionalidade: Itália, 2005.

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ALIGN=JUSTIFY>A poesia e a guerra. O amor e a morte. O riso e a lágrima. A fantasia e a realidade. A beleza e o horror. Depois de um morno “Pinocchio” (2002), Roberto Benigni volta a aproximar-se à magistralidade de “La Vita à Bella” (1997) com uma fábula desarmante e comovente, onde se confundem todas as emoções, e onde a pureza humana surge como remédio para uma sociedade moralmente contaminada.

ALIGN=JUSTIFY>“La Tigre e la Neve” conta a história de Atillio di Giovanni (Benigni), um poeta e professor universitário, divorciado e pai de duas filhas. Todas as noites Attilio imagina - a la Fellini - o casamento com a mulher dos seus sonhos. No meio dos convidados estão Jorge Luis Borges e Marguerite Yourcenar, entre outros; ao piano: Tom Waits.

ALIGN=JUSTIFY>Numa conferência de imprensa dada por Fouad (Jean Reno), um poeta iraquiano amigo de Atillio que vive em Paris, Attilio vê Vittoria (Nicoletta Braschi), a mesma mulher do sonho, e também a mulher por quem Attilio está perdidamente apaixonado e que persegue por todo o lado na tentativa de a convencer do seu amor. Os seus esforços recebem a dissuasora resposta de que Vittoria cederá apenas quanto nevar sobre um tigre. Vittoria está a escrever a biografia de Fouad, e quando este decide regressar a Bagdad, Vittoria vai com ele. Attilio não demora muito a ir atrás de Vittoria, mas desta feita por motivos mais graves que o capricho.

ALIGN=JUSTIFY>Attilio parte numa viagem atribulada para salvar o seu amor. Mas Vittoria é aqui apenas o símbolo/veículo de um sentimento que reside, essencialmente, no fundo de cada um de nós, e que deverá justificar os maiores riscos: a capacidade de amar. Uma consciência que, no mundo actual, atolado em guerras e conflitos mesquinhos, parece faltar.

ALIGN=JUSTIFY>“La Tigre e la Neve” apresenta claramente uma estrutura clássica em três actos, e, apesar do fio condutor, fragmenta-se em sketches, uns mais eficazes que outros, e talvez essa falta de homogeneidade seja a maior falha deste filme. De resto, a mestria de Benigni na comédia de equívocos (o ponto alto sendo o fabuloso “Il Mostro”, 1994), o lirismo dos diálogos e os subtis detalhes. Entre estes, saliento o momento em que Attilio é atingido pela bandeira da paz, num contraponto aos que justificam a guerra como meio de alcançar o seu oposto; e a invocação de Alá através de um Padre Nosso, porque afinal a fé vale por ela mesma, tal como o amor, e não pelo deus-objecto.

ALIGN=JUSTIFY>O filme é Benigni, em todas as cenas. Nicoletta Braschi, esposa e musa de Benigni e recorrente protagonista dos seus filmes, e, à semelhança de “Pinocchio”, também produtora, tem aqui a oportunidade rara de o confrontar. Numa participação mais do que especial, Waits, que conhece Benigni pelo menos desde 1986, quando contracenaram em “Down by Law” (1986), de Jim Jarmusch, canta “You Can Never Hold Back Spring”, uma belíssima canção composta com Kathleen Brennan propositadamente para este filme. O resto da música é assinada por Nicola Piovane, que recebeu o Oscar por “La Vita è Bella”.

ALIGN=JUSTIFY>“La Tigre e la Neve” é um filme sobre palavras, e a importância de escolher as certas. De nunca nos esquecermos de dizer adeus a quem amamos (e, por sinal, não esquecer também de dizer que os amamos), porque de cada vez pode ser para sempre.

ALIGN=JUSTIFY>Um filme belo sobre o amor, não aquele que é imutável mas aquele que é inelutável.


ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#CCCCCC>P.S. - Dispensando o contexto de casamento, também eu sonho com o Tom Waits a cantar para mim.



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ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “O mundo começou sem o homem e acabará sem ele.”
JEAN RENO (Fuad), citando Lévi-Strauss


ALIGN=JUSTIFY> “Cada pessoa é um abismo. Ficamos com tonturas só de olharmos para baixo.”
JEAN RENO (Fuad)








You can never hold back spring

11.04.06, Rita


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ALIGN=JUSTIFY>Enquanto preparo a crítica do filme “La Tigre e la Neve” de Roberto Benigni, deixo aqui ficar a música que acompanha todo o filme. E a voz de Tom Waits que não me sai da cabeça.

Em nome de tudo o que é inevitável, até - e sobretudo - o amor.


ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#E90909>TOM WAITS
You can never hold back spring


You can never hold back spring
You can be sure that I will never
Stop believing
The blushing rose will climb
Spring ahead or fall behind
Winter dreams the same dream
Every time

You can never hold back spring
Even though you've lost your way
The world keeps dreaming of spring

So close your eyes
Open you heart
To one who's dreaming of you
You can never hold back spring
Baby

Remember everything that spring
Can bring
You can never hold back spring

































Breakfast on Pluto ***

07.04.06, Rita

ALIGN=JUSTIFY>Realização: Neil Jordan. Elenco: Cillian Murphy, Liam Neeson, Ruth Negga, Laurence Kinlan, Stephen Rea, Brendan Gleeson. Nacionalidade: Irlanda / Reino Unido, 2005.


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ALIGN=JUSTIFY>Depois de “The Butcher Boy” (1997), Neil Jordan adapta novamente um romance de Pat McCabe, desta feita contando a história de Patrick ‘Kitten’ Braden, na Irlanda/Londres dos anos 70, em plena convulsão social (à semelhança de “The Crying Game”, 1992, mistura também as questões de identidade sexual).

ALIGN=JUSTIFY> “Breakfast on Pluto” é um conto de fadas que começa com um par de melros a conversar enquanto debicam o leite poisado do lado de fora da porta.

ALIGN=JUSTIFY>Deixado à porta da casa de um padre na aldeia irlandesa de Tyreelin, Patrick (Cillian Murphy) é criado por uma mãe adoptiva Ma Braden (Ruth McCabe) que nunca compreendeu o seu gosto por roupas femininas. No final da adolescência, Patrick - já sob o nome de Kitten - parte para Londres em busca da mãe (Eva Birthistle), da qual pouco mais sabe do que as suas parecenças com a actriz Mitzi Gaynor. Na estrada, Kitten conhece uma banda chamada "The Mohawks" e apaixona-se perdidamente pelo vocalista Billy Hatchet (a estrela de rock britânica Gavin Friday). Este primeiro amor, tal como todos os outros, serão apenas um reflexo do que Kitten quer para si própria: ser amada exactamente como nas canções pop, mais concretamente como em “Honey” de Bobby Goldsboro (o título “Breakfast on Pluto” provém da canção “King of the London Buskers”de Don Partridge).

ALIGN=JUSTIFY>Kitten é ingénua e pura, seduzindo pela sua vulnerabilidade e tornando irresistível querer protegê-la. Os olhos penetrantes de Cillian Murphy também ajudam. Sem se importar se vive ou morre, Kitten acaba por viver uma vida de liberdade, tornando-se até assistente de mágico (Stephen Rea). Mas, mesmo apesar de todos os contratempos, alguns deles bastante violentos, Kitten mostra-se invencível. E nesta sobreposição do pessoal e do político, Kitten mostra-se inabalável, quer na sua identidade quer no seu ódio pela violência. Apesar do excesso de características heróicas acabar por retirar peso dramático à personagem, coloca-nos ainda mais no plano da fantasia, onde a realidade se mostra apenas em breves interlúdios.

ALIGN=JUSTIFY>Cillian Murphy carrega às costas esta história contada em capítulos, como um diário. A sua interpretação é excelente e completamente absorvente, conseguindo ser extremamente feminino sem ser afectado. Ao seu lado está a expressividade subtil de um Liam Neeson e a presença magnética de Brendan Gleeson. Um encontro de Kitten em Londres com Mr. Silky String permite-nos encher os olhos (à falta dos ouvidos) com Bryan Ferry.

ALIGN=JUSTIFY>O que nos fica de Kitten, e um pouco à laia de lição, é todo o seu optimismo, a sua entrega ao amor, incondicional de cada nova vez, onde os sofrimentos passados não corrompem a melhor ingenuidade. E onde, como canta Dusty Springfield em “The Windmills of your Mind”, a vida é uma ininterrupta roda, onde, em todos os momentos, temos o dever de ser felizes.


WIDTH=70% COLOR=#E90909 SIZE=1>


ALIGN=JUSTIFY>CITAÇÕES:

ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#AAAAAA> “Patrick "Kitten" Braden - And the other thing about the Phantom Lady was, Bert, she realized, in the city that never sleeps...
Bertie - What did she realize, Kitten?
Patrick "Kitten" Braden - That all the songs she'd listened to, all the love songs, that they were only songs.
Bertie - What's wrong with that?
Patrick "Kitten" Braden - Nothing, if you don't believe in them. But she did, you see. She believed in enchanted evenings, and she believed that a small cloud passed overhead and cried down on a flower bed, and she even believed there was breakfast to be had...
Bertie - Where?
Patrick "Kitten" Braden - On Pluto. The mysterious, icy wastes of Pluto.”
CILLIAN MURPHY (Patrick "Kitten" Braden) e STEPHEN REA (Bertie)


ALIGN=JUSTIFY> “If I wasn't a transvestite terrorist, would you marry me?”
CILLIAN MURPHY (Patrick "Kitten" Braden)


ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#E90909>HONEY

See the tree how big it's grown
But friend it hasn't been too long
It wasn't big.
I laughed at her and she got mad
The first day that she planted it
'Was just a twig.
The the first snow came
And she ran out to brush the snow away
So it wouldn't die.
Came runnin' in all excited
Slipped and almost hurt herself
I laughed till cried.

She was always young at heart
Kind a dumb and kind a smart
And I loved her so.
I surprised her with a puppy
Kept me up all christmas eve
Two years ago.

And it would sure embarrass her
when I came home from working late
'Cause I would know
That she'd been sittin' there and cryin'.
Over some sad and silly late late show:

And Honey I miss you and I'm being good
And I'd loveto be with you if only I could.

She wrecked the car and she was sad
And so afraid that I'd be mad
But what the heck.
Though I pretended hard to be
Guess you could say she saw through me
And hugged my neck.
I came home unexpectedly
And found her crying needlessly
In the middle of the day
And it was in the early spring
When flowers bloom and robins sing
She went away.

And Honey I miss you and I'm being good...

Yes
one day while I wasn't home
While she was there and all alone
The angels came.
Now all I have is memories
Of Honey and I wake up nights
And call her name.
Now my life's an empty stage
Where Honey lived and Honey played
And love grew up.
A small cloud passes over head
And cries down in the flower bed
That Honey loved.

See the tree how big it's grown...


ALIGN=JUSTIFY>COLOR=#E90909>WINDMILLS OF YOUR MIND
Dusty Springfield



Round
like a circle in a spiral
like a wheel within a wheel
never ending or beginning
on an ever spinning reel
like a snowball down a mountain
or a carnival balloon
like a carousel that’s turning
running rings around the moon

like a clock whose hands are sweeping
past the minutes of its face
and the world is like an apple
whirling silently in space
like the circles that you find
in the windmills of your mind!

like a tunnel that you follow
to a tunnel of its own
down a hollow to a cavern
where the sun has never shone,
like a door that keeps revolving
in a half forgotten dream,
or the ripples from a pebble
someone tosses in a stream

like a clock whose hands are sweeping...

keys that jingle in your pocket
words that jangle in your head
why did summer go so quickly?
was it something that you said?
lovers walk along a shore
and leave their footprints in the sand

is the sound of distant drumming
just the fingers of your hand?
pictures hanging in a hallway
and the fragment of this song
half remembered names and faces
but to whom do they belong?

he: when you knew
that it was over
you were suddenly aware
that the autumn leaves were turning
to the color
of her hair!

she: when you knew
that it was over
in the autumn of goodbyes
for a moment
you could not recall the color
of his eyes!

like a circle in a spiral
like a wheel within a wheel
never ending or beginning
on an ever spinning reel

as the images unwind
like the circles
that you find
in the windmills of your mind!















































































































































Basic Instinct 2 **

06.04.06, Rita



Realização: Michael Caton-Jones. Elenco: Sharon Stone, David Morrissey, Charlotte Rampling, David Thewlis, Hugh Dancy, Anne Caillon, Iain Robertson, Stan Collymore, Kata Dobó, Flora Montgomery, Jan Chappell. Nacionalidade: EUA, 2006.






Há 15 anos descruzou as pernas — e tornou-se um ícone do cinema. E um símbolo sexual, que papéis menores apenas faziam adivinhar. Hoje, aos 48 anos, Sharon Stone regressa ao filme que a persegue, mas não à cena. Para quem procura essa provocação de Catherine Tramell, a personagem de Sharon, este não é o filme. E também não é o filme com o nervo de Paul Verhoeven, o realizador anterior, apesar de arrancar com uma cena cheia de velocidade (e no limite da verosimilhança), em que Catherine volta a ser responsabilizada pela morte de um companheiro de sexo e drogas. De resto, mudam algumas coisas: o cenário é a Londres moderna da torre Gherkin e não as colinas de São Francisco; o picador de gelo regressa, mas apenas para cumprir a sua função.

Viciada no risco, assim se descreve a famosa escritora ao psiquiatra que é designado para a avaliar, Michael Glass (interpretado por David Morrissey), depois da morte acidental (ou não), no início. O clínico é mais violento na análise: Catherine é alguém que só parará com a própria morte, um risco para si e para os outros.

O filme encarrega-se de o provar, numa sucessão de mortes violentas e sexo arrojado, ainda que tenham ficado de fora cenas mais ousadas (disponíveis na internet), contra a opinião da própria Stone, para evitar uma classificação etária que destruiria a carreira comercial da obra).

O realizador desta sequela, Michael Caton-Jones, que nos trouxe "O Chacal" ou "Rob Roy", prefere uma abordagem mais cerebral e obviamente mais psicanalítica. Se o corpo (em excelente forma física, digamos assim) de Sharon Stone ajuda a construir a personalidade perversa, complexa e ambígua de Catherine Tramell, o realizador parece ficar de braços cruzados, a contemplá-lo, sem saber bem como lidar com a sua força erótica (e Stone sublinha-o, cada vez que fala do filme).

O fascínio entre Glass e Tramell é tecido por uma malha de mentiras, insinuações e sedução. Mas o instinto diz-nos que, apesar do aparentemente (es)forçado "twist" final, a ambiguidade mora ao lado e este é um filme quase banal. E pouco fatal.


por Miguel

 

 

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