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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Go Go Tales **

19.05.08, Rita

Realização: Abel Ferrara. Elenco: Willem Dafoe, Bob Hoskins, Matthew Modine, Asia Argento, Lou Doillon, Roy Dotrice, Frankie Cee, Sylvia Miles, Pras Michel. Nacionalidade: Itália / EUA, 2007.





“Go Go Tales” pretende ser um olhar sobre os bastidores de um clube de striptease em decadência, mas acaba por se limitar a documentar a técnica do seu realizador Abel Ferrara (“The Funeral”, “Mary”): o diálogo improvisado e sobreposto e a câmara irrequieta, da responsabilidade de Fabio Cianchetti, que evita que o filme, rodado quase inteiramente num espaço fechado, se torne claustrofóbico.


A acção de “Go Go Tales” decorre durante uma noite no Ray Ruby's Paradise. Ray Ruby (Willem Dafoe), o dono do clube, é um jogador viciado e um optimista crónico. Confrontado com as reivindicações salariais das dançarinas, a gravidez de uma delas, a dívida de quatro meses de renda à senhoria Lilian (Sylvia Miles), um chef de cozinha insatisfeito (Pras Michel) e a ameaça do seu irmão Johnnie (Matthew Modine), um famoso cabeleireiro, em he retirar todo e qualquer financiamento, Ray consegue ainda depositar a sua esperança num bilhete de lotaria e no sistema de arquivo do seu contabilista irlandês Jay (Roy Dotrice).


O compasso do filme é o da rotina diária, de empregados e dançarinas. Ferrara empenha-se no tratamento visual dos corpos destas, cobertos por todos os ângulos e enquadramentos possíveis, com um tratamento especial dado à principal atracção, a sensual e arrepiante Monroe (Asia Argento). O estímulo visual é reforçado pelo uso de imagens captadas por câmaras de vigilância, mas nem isso consegue camuflar o desinteressante argumento, ou disfarçar os estereótipos femininos, entre o tonto e o neurótico.


Aos actores, ou não lhes é dado nada para trabalhar, como Asia Argento ou Bob Hoskins no papel do Relações Públicas Baron, ou são empurrados para o exagero, como Matthew Modine e Daniel Dafoe, que conseguem pouco mais que uns breves momentos de comicidade.


Apesar da sua eficácia na evocação do ambiente de tentação e de ilusória intimidade característica deste tipo de espaços, “Go Go Tales” é um objecto sem forma que tenta tocar o humor e o drama simultaneamente, sem, no entanto, conseguir agarrar realmente nenhum dos dois.















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