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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

In The Valley of Elah ***

13.02.08, Rita

Realização: Paul Haggis. Elenco: Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Jason Patric, Susan Sarandon, James Franco, Barry Corbin, Josh Brolin, Jonathan Tucker. Nacionalidade: EUA, 2007.





Hank Deerfield (Tommy Lee Jones), um veterano do Vietname que carrega gravilha numa cidade do Tennessee, recebe um telefonema informando-o que o seu filho Mike (Jonathan Tucker), que regressou do Iraque com a sua unidade há quatro dias, desertou (o termo técnico é AWOL - Absent Without Official Leave). Hank não se convence desse facto e, despedindo-se da sua mulher Joan (Susan Sarandon), desloca-se a Fort Rudd, o quartel de Mike a dois dias de distância de carro. Aí, Hank consegue acesso ao telemóvel de Mike, danificado com o combate, mas do qual vai conseguindo recuperar alguns ficheiros de vídeo. As incoerências que Hank vai percebendo chocam com as evasivas das forças militares. E a polícia local parece estar aliviada pela questão estar fora da sua jurisdição. A única ajuda a Hank virá através da detective Emily Sanders (Charlize Theron).


“In the Valley of Elah” é um filme sobre a guerra e sobre a forma como esta muda quem a tem de olhar nos olhos, independentemente de onde ela tem lugar. Aqui o Iraque funciona apenas como um contexto cronológico. É fácil fazer da estrutura militar o alvo. Mas se percebermos que a grande maioria desta estrutura é composta por homens comprometidos com o seu dever e que apenas fazem o que lhes mandam, teremos obrigatoriamente de olhar mais para cima, para a estrutura política – a das decisões.


Paul Haggis (“Crash”) usa o simbolismo do episódio bíblico no qual o jovem israelita David derrota o gigante Golias, no Vale de Elah na Palestina. Um David que são todos os que tentam romper a malha de uma estrutura estanque determinada a tapar os seus podres. As etnias que são útil carne para canhão mas, de regresso a casa, se tornam desprezíveis. Todo o ser humano individual que é reduzido a um número. Mas talvez sejamos também os israelitas que enviam displicentemente o seu David para combater o gigante, que sujará as mãos defender as causas de outros.


O argumento de Haggis (autor também de “Million Dollar Baby”, “Flags Of Our Fathers” e “Letters From Iwo Jima”), baseado numa história verídica, não força conflitos ou afectos com a personagem principal. Os secundários, mais do que contribuírem para o arco da personagem de Tommy Lee Jones, assistem à sua evolução. Mas o que poderia enfraquecer “In the Valley of Elah”, acaba por reforçá-lo ao concentrar o universal numa experiência individual.

Hank Deerfield é um homem duro e determinado, com as suas emoções sob controlo que, através da dor e de um certo sentimento de culpa, faz um caminho de desencanto. Ele personifica o desgaste e a mudança que tem vindo (ou se espera tenha vindo) a ocorrer na população americana face aos impulsos patrióticos e antiterroristas que motivaram estas acções militares. A expressividade e contenção de Tommy Lee Jones (“The Three Burials of Melquiades Estrada”) servem toda uma gama de emoções, do convicto ao confuso.


O ponto fraco de “In the Valley of Elah” é o facilitismo de não deixar nada por explicar. O querer falar ao americano comum, fá-lo cair em algumas soluções previsíveis, como sucede com o final, nada surpreendente mas o mais eficaz no fecho do ciclo que tinha sido iniciado.


O caminho da verdade é talvez o mais doloroso que se pode fazer. Mas é também aquele que justifica os sacrifícios, e aquele através do qual crescemos. Às vezes fazer esse caminho sozinhos pode ser demolidor. Chegado o momento de pedir ajuda, o orgulho deverá dar lugar ao discernimento.






CITAÇÕES:


“That's a sign of a nation in distress (...) We don't know what we are doing, so come help us.”
TOMMY LEE JONES (Hank Deerfield, comentando sobre uma bandeira americana pendurada de pernas para o ar)





















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